UNIVERSIDADE FEDERAL DOS VALES DO JEQUITINHONHA E MUCURI Programa de Pós-Graduação em Ciência Florestal Marco Aurélio Cardoso Murta COMPARAÇÃO DO ESTRATO REGENERANTE ENTRE BORDAS E INTERIOR DE UMA FLORESTA ESTACIONAL SEMIDECIDUAL EM CAPELINHA – MG Diamantina 2016 Marco Aurélio Cardoso Murta COMPARAÇÃO DO ESTRATO REGENERANTE ENTRE BORDAS E INTERIOR DE UMA FLORESTA ESTACIONAL SEMIDECIDUAL EM CAPELINHA – MG Dissertação apresentada ao Programa de Pós- Graduação em Ciência Florestal da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri como requisito parcial para a obtenção do título de mestre. Área de concentração: Conservação e restauração de ecossistemas. Orientadora: Drª Anne Priscila Dias Gonzaga Diamantina 2016 COMPARAÇÃO DO ESTRATO REGENERANTE ENTRE BORDAS E INTERIOR DE UMA FLORESTA ESTACIONAL SEMIDECIDUAL EM CAPELINHA – MG Marco Aurélio Cardoso Murta Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciência Florestal, nível de Mestrado, como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre. APROVADO EM 23 / 03 / 2016 Prof. Jair Eustáquio Quintino de Faria Júnior – UFVJM Prof. Evandro Luiz Mendonça Machado – UFVJM Prof. Anne Priscila Dias Gonzaga – UFVJM Presidente DIAMANTINA 2016 AGRADECIMENTOS A Deus pelo dom da vida e pelas bênçãos recebidas, obrigado pela oportunidade Senhor e por tudo que tem feito por mim e minha família. A professora Anne Priscila pela orientação e confiança depositada, profissional e pessoa admirável, que acrescentou muito para o meu desenvolvimento profissional e pessoal, uma grande amiga. Agradeço a paciência e todos os ensinamentos compartilhados. Ao Programa de Pós-Graduação em Ciência Florestal, em especial aos excelentes professores, que muito acrescentaram aos meus conhecimentos. A Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri pela infraestrutura e a todos os funcionários do departamento de Engenharia Florestal. A CEMIG pelo recurso financeiro concedido para a realização desta pesquisa e a CAPES pela concessão da bolsa de estudos. Ao coordenador do projeto professor Israel Pereira pelo apoio incondicional. Ao professor Evandro Machado por todas as ajudas na realização deste trabalho, especialmente nas identificações botânicas. Aos membros da banca examinadora por aceitarem o convite e por todas as contribuições e considerações a esse trabalho. Aos amigos Elisa e Arthur pelo companheirismo e disponibilidade em todos os momentos necessários para a realização deste trabalho. Especialmente também àqueles que muito ajudaram nas etapas de campo, Sr. Pedro, Danilo, Gabriela, Thayane, Natielle e Rodrigo. Meus agradecimentos a todos do herbário, nas pessoas de Thiago e André, além dos demais, que muito contribuíram na etapa de identificação botânica. Agradeço aos amigos Gleica e Thiago Rodrigues companheiros que muito me ajudaram desde o início e a todos que me acolheram na chegada a esta maravilhosa cidade. A todas as grandes amizades que fiz aqui, me limito a citar nomes, mas cada qual sabe o seu valor e consideração que tenho a cada um. Aos colegas de curso, do laboratório (CERAD) e do grupo de estudos (NERAD) por todos os momentos de troca e construção do conhecimento. A minha família, minha base e meu maior incentivo, e a todas as pessoas que amo, obrigado por estarem sempre presentes. Agradeço todos os momentos de apoio, compreensão, motivação e amor incondicional demonstrado. Por fim, a todos que de alguma forma contribuíram para a concretização desta conquista, vocês foram essenciais durante esta etapa inesquecível de minha vida. RESUMO A Mata Atlântica é considerada um dos biomas mais importantes do mundo, um hotspot para conservação, sendo as ações antrópicas as principais fontes de distúrbios que alteram este ambiente. A regeneração natural é um processo muito importante que atua diretamente sobre a recuperação e funções do ecossistema. Este estudo teve como objetivo descrever e comparar a composição florística-estrutural da regeneração natural em uma Floresta Estacional Semidecidual localizada na RPPN Fazenda Fartura em Capelinha-MG. Para tal, foram amostrados um trecho no interior do fragmento (INT) e dois trechos de bordas, sendo uma em contato com pastagem (BP) e outra com cafeicultura (BC). Para analisar a diversidade alfa (α) foi utilizado o Índice de Shannon (H’) e equabilidade de Pielou (J´) e beta (β) pela similaridade florística entre os trechos foi averiguada por meio de diagramas de Venn e dos índices de Jaccard e Czekanowski. Foi elaborada uma curva espécie-área para estimar a dimensão da riqueza florística de cada trecho e calculados seus estimadores ‘jackknife’. Para verificar possíveis preferências das espécies ao longo dos trechos foi realizada uma Análise de Espécies Indicadoras (ISA). Para analisar a estrutura da vegetação foram calculados os parâmetros fitossociológicos clássicos, além das distribuições de diâmetro e altura. As variáveis estruturais foram comparadas por meio do teste de Kruskal-Wallis e a posteriori um teste de Dunn. Na amostragem total foram registrados 1.561 indivíduos (230 no INT, 588 na BP e 743 na BC), identificados em 42 famílias botânicas, 87 gêneros e 162 espécies (78 no INT, 87 na BP e 89 na BC). As famílias com maior riqueza foram Myrtaceae, Fabaceae, Lauraceae, Rubiaceae, Melastomataceae e Annonaceae. Os resultados demonstraram que os trechos tem altíssima diversidade, muito acima do padrão normalmente encontrado na literatura, com uma baixa similaridade florística. De maneira geral, a estrutura da vegetação foi caracterizada por um maior número de indivíduos finos e pequenos. Os trechos apresentam ambientes distintos, cada um com diferentes históricos de uso, variabilidade ambiental e tipos de distúrbios, estes fatores possivelmente, foram os principais condicionantes que influenciaram os padrões florísticos-estruturais da regeneração natural na comunidade amostrada. As informações deste estudo evidenciaram a grande importância da RPPN Fazenda Fartura para a conservação da Mata Atlântica, assim como, da necessidade de que mais estudos sejam realizados em escala espaço-temporal. Palavras-chave: florística, estrutura, regeneração natural, Mata Atlântica. ABSTRACT The Atlantic Forest is considered one of the most important biomes of the world, a hotspot for conservation, and human actions are the main sources of disturbances that change this environment. Natural regeneration is a very important process that acts directly on the recovery and ecosystem functions. This study aimed to describe and compare the floristic- structural composition of natural regeneration in a Semideciduous Forest located in the RPPN Fazenda Fartura in Capelinha-MG. For this, we sampled a stretch inside the fragment (INT) and two sections of edges, one in contact with pasture (BP) and the other with coffee (BC). To analyze the diversity alpha (α), we used Shannon Index (H') and evenness of Pielou (J') and beta (β) through floristic similarity between sections was determined through Venn diagrams and indices of Jaccard and Czekanowski. We developed the species-area curve to estimate the size of the floristic richness of each sections and its estimators calculated ‘jackknife’. To check for possible preferences of the species along the sections we performed Indicator Species Analysis (ISA). To analyze the structure of the vegetation, we calculated the classical phytosociological parameters, besides diameter and height distribution. We compared the structural variables through Kruskal-Wallis test and retrospectively a Dunn test. In the total sampling, we registered 1,561 individuals (230 in INT, 588 in BP and 743 in BC), identified in 42 botanical families, 87 genera and 162 species (78 in INT, 87 in BP and 89 in BC). Families with greater richness were Myrtaceae, Fabaceae, Lauraceae, Rubiaceae, Melastomataceae and Annonaceae. The results showed that the sections have high diversity, well above the standard normally found in the literature, with a low floristic similarity. In general, the vegetation structure was characterized by a higher number of thin and small individuals. The sections have different environments, each with different historical use, environmental variability and types of disturbances, these factors possibly were the main constraints that influenced the floristic-structural patterns of natural regeneration in the sampled community. The information from this study showed the importance of RPPN Fazenda Fartura for the conservation of the Atlantic Forest, as well as the need for more studies to be performed in a spatiotemporal scale. Keywords: floristic, structure, natural regeneration, Atlantic Forest. SUMÁRIO 1. Introdução ............................................................................................................... 11 2. Material e métodos ................................................................................................. 13 2.1. Área de estudo ................................................................................................... 13 2.2. Sistema de amostragem ..................................................................................... 15 2.3. Coleta dos dados................................................................................................ 17 2.4. Análises dos dados ............................................................................................ 17 3. Resultados ............................................................................................................... 19 4. Discussão ................................................................................................................. 40 5. Considerações Finais .............................................................................................. 45 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................... 46 11 1. Introdução A Mata Atlântica é considerada um dos biomas mais importantes do mundo, um hotspot para conservação, por apresentar alta diversidade biológica, flora e fauna endêmica, além de ser caracterizada por um alto grau de ameaça dos seus ecossistemas, devido às ações antrópicas que causam processos de degradação e perda da cobertura florestal (MYERS et al., 2000; GALINDO-LEAL & CÂMARA, 2005). Minas Gerais ganha destaque no contexto do desmatamento