UNIVERSIDADE FEDERAL DOS VALES DO JEQUITINHONHA E MUCURI Programa de Pós-Graduação em Reabilitação e Desempenho Funcional Ana Caroline Negreiros Prates VIABILIDADE DO EXERCÍCIO DE VIBRAÇÃO DE CORPO INTEIRO E SEU EFEITO IMEDIATO NAS FUNÇÕES EXECUTIVAS E FÍSICAS EM IDOSOS COM 80 ANOS OU MAIS COM COMPROMETIMENTO COGNITIVO LEVE RESIDENTES NA COMUNIDADE Diamantina 2023 Ana Caroline Negreiros Prates VIABILIDADE DO EXERCÍCIO DE VIBRAÇÃO DE CORPO INTEIRO E SEU EFEITO IMEDIATO NAS FUNÇÕES EXECUTIVAS E FÍSICAS EM IDOSOS COM 80 ANOS OU MAIS COM COMPROMETIMENTO COGNITIVO LEVE RESIDENTES NA COMUNIDADE Dissertação apresentada ao programa de Pós- Graduação em Reabilitação e Desempenho Funcional da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, como requisito para obtenção do título de Mestre. Orientadora: Profa. Dra. Ana Cristina R. Lacerda Diamantina 2023 Catalogação na fonte - Sisbi/UFVJM P912v 2023 Prates, Ana Caroline Negreiros VIABILIDADE DO EXERCÍCIO DE VIBRAÇÃO DE CORPO INTEIRO E SEU EFEITO IMEDIATO NAS FUNÇÕES EXECUTIVAS E FÍSICAS EM IDOSOS COM 80 ANOS OU MAIS COM COMPROMETIMENTO COGNITIVO LEVE RESIDENTES NA COMUNIDADE [manuscrito] / Ana Caroline Negreiros Prates. -- Diamantina, 2023. 51 p. : il. Orientador: Prof. Ana Cristina Rodrigues Lacerda. Dissertação (Mestrado em Reabilitação e Desempenho Funcional) -- Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Programa de Pós-Graduação em Reabilitação e Desempenho Funcional, Diamantina, 2023. 1. Vibração de corpo Inteiro. 2. Comprometimento Cognitivo. 3. Idosos. 4. Saúde - Diamantina. I. Lacerda, Ana Cristina Rodrigues . II. Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. III. Título. Elaborada pelo Sistema de Geração Automática de Ficha Catalográfica da UFVJM com os dados fornecidos pelo(a) autor(a). Este produto é resultado do trabalho conjunto entre o bibliotecário Rodrigo Martins Cruz/CRB6- 2886 e a equipe do setor Portal/Diretoria de Comunicação Social da UFVJM Ana Caroline Negreiros Prates VIABILIDADE DO EXERCÍCIO DE VIBRAÇÃO DE CORPO INTEIRO E SEU EFEITO IMEDIATO NAS FUNÇÕES EXECUTIVAS E FÍSICAS EM IDOSOS COM 80 ANOS OU MAIS COM COMPROMETIMENTO COGNITIVO LEVE RESIDENTES NA COMUNIDADE Dissertação apresentada ao programa de Pós- Graduação em Reabilitação e Desempenho Funcional da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre. Orientadora: Drª Ana Cristina Rodrigues Lacerda Data da aprovação: 13/03/2023 Profa. Dra. Danúbia da Cunha de Sá Caputo Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ Prof. Dr. Murilo Xavier Oliveira Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri - UFVJM Profa. Dra. Ana Cristina Rodrigues Lacerda Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri - UFVJM Diamantina MG AGRADECIMETOS Agradeço primeiramente à Deus por ser meu guia e ter colocado as melhores oportunidades e pessoas no meu caminho que contribuíram para que meus objetivos pudessem ser alcançados. Aos meus pais, Jorge e Maria das Virgens, por serem meus maiores apoiadores/incentivadores, por aguentarem meus choros e pessimismos diários, por me ensinarem que a educação é o primeiro passo rumo a um futuro melhor, e por sempre terem me mostrado que o trabalho duro e a força de vontade são elementos essenciais para a realização de qualquer sonho. Eu amo muito vocês! O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de nível superior - Brasil (CAPES) - código de financiamento 001. RESUMO Introdução: O comprometimento cognitivo leve (CCL) está frequentemente associado ao envelhecimento, com possível impacto nas funções físicas e executivas. O exercício físico pode retardar o declínio dessas habilidades. Assim, a vibração de corpo inteiro (VCI) parece ser uma terapia complementar que pode ter efeitos benéficos na cognição e na função física. Todavia, os estudos que demonstram tais efeitos apresentam limitações metodológicas que podem influenciar nos resultados. Objetivo: Investigar a viabilidade do exercício de VCI e o seu efeito imediato sobre os aspectos das funções executivas e físicas. Métodos: Trata-se de um ensaio clínico de grupo único, pré e pós-intervenção, com idosos (>80 anos) com CCL. O protocolo consistiu em 5 séries de 1 minuto de agachamento isométrico (joelhos fletidos em 20º) em uma plataforma vibratória síncrona (FitVibe, Bélgica – Frequência 35 Hz, amplitude 2 mm, aceleração 3,26 g) com 40 segundos em repouso entre as séries. A viabilidade da intervenção foi o desfecho primário e os desfechos secundários foram as funções executivas e físicas avaliadas pelos testes Trail Making Test, Stroop Color and Word Test, teste de fluência verbal e Short Physical Performance Battery, força de preensão manual e o teste de dupla- tarefa. Resultados: 320 voluntários em potencial foram identificados. Destes, 63 foram selecionados, mas apenas 18 idosos de ambos os sexos (84 ± 3 anos) foram elegíveis. A principal razão da exclusão foi a presença de alguma contraindicação para a VCI. A intervenção mostrou-se segura e viável, já que somente um participante não tolerou o exercício e três relataram vertigem durante a familiarização. Nenhum outro evento adverso foi relatado. O tempo para completar a intervenção foram 10 minutos. Dentre os resultados clínicos, o teste de dupla-tarefa motora (p=0,05) e o Trail Making Test- parte A (p=0,004) demonstraram possível melhora nas funções físicas e executivas, apontando perspectivas de ensaios clínicos controlados com um protocolo de treinamento com exercícios de VCI. Conclusão: A VCI demonstrou ser viável para idosos da comunidade com CCL. Palavras chave: Vibração de corpo inteiro. Função executiva. Função física. Idosos de 80 anos ou mais. Disfunção cognitiva. ABSTRACT Introduction: Mild cognitive impairment (MCI) is often associated with aging, with possible impact on physical and executive functions. Physical exercise can delay the decline of these abilities. Thus, whole body vibration (WBV) appears to be a complementary therapy that may have beneficial effects on cognition and physical function. However, studies that demonstrate such effects have methodological limitations that may influence the results. Objective: To investigate the viability of the WBV exercise and its immediate effect on aspects of executive and physical functions. Methods: This is a single-group clinical trial, pre- and post- intervention, with aged (>80 years old) with MCI. The protocol consisted of 5 sets of 1 minute of isometric squatting (knees flexed at 20º) on a synchronous vibrating platform (fitvibe, belgium – frequency 35 hz, amplitude 2 mm, acceleration 3.26 g) with 40 seconds of rest between sets. The feasibility of the intervention was the primary outcome and the secondary outcomes were executive and physical functions assessed by the Trail Making Test, Stroop Color and Word Test and the Verbal Fluency test, and Short Physical Performance Battery, Handgrip Strength and the test Dual-task. Results: 320 potential volunteers were identified. Of these, 63 were selected; but only 18 elderly men and women (84 ± 3 years old) were eligible. The main reason for exclusion was the presence of some contraindication for WBV. The intervention proved to be safe and feasible, as only one participant did not tolerate the exercise and three reported vertigo during familiarization. No other adverse events were reported. The time to complete the intervention was around 10 minutes. Among the clinical results, the motor Dual-task test (p=0.05) and the Trail Making Test-Part A (p=0.004) demonstrated a possible improvement in physical and executive functions, pointing to perspectives of controlled clinical trials with a protocol of training with WBV exercises. Conclusion: WBV proved to be feasible for community-dwelling elderly with MCI. Keywords: Whole body vibration. Executive function. Physical function. Aged, 80 and over. Cognitive dysfunction. SUMÁRIO 1. Introdução...........................................................................................................................09 1.1 Comprometimento Cognitivo Leve...........................................................................09 1.2 Exercício Físico e seus benefícios no Comprometimento Cognitivo Leve...............10 1.3 Vibração de Corpo Inteiro.........................................................................................11 1.4 Vibração de Corpo Inteiro nas Funções Executivas e Físicas...................................11 1.5 Justificativa do Estudo...............................................................................................13 Referências......................................................................................................................14 2. Artigo...................................................................................................................................18 2.1 Introdução..................................................................................................................21 2.2 Metodologia...............................................................................................................22 2.3 Resultados..................................................................................................................26 2.4 Discussão e Conclusão..............................................................................................28 2.5 Referências................................................................................................................32 2.6 Figura 1......................................................................................................................35 2.7 Tabelas.......................................................................................................................36 2.8 Normas da Revista de Submissão..............................................................................39 1 INTRODUÇÃO O envelhecimento populacional é um fenômeno sociodemográfico mundial (CRISPIM, 2014). No Brasil, a população idosa vem apresentando um aumento significativo, devido à diminuição das taxas de natalidade e mortalidade, levando a uma maior expectativa de vida (IBGE, 2020). Em conjunto com a transição demográfica, ocorre o processo da transição epidemiológica, caracterizada pela prevalência de condições crônico-degenerativas, no lugar de doenças infecciosas, como causas de morbimortalidade (MARINHO et al., 2018; MERCER, 2018; MAUÉS et al., 2010). Nessa perspectiva, surge no campo da geriatria e da gerontologia o conceito de fragilidade, que embora ainda não haja consenso sobre esse conceito na literatura gerontológica, há um entendimento comum de que a fragilidade afeta os domínios físico, biológico, psicológico e social (OLIVEIRA et al.,2020). Como consequência, condições cujo principal fator de risco é a idade, tendem a aumentar sua prevalência, como por exemplo, a demência (BOFF et al., 2015). 1.1 Comprometimento Cognitivo Leve O Comprometimento Cognitivo Leve (CCL) é um estágio de transição entre a saúde cognitiva e a demência, durante o qual os indivíduos experimentam prejuízos leves em sua função cognitiva e memória, mantendo a capacidade de realizar suas atividades diárias e sendo comumente considerado um estágio chave na prevenção da demência (SAKURAI et al., 2012; ESPINOSA et al., 2013; PEREIRA et al., 2018; JIA et al., 2020). Com o envelhecimento, as funções executivas e os processos cognitivos de controle e integração voltados ao desempenho de comportamentos orientados a objetivos, tendem a ser prejudicados (JUNQUERA FERNÁNDEZ et al., 2020; KRINSTENSEN, 2006). No envelhecimento fisiológico, as mudanças executivas ocorrem de forma gradual e lenta até os 60 anos, tornando-se mais aceleradas a partir dos 70 (BANHATO & NASCIMENTO, 2007). Especificamente, as funções executivas desempenham um papel fundamental no funcionamento diário, mas são vulneráveis aos efeitos do declínio cognitivo relacionados à idade (REUTER-LORENZ, FESTINI, JANTZ, 2016). No CCL e nas demências, as alterações executivas estão presentes precocemente e de forma mais intensa (BANHATO & NASCIMENTO, 2007). A literatura também aponta que um pior desempenho nas tarefas de funções executivas em CCL, indica um maior risco de conversão para a doença de Alzhemer (JUNQUERA FERNÁNDEZ et al., 2020). 1.2 Exercício Físico e seus benefícios no Comprometimento Cognitivo Leve Considerando que o CCL pode ser o primeiro passo para a demência, tratamentos que melhorem ou retardem o declínio das habilidades executivas são essenciais no contexto da preservação da saúde cognitiva e física do idoso, visto que atualmente não há tratamento curativo para essa doença neurodegenerativa (TSAI et al., 2018). Há evidências de que o exercício físico regular pode melhorar a função física e cognitiva de idosos (BOSSERS et al., 2015; HEROLD et al., 2019), com impacto positivo no desempenho das atividades de vida diária (AVD) (BLANKEVOORT et al.,2010). Evidências de estudos observacionais e meta-análises mostraram que participar de atividade física, mesmo mais tarde na vida, pode proteger contra o declínio cognitivo e está associado a um risco reduzido de desenvolver demência. Isso se aplica tanto à prevenção primária (em indivíduos cognitivamente saudáveis) quanto à prevenção secundária (em indivíduos sem demência que já apresentam alterações cognitivas) (LIVINGSTON et al., 2017). O exercício, como uma terapia não farmacológica promissora, tem desempenhado um papel cada vez mais importante na prevenção do declínio da função cognitiva e na melhoria da qualidade de vida de pacientes com comprometimento cognitivo (HUANG et al., 2020). No entanto, a população de idosos muito velhos, de 80 anos ou mais (IPEA, 2004) com CCL apresentam algumas limitações para a realização de atividade física, como por exemplo, as dificuldades inerentes relacionadas com a complexidade das instruções exigidas nos programas de exercícios tradicionais, bem como, restrições de livre circulação, por uma preocupação excessiva dos familiares em impedir que se percam ou sofram quedas (PANZARINO et al., 2017). Dessa forma, a vibração de corpo inteiro (VCI) pode representar uma estratégia terapêutica complementar e alternativa para a população muito idosa, especialmente com CCL (REGTERSCHOT et al., 2014). Ela apresenta uma vantagem distinta sobre os programas de exercícios tradicionais por apresentar uma simplicidade de instruções e movimentos, o que a torna adequada para pessoas com déficits cognitivos (REITZ et al., 2011). 1.3 Vibração de Corpo Inteiro A vibração é uma oscilação mecânica, isto é, uma alteração periódica de força, deslocamento e aceleração ao longo do tempo. O exercício de vibração, no sentido físico, é uma oscilação forçada, onde a energia é transferida de um dispositivo atuador (o dispositivo de vibração) para um ressonador (o corpo humano, ou partes dele) (RITTWEGER, 2010). Os dois principais tipos de transmissão de vibração são a transmissão de vibração vertical e a transmissão de vibração lateral alternada ou inclinada. Durante a VCI, os sujeitos podem realizar exercícios dinâmicos na plataforma ou assumir uma postura estática como ficar em pé, sentar ou deitar. Além disso, a intensidade da VCI é definida pela frequência, magnitude (ou seja, o 'tamanho' da onda), forma da onda (sinusoidal ou não), tempo de exposição e número de sessões diárias (RITTWEGER, 2010). Estímulos mecânicos são transmitidos ao corpo estimulando os receptores sensoriais, mais provavelmente os fusos musculares, conduzindo a uma maior ativação dos motoneurônios alfa e iniciando contrações musculares comparáveis ao “reflexo vibratório tônico” (DELECLUSE et al., 2003; BOGAERTS et al., 2007). O exercício de vibração de corpo inteiro é recentemente sugerido como uma opção viável e rápida para melhorar o desempenho físico de adultos mais velhos (KARINKANTA et al., 2010). A VCI não é particularmente exigente para a capacidade cardiovascular (RITTWEGER, 2010), mas pode efetivamente (tempo eficiente) estimular o sistema músculo-esquelético, produzindo estímulos mecânicos para o corpo através das estruturas corporais diretamente em contato com o equipamento. O exercício de VCI é uma forma de exercício minimamente exigente, de fácil execução, acessível e aplicável para idosos muito velhos que de outra forma não se envolveriam na atividade física moderadamente extenuante necessária para obter benefícios fisiológicos gerais (WADSWORTH & LARK, 2020). Digno de nota, a forma passiva de VCI, doravante referida como VCI passiva, pode ser uma estratégia terapêutica complementar para melhorar as funções executivas e físicas de pessoas que não são capazes de realizar exercícios físicos ativos (REGTERSCHOT et al., 2014). 1.4 Vibração de Corpo Inteiro nas Funções Executivas e Físicas Há evidências crescentes de que o exercício físico tem efeitos positivos na cognição (KRAMER, ERICKSON & COLCOMBE, 2006). Especialmente as funções executivas se beneficiam do exercício físico (HILLMAN, ERICKSON & KRAMER, 2008). As funções executivas são um conjunto de processos cognitivos que regulam, gerenciam e controlam outros processos cognitivos para atingir um objetivo, como planejamento, memória de trabalho, flexibilidade mental, inibição, atenção, resolução de problemas e multitarefa (CHAN et al., 2008). As funções executivas estão associadas ao córtex pré-frontal (SMITH & JONIDES, 1999). Assim, a estimulação sensorial pode influenciar a neurotransmissão nas regiões sensoriais do cérebro, bem como no córtex pré-frontal, hipocampo, amígdala e outras regiões cerebrais (REGTERSCHOT et al., 2014). Sobre os efeitos imediatos da VCI, há evidências de um aumento da circulação sanguínea sistêmica sem esforço físico adicional, influenciando positivamente na função cognitiva por meio da melhora da circulação cerebrovascular (KIM & LEE, 2018). Assim, em pacientes idosos com limitações para realizar exercícios físicos devido aos seus distúrbios cognitivos ou comportamentais, os efeitos imediatos da VCI destacam-se pela possibilidade de aumentar a contração muscular, ativação cerebral e órgãos sensoriais sem sobrecarregar o sistema neuromuscular (AVELAR et al., 2014, REGTERSCHOT et al., 2014, KIM & LEE, 2018, DE SOUZA et al., 2020). Sabe-se também que o exercício promove neuroplasticidade positiva, aumenta a reserva cognitiva e a densidade das conexões neuronais, resultando em melhora da função cognitiva (CARVALHO et al., 2014; NGUYEN, MURPHY, ANDREWS, 2019). Além disso, a existência de uma relação significativa entre as funções cognitivas e físicas pode indicar que elas são bidirecionais e podem compartilhar um conjunto semelhante de redes neurais (HANDING et al., 2019). Além do comprometimento das funções executivas, alguns estudos já demonstraram que as pessoas com demência ou com o CCL apresentam também atividade física reduzida em comparação com seus pares com cognição normal (LAM et al., 2008; MUIR et al., 2012), o que pode acarretar um declínio na função física, incluindo prejuízos na força muscular, equilíbrio e marcha (HÄRLEIN et al.,2009; TERI et al., 1998). O estudo de Muir e colaboradores (2012), por exemplo, mostrou que adultos mais velhos com CCL apresentam diminuições significativas na velocidade da marcha e aumento no tempo e na variabilidade da passada ao mudar de uma tarefa única para uma dupla tarefa. Em relação à força muscular e ao equilíbrio, Ramos e colaboradores (2019), evidenciaram um aumento em uma única sessão de VCI, apontando que esta pode ser uma intervenção viável para promover melhoras físicas em indivíduos idosos. 1.5 Justificativa do estudo Ensaios clínicos (RAMOS et al., 2019) anteriores que investigaram o efeito da VCI nas funções executivas ou físicas de idosos apresentaram limitações metodológicas que podem influenciar nos resultados e interpretação desses dados. Revisões sistemáticas e metanálises anteriores (ROGAN et al., 2017), envolvendo o efeito da VCI na função física de idosos, por exemplo, reportaram baixa qualidade metodológica da maioria dos estudos primários, apresentando falta de alocação oculta, mascaramento e apresentam dados incompletos. Dessa forma, os dados precisam ser interpretados com cautela devido às limitações potenciais e novos estudos devem ser realizados. Nesse sentido, permanece uma lacuna sobre o efeito imediato da VCI sobre as funções executivas e físicas de pessoas muito idosas com CCL. Este estudo é relevante, uma vez que seus resultados ajudarão compreender se uma sessão de VCI seria viável para a população muito idosa e com CCL, bem como, se apenas uma sessão poderá ter efeitos positivos na função executiva e física por meio da estimulação sensorial na população alvo do estudo. Além disso, esse estudo se justifica, uma vez que com os resultados, poderão ser repensados os ensaios clínicos futuros envolvendo VCI e idosos com CCL. REFERÊNCIAS AVELAR, N. C. et al. Whole body vibration and post-activation potentiation: a study with repeated measures. Int J Sports Med, v. 35, n. 8, p. 651-657, 2014. BANHATO, E. F. C.; NASCIMENTO, E. D. Função executiva em idosos: um estudo utilizando subtestes da Escala WAIS-III. PsicoUSF, v. 12, p. 65-73, 2007. BLANKEVOORT, C. G. et al. 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Viabilidade do exercício de vibração de corpo inteiro e seu efeito imediato nas funções executivas e físicas em idosos com 80 anos ou mais com comprometimento cognitivo leve residentes na comunidade Ana Caroline Negreiros Pratesa, Luana Aparecida Soaresa, Arthur Nascimento Arrieirob, Jousielle Márcia Santosc, Alessandra Carvalho Bastonea,c, Pedro Henrique Scheidt Figueiredoa,c, Mario Bernardo-Filhod, Danúbia Cunha Sá-Caputod, Vanessa Amaral Mendonçaa, b,c, Redha Taiare, Ana Cristina Rodrigues Lacerdaa, b,c* a Programa de Pós-Graduação em Reabilitação e Desempenho Funcional, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Diamantina, Minas Gerais, Brasil b Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Diamantina, Minas Gerais, Brasil c Departamento de Fisioterapia, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Diamantina, Minas Gerais, Brasil d Laboratório de Vibrações Mecânicas e Práticas Integrativas-LAVIMPI, Departamento de Biofísica e Biometria, Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes, Policlínica Piquet Carneiro, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro 20950-003, Brazil e MATériaux et Ingénierie Mécanique (MATIM), Université de Reims Champagne- Ardenne, 51100 Reims, France *Autor correspondente: Ana Cristina R Lacerda Campus JK, Rodovia MGT – KM 583, número 5000, Alto da Jacuba, CEP 39100000 Diamantina, Minas Gerais, Brasil. E-mail: lacerdaacr@gmail.com Contatos Ana Caroline Negreiros Prates – Estudante de Mestrado, email anaprates11@hotmail.com Luana Aparecida Soares – Estudante de Mestrado, email luanasoaresrp@gmail.com Arthur Nascimento Arrieiro – Estudante de Doutorado, email arthurarrieiro@yahoo.com.br Jousielle Márcia Santos –Estudante de Doutorado, email jousielle@hotmail.com Alessandra Carvalho Bastone – Doutora, Professora, email ale.bastone@gmail.com Pedro Henrique Scheidt Figueiredo – Doutor, Professor, email phsfig@yahoo.com.br Mario Bernardo-Filho – Doutor, Professor, email bernardo@uerj.br Danúbia Cunha Sá-Caputo – Doutora, Professora, email dradanubia@gmail.com Vanessa Amaral Mendonça – Doutora, Professora, email vaafisio@hotmail.com Redha Taiar – Doutor, Professor, email redha.taiar@univ-reims.fr Ana Cristina Rodrigues Lacerda – Doutora, Professora, email lacerdaacr@gmail.com Viabilidade do exercício de vibração de corpo inteiro e seu efeito imediato nas funções executivas e físicas em idosos com 80 anos ou mais com comprometimento cognitivo leve residentes na comunidade Objetivos: Investigar a viabilidade do exercício de vibração de corpo inteiro (VCI) e seus efeitos imediatos nas funções executivas e físicas em adultos da comunidade de 80 anos ou mais com comprometimento cognitivo leve (CCL). Desenho do estudo: Ensaio clínico de grupo único, pré e pós-intervenção. Principais medidas de resultado: O protocolo consistiu em 5 séries de 1 minuto de agachamento isométrico (joelhos flexionados a 20º) em uma plataforma vibratória síncrona. O resultado primário da intervenção foi sua viabilidade, enquanto as funções executivas e físicas foram os resultados secundários. Resultados: foram identificados 320 potenciais voluntários. Destes, 63 foram selecionados; mas apenas 18 (12 mulheres e 6 homens; 84 ± 3 anos) eram elegíveis. Apenas um participante não completou o exercício e três pessoas apresentaram tontura durante a familiarização, demonstrando a segurança e viabilidade da intervenção. Nenhum outro evento adverso foi relatado. O tempo de preenchimento foi de 10 minutos. Dentre os resultados clínicos, o teste motor de dupla tarefa (p=0,05) e o Trail Making Test-parte A (p=0,004) demonstraram uma possível melhora nas funções físicas e executivas. Conclusão: Idosos residentes na comunidade com CCL podem se envolver em exercícios VCI. Palavras-chave: vibração de corpo inteiro; função executiva; função física; adultos mais velhos; disfunção cognitiva. 1. Introdução O comprometimento cognitivo leve (CCL) é uma condição de declínio cognitivo frequentemente associada ao envelhecimento, sem a perda de habilidades que são necessárias para a funcão social e profissional [1]. De acordo com as condições definidas, a prevalência do CCL varia significativamente (entre 0,1% e 42%) [2], com a maioria dos sistemas incluindo comprometimento da memória e a deterioração cognitiva como partes fundamentais para o diagnóstico. Pessoas idosas com CCL podem piorar gradualmente e ter uma deterioração cognitiva ao longo do tempo, bem como terem mudanças de comportamento e personalidade. Observa-se que a demência é diagnosticada em idosos com CCL quando a memória, o raciocínio, a linguagem e os prejuízos nas funções executivas interferem nas atividades diárias [3]. De acordo com algumas pesquisas, os pacientes com CCL têm uma chance de 10 a 15% de desenvolver demência [4]. Nesse contexto, um diagnóstico precoce e uma estratégia de terapia complementar podem ser capazes de evitar com que o CCL evolua para demência. Considerando que o declínio das funções executivas é um processo degenerativo e progressivo, há uma necessidade de tratamentos que possam reverter ou adiar isso [5]. Há evidencias de que a função física e cognitiva relacionada à idade pode ser aprimorada por meio de exercícios regulares [6], os quais também têm um bom efeito sobre o desempenho das atividades diárias [7]. No entanto, os indivíduos muito idosos, ou seja, aqueles com 80 anos ou mais e portadores de CCL, apresentam algumas restrições aos programas de exercícios tradicionais [8], incluindo limitações importantes relacionadas à complexidade das instruções e restrições à liberdade de movimento por causa de um excesso de preocupação dos familiares em evitar que sofram quedas. Portanto, para pacientes idosos, especialmente aqueles com CCL, o exercício de vibração de corpo inteiro (VCI) pode fornecer uma abordagem terapêutica complementar e alternativa [9]. Notavelmente, o exercício VCI pode ser um método de exercício de baixa intensidade e curta duração, seguro para idosos e eficaz para pacientes com CCL [10]. Através de uma melhor circulação cerebrovascular [10], ativação cerebral e órgãos sensoriais [9, 10], o exercício VCI parece ter um bom impacto no desempenho cognitivo. Em outras palavras, o exercício VCI pode estimular a neuroplasticidade, aumentar a reserva cognitiva e aumentar a densidade das conexões neurais, levando ao aumento da função cognitiva [11, 12]. Além disso, a VCI pode estimular impulsos sensoriais que, quando experimentados imediatamente, podem causar contrações musculares e outras consequências sistêmicas devido à interferência entre o cérebro e os músculos [12]. Limitações metodológicas em ensaios clínicos anteriores [8,9,13,14] que investigaram a eficácia do exercício VCI nas funções executivas ou físicas em idosos podem ter influenciado os achados e a interpretação desses dados. Por exemplo, revisões sistemáticas anteriores e metanálises [15] avaliando o impacto da VCI na função física de idosos revelaram que a maioria dos estudos primários carecia de alocação oculta, cegamento e imprecisão, e tinham baixa qualidade metodológica. Como resultado, devido a possíveis limitações, os dados devem ser avaliados cuidadosamente e pesquisas adicionais devem ser realizadas. Portanto, o objetivo deste estudo foi investigar a viabilidade do exercício VCI em idosos muito idosos com CCL e avaliar o efeito imediato do estímulo vibratório sobre aspectos das funções executivas e físicas. 2. Materiais e Métodos 2.1 Desenho do Estudo Trata-se de um ensaio clínico de grupo único, pré e pós-intervenção. Este estudo foi conduzido de acordo com as listas de verificação para ensaios piloto randomizados e de viabilidade CONSORT [16] e os princípios éticos para pesquisa envolvendo seres humanos (princípios da Declaração de Helsinque) [17]. Além disso, recebeu aprovação do Comitê de Ética da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (nº 5.587.874) e do Registro de Ensaios Clínicos (ReBEC) (RBR-9sbdbg7). Todos os sujeitos leram e assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido antes de participar do estudo. 2.2 Participantes e critérios de elegibilidade Os participantes foram recrutados por meio de convites verbais, folhetos, visitas às Estratégias de Saúde da Família, Centro Especializado em Reabilitação, consultórios médicos ou por meio de comunicação (internet, rádio). Os participantes foram selecionados com base nos critérios de inclusão do estudo: idade igual ou superior a 80 anos; apresentar quadro clínico de CCL, segundo o Montreal Cognitive Assessment (MoCA), considerando como ponto de corte valores ≤ 26 [18]; ser considerado insuficientemente ativo (<150 minutos de atividade física por uma semana) com base no resultado do Active Australia Questionnaire (AAQ) [19] e relatar qualquer medicamento em uso. Foram excluídos os participantes com epilepsia, cálculos biliares, cálculos renais, acidente vascular cerebral/apoplexia, doenças cardíacas e metabólicas descompensadas, portadores de implante, bypass ou stent, portadores de deficiência auditiva e/ou deficiência visual grave, analfabetos e indivíduos com problemas de locomoção que poderiam interferir na execução dos testes de função física. Por se tratar de um estudo de viabilidade, o cálculo amostral não foi necessário, pois um dos objetivos é estimar a taxa de recrutamento e sintetizar dados que determinem o tamanho amostral de um estudo conclusivo. 2.3 Intervenção Todos os participantes receberam a intervenção realizada simultaneamente no mesmo horário todos os dias. O protocolo de treinamento foi adaptado de estudos anteriores que utilizaram a VCI na população idosa ou em grupos com condições crônicas com dificuldades e/ou limitações na prática de atividade física [20-21]. O protocolo de treinamento consistiu em cinco séries de 1 minuto de agachamento estático (flexão isométrica do joelho a 20 graus), em uma plataforma vibratória síncrona (FitVibe® Excel Pro, GymnaUniphy, Bélgica). O ângulo de flexão do joelho foi medido com um goniômetro portátil (Baseline Plastic 360 Degree Isom [Stfr], Winterville, GA) antes de cada sessão de teste. Entre as séries, os sujeitos foram instruídos a descansar por 40 segundos, em posição ortostática, na plataforma vibratória desligada. Para minimizar a catástrofe ressonante, os participantes foram instruídos a permanecer com os pés na plataforma e a coluna, braços e cabeça na posição instruída (simulando o movimento de sentar em uma cadeira) [22]. Para garantir que os membros inferiores recebessem a mesma quantidade de estímulo vibratório, foi estabelecida uma distância pré-determinada entre os pés, 14 cm à direita e 14 cm à esquerda do centro vibratório da plataforma [23]. Os parâmetros de estimulação mecânica de vibração consistiram em uma frequência de 35 Hz, uma amplitude de 2 mm e uma aceleração da gravidade de 3,26 g. Um fisioterapeuta mediu a pressão arterial, frequência cardíaca, saturação e esforço percebido antes, durante e após a sessão de intervenção. 2.4 Medidas de resultado 2.4.1 Resultado primário: Viabilidade A viabilidade do estudo envolveu a análise de recrutamento, intervenção, aceitabilidade, segurança, medição e tempo. A viabilidade do recrutamento foi determinada pelo cálculo da proporção de participantes elegíveis e consentidos da população idosa com CCL cadastrada em centros de saúde da comunidade local. Isso foi determinado por meio de registros: o número de idosos com CCL em centros de saúde comunitários locais selecionados para elegibilidade; o número de elegíveis; e o número de assinantes. A viabilidade da intervenção foi determinada examinando a adesão do participante à intervenção (suporte para posicionamento para receber estimulação vibratória de corpo inteiro, feedback e progressão ao longo da sessão), bem como o tempo médio gasto durante a sessão. A aceitabilidade do participante com a intervenção foi medida por meio de uma pesquisa após a fase de intervenção. Os participantes classificaram quatro afirmações sobre a intervenção em uma escala de aceitabilidade de cinco pontos, de discordo totalmente a concordo totalmente. A segurança foi medida registrando eventos como fadiga, dor muscular, quedas sem lesões, quedas com lesões e morte. A viabilidade do protocolo de medição foi determinada medindo os resultados clínicos em todos os participantes. 2.4.2 Resultados secundários: Funções executivas e funções físicas. A avaliação das funções executivas e físicas ocorreu antes (linha de base) e imediatamente após a intervenção. Todas as medidas foram administradas por um avaliador previamente treinado e foram realizadas simultaneamente para minimizar as influências circadianas. 2.4.2.1 Funções Executivas Foram mensuradas usando três tarefas experimentais, ou seja, Stroop Color and Word Test (SCWT), Trail Making Test (TMT) e fluência verbal (VF). SCWT: avalia a capacidade de inibir a função executiva. Os participantes foram solicitados a nomear a cor da tinta em vez de indicar a palavra/caractere o mais rápido possível em um tempo limitado. O número de respostas corretas em 45 segundos (número SCWT) representa os resultados [24]. TMT: Reflete componentes da função executiva, como atenção visual e troca de tarefas. O teste foi aplicado conforme proposto por Wang et al. (2018) [25]. VF: Fornece informações sobre a capacidade de armazenamento do sistema de memória semântica. O teste envolve gerar o maior número possível de palavras que começam com as letras F, A ou S, bem como o maior número de palavras de nomes de animais em um tempo fixo [25]. 2.4.2.2 Funções Físicas A avaliação das funções físicas incluiu a medição do desempenho funcional, força muscular global e mobilidade por meio da aplicação de três medidas funcionais: Short Physical Performance Battery (SPPB), força de preensão manual (FPM) e dupla tarefa. SPPB: O instrumento consiste em 3 testes. Para cada teste, o desempenho obtido é pontuado de 0 (pior desempenho) a 4 (melhor desempenho) e é calculada a pontuação final, que pode ser de no máximo 12 pontos [26]. FPM: Avaliada no dinamômetro Jamar®, medida em kg, por meio de uma contração isométrica aplicada em seus cabos, segundo a American Society of Hand Therapists (2002) [27]. Testes de dupla tarefa: Adaptados do estudo de Liao et al. (2019) [28], os participantes foram convidados a caminhar dez metros em três condições. O parâmetro espaço-temporal registrado em cada tentativa incluiu a velocidade (m/s) e os dados foram calculados a partir da média das três tentativas. 2.5 Procedimento Experimental Após o recrutamento, os questionários de dados sociodemográficos e clínicos de saúde; avaliação do estado cognitivo pelo MoCA e avaliação do nível de atividade física pelo AAQ foram aplicados aos participantes. Posteriormente, os voluntários elegíveis foram submetidos a avaliações para análise de medidas antropométricas e composição corporal por meio da Absorciometria de Raios-X de Dupla Energia (DEXA). No primeiro dia, os voluntários realizaram a avaliação das funções executivas e físicas (basal) por meio da aplicação de medidas específicas: TMT, SCWT, VF, SPPB, FPM e testes de dupla tarefa. No segundo dia, familiarização com a plataforma vibratória, adotando o posicionamento que foi realizado durante a sessão experimental, para evitar interferências devido à ansiedade gerada pela realização de um exercício diferente dos convencionais. Também foram orientados a usar roupas leves e confortáveis, calçados antiderrapantes, evitar cafeína e bebidas alcoólicas nas 24 horas anteriores aos testes, fazer uma refeição leve e beber 500 mL de água pelo menos duas horas antes dos testes. No terceiro dia, após 48 horas de familiarização, foi realizado o primeiro dia do protocolo experimental. Os testes de função executiva (TMT, SCWT e VF) foram aplicados imediatamente após o protocolo de exercício VCI seguido da escala para avaliar a aceitabilidade do exercício. No quarto dia, 48 horas depois, ocorreu o segundo dia do protocolo VCI, onde novamente, imediatamente após o protocolo, foram aplicados testes de função física (SPPB, FPM e testes de dupla tarefa), bem como a escala para avaliar a aceitabilidade. 2.6 Análise Estatística Os coeficientes de correlação intraclasse (ICC) avaliaram a confiabilidade teste-reteste das medidas Executiva (TMT, SCWT e VF) e Física (SPPB, FPM e dupla tarefa). Os critérios de viabilidade foram analisados qualitativamente e os dados dos testes de função executiva e física foram analisados com o Statistical Package for the Social Sciences, versão 22.0 (SPSS Statistics; IBM, Armonk, NY). A distribuição dos dados foi verificada por meio do teste de Shapiro-Wilk. As análises descritivas foram relatadas como média e desvio padrão ou mediana e intervalo interquartílico (variáveis contínuas) e número absoluto e percentual (variáveis categóricas). O teste t para amostras pareadas (distribuição normal) e o teste de Wilcoxon (distribuição não normal) foram utilizados para comparar os resultados pré e pós-intervenção com nível de significância de 5%. 3. Resultados Para cada teste, a confiabilidade teste-reteste do ICC foi superior a 0,9. 3.1 Viabilidade da intervenção 3.1.1 Recrutamento Um total de 320 pacientes com 80 anos ou mais foram selecionados para elegibilidade para o estudo entre setembro de 2022 e dezembro de 2022 (Figura 1). Dos 320 triados, 257 foram excluídos pelos seguintes motivos: endereço não encontrado ou telefone desconhecido (n=135), recusa em participar (n=89), óbitos (n=25) e outros (n=8). [Figura_1_aqui] Dos participantes avaliados para elegibilidade, 41 (12,81%) foram excluídos por apresentarem alguma contraindicação à plataforma vibratória, sendo a presença de cálculos renais e/ou biliares e marca-passo ou stent os principais motivos de exclusão. Vinte e dois (6,87%) pacientes foram alocados para a intervenção, mas quatro deles se recusaram a continuar na etapa de familiarização com a plataforma vibratória. No total, foram avaliados dezoito (5,63%) participantes. As características dos participantes são apresentadas na tabela 1. Dezoito participantes com idade média de 84,39 (DP 3,43) anos participaram do estudo e 66,7% (n=12) da amostra era representada pelo sexo feminino. O fluxograma do estudo é mostrado na Figura 1. [Tabela_1_aqui] 3.1.2 Intervenção Todos os participantes completaram o protocolo experimental e os fisioterapeutas não tiveram dificuldade na execução do programa. A Tabela 2 apresenta os resultados obtidos com a aplicação da escala de aceitabilidade da intervenção. Quando questionados sobre a compreensão do exercício, aproximadamente 94% concordaram que era fácil de entender. A maioria, 61,7 e 88,9% concordaram que o exercício poderia ter promovido uma melhora nos testes de função executiva e física. Em relação à execução do exercício, 72,8% discordaram da afirmação de que seria difícil e 100% concordaram que recomendariam a VCI a um amigo/colega. [Tabela_2__aqui] Todos os idosos apoiaram a manutenção do agachamento estático e concordaram que o posicionamento utilizado durante a intervenção foi suficiente. Nenhuma reclamação ou problema foi relatado. O exercício VCI levou 10 minutos para ser concluído. A metodologia experimental mostrou-se segura e não ocorreram eventos adversos significativos, como quedas ou fatalidades. Apenas uma pessoa achou o exercício insuportável e três idosos apresentaram leve tontura no dia da familiarização com a plataforma. No entanto, o desconforto desapareceu após um breve período de repouso. Nenhum outro evento adverso do participante foi relatado. 3.1.3 Medição Os instrumentos utilizados para rastrear e avaliar a função executiva e física mostraram- se adequados para medir os resultados clínicos em todos os participantes. Alguns participantes relataram dificuldade em responder o AAQ, pois tiveram dificuldade em lembrar o tempo gasto em atividades realizadas na semana anterior, precisando, por vezes, recorrer ao familiar. 3.1.4 Resultados Clínicos A Tabela 3 apresenta os resultados clínicos dos 18 pacientes que finalizaram a pesquisa. [Tabela_3__aqui] Com relação aos testes de funções executivas e físicas, apenas o Trail Making Test - parte A (p = 0,05) e a dupla tarefa motora (p < 0,001) apresentaram resultados significativos, sugerindo melhora, ao comparar a diferença entre os valores obtidos pré e pós-intervenção. 4. Discussão Este estudo demonstrou que o exercício VCI parece ser viável em indivíduos com 80 anos ou mais com CCL. Dentre os resultados clínicos, o teste de dupla tarefa motora (p=0,05) e o Trail Making Test-parte A (p=0,004) demonstraram uma possível melhora nas funções físicas e executivas. Dos voluntários contatados e escolhidos para elegibilidade da pesquisa, apenas 18 (5,63%) foram avaliados. Muitos indivíduos foram excluídos por serem inelegíveis para VCI por diferentes razões, sendo o comprometimento cardíaco e os cálculos renais e biliares os mais frequentes entre os idosos [29]. Cada participante seguiu o protocolo do estudo com precisão e não teve dificuldade em fazê-lo. Além disso, o local da intervenção mostrou-se adequado, e todos os idosos apoiaram a manutenção do agachamento estático sem problemas ou interrupções. Esses resultados são consistentes com populações de estudo mais antigas, onde o mesmo exercício foi usado e considerado benéfico [9, 13]. O procedimento experimental provou ser seguro. Nenhum outro evento adverso foi observado, embora um participante não tenha tolerado o exercício e três idosos tenham apresentado tontura leve no dia da familiarização. Já se previa que a exposição à vibração de corpo inteiro poderia ter certos efeitos colaterais típicos, incluindo tontura, náusea, fadiga e prurido. Os parâmetros de vibração de corpo inteiro usados, no entanto, já foram discutidos em outros estudos [20,21] e também são consistentes com a sugestão de estudos anteriores de que vibrações seguras ocorrem na faixa de 30 a 50 Hz e 2,25 a 7,98 g [30] . Além disso, a posição de agachamento/flexão do joelho reduziu significativamente a transmissibilidade da estimulação vibratória para o cérebro. O tempo necessário para completar a intervenção foi de 10 minutos. Se comparada ao tempo médio gasto em uma sessão de fisioterapia com exercícios convencionais, geralmente em torno de 30 a 60 minutos por dia, a duração da VCI representa uma pequena fração de tempo e se destaca como uma alternativa de exercício de curta duração [20]. Além disso, o tempo também está abaixo de 15 minutos, considerado o limite seguro para a exposição diária [14, 30] e a intervenção tem uma vantagem distinta sobre os programas de exercícios tradicionais, pois apresenta simplicidade de instruções e movimentos, tornando-a adequada para pessoas com 80 anos e mais com déficits cognitivos. Para mensurar os resultados, foram utilizados instrumentos de avaliação das funções executivas e físicas. Ambos provaram ser adequados para medir os resultados clínicos. Juntos, também foram aplicados instrumentos de triagem, onde o AAQ mostrou a dificuldade dos participantes em lembrar o tempo gasto em atividades realizadas na semana anterior. Essa dificuldade pode ser explicada uma vez que a população estudada é composta por idosos com comprometimento cognitivo leve, portanto, uma das funções que podem ser prejudicadas, decorrentes tanto do processo natural do envelhecimento quanto do estado cognitivo, é a memória e poderia a capacidade de recordar informações recentes [2, 3]. Entre os resultados clínicos, apenas dois testes mostraram melhora significativa nas funções físicas e executivas, ou seja, a tarefa dupla motora e o Trail Making Test - parte A. Os resultados sugerem que a VCI é uma intervenção que pode promover uma melhor função cerebral, bem como desempenho físico [9, 11, 12], embora os efeitos sutis sugiram que este protocolo ainda está abaixo do ideal. A principal limitação encontrada neste estudo foi a recusa dos voluntários em participar do estudo devido ao período das avaliações (pandemia de COVID-19), uma vez que a população-alvo era um grupo de risco, o que pode subestimar a adesão. O presente estudo avaliou apenas o efeito imediato da intervenção, portanto, a investigação de sessões consecutivas acumuladas também se torna objetivo de investigação em estudos futuros. 5. Conclusão Pessoas muito idosas com comprometimento cognitivo podem se exercitar com segurança e eficácia usando VCI. A avaliação dos critérios de viabilidade demonstra que a intervenção foi breve, segura, simples de realizar e compreender e apreciada pelos participantes. Declarações Agradecimentos Gostaríamos de agradecer à Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri pelo apoio institucional, CNPq, CAPES e FAPEMIG pelo apoio e bolsas. Declaração de envio e verificação Este trabalho é original e não foi publicado em outro lugar, nem está sendo considerado para publicação em outro lugar. Declaração de interesses Não aplicável Financiamento Esta pesquisa não recebeu nenhum subsídio específico de agências de financiamento nos setores público, comercial ou sem fins lucrativos. Ética O protocolo do projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Federal do Vale do Jequitinhonha e Mucuri (Minas Gerais/ Brasil) (nº 5.587.874) e está de acordo com o disposto na Declaração de Helsinki. Todas as investigações em seres humanos incluiram uma declaração de que o sujeito deu consentimento informado e o anonimato do paciente deve ser preservado. Author Contributions A.C.N.P.; L.A.S.; A.N.A.: Análise formal, curadoria de dados, metodologia, redação – revisão e edição – rascunho original. J.M.S.; A.C.B. ; P.H.S.F. M.B.F.; D.C.S.C.; V.A.M.; R.T.; A.C.R.L.: Redação – Revisão e Edição – Rascunho Original. Todos os autores viram e aprovaram a versão final e nenhuma outra pessoa fez uma contribuição substancial para o artigo. Referencias 1. Salthouse TA. Memory aging from 18 to 80. Alzheimer Dis Assoc Disord. Jul-Sep 2003;17(3):162-7. doi:10.1097/00002093-200307000-00008 2. Stephan BC, Matthews FE, McKeith IG, Bond J, Brayne C. 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Avaliados elegibilidade (n=63) Excluídos (n= 41 )  Critérios de exclusão (n= 41 ) -Cálculos renais e/ou biliares (n = 12) -Marcapasso ou stent (n = 9) -Deficiencia visual ou auditiva(n = 5) -Analfabetismo (n = 5) -Problemas de locomoção (n= 5) -Problemas cardíacos (n = 3) -Próteses (n = 2) Avaliados (n=18) Reavaliados (n=18) Alocados para intervenção (n=22)  Receberam a intervenção (n= 18)  Não receberam a intervenção Recuraram-se a participar (n= 4) Alocados Analisados Reavaliados Inscritos Rastreados para avaliação da elegibilidade (n=320) Rastreados Tabela 1. Características basais da amostra (n=18) Variáveis Valores Idade (anos) 84,39 ± 3,43 Sexo feminino, n (%) 12 (66,7) Altura (m) 1,56 ± 0,09 Peso (kg) 67,15 ± 12,34 IMC (kg/m2) 27,44 ± 4,96 AAQ (minutos) 105 ± 57,06 MoCA (escore) 15,89 ± 5,04 ALM (kg) 17,27 ± 3,36 DMO (g/cm2) 1,03 ± 0,12 Dados apresentados por n(%), média ± desvio padrão. IMC: índice de massa corporal; AAQ: active australia questionnaire; MoCA: montreal cognitive assessment; ALM: appendicular lean mass; DMO: densidade mineral óssea. Tabela 2. Aceitabilidade do participante com a intervenção. Afirmações Concordo Completamente Concordo Nem concordo Nem discordo Discordo Discordo Completamente Fácil compreensão 10 (55,6) 7 (38,9) 1 (5,6) - - Melhora das funções executivas 7 (38,9) 4 (22,2) 3 (16,7) 3 (16,7 1 (5,6) Melhora das funções físicas 12 (66,7) 4 (22,2) 1 (5,6) 1 (5,6) - Exercício desafiador - 3 (16,7) 2 (11,1) 5 (27,8) 8 (44,4) Recomendaria para colegas 6 (33,3) 12 (66,7) - - - Dados apresentados por n(%). Tabela 3. Efeito imediato da vibração de corpo inteiro nas funções executivas e físicas. Testes Pré-intervenção Pós-intervenção p-value Funções Executivas TMT-A (segundos) 126.50 (34 – 300) 110.50 (28 – 268) 0.05* TMT-B (segundos) 300 (81 – 300) 300 (75 – 300) 0.77 SCWT (escore) 18.64 (-20.74 – 24.00) 20.25 (-22.74 – 26.68) 0.44 Fluência Verbal Fonológica(escore) 23.55 ± 8.69 24.94 ± 8.48 0.51 Fluência Verbal Semântica (escore) 10 (5 – 41) 10 (4 – 17) 0.93 Funções Físicas FPM (kg) 26.66 (21 – 45) 26.83 (22.30 – 46.66) 0.93 SPPB (score) 9.66 ± 1.87 9.55 ± 1.78 0.60 Dupla tarefa cognitiva (escore) -21.91 (-69.18 – 0.71) -13.76 (-57.07 – -2.89) 0.30 Dupla tarefa motora (escore) -11.26 ± 9.24 -7.09 ± 6.83 0.00* Dados apresentados como média ± desvio padrão ou mediana (mínimo-máximo).TMT-A: Trail Making Test-Part A; TMT-B: Trail Making Test-Part B; SCWT: Stroop Color and Word Test; FPM: Força de preensão Manual; SPPB: Short Physical Performance Battery. *p≤0.05.  Anexo A: Normas da Revista Maturitas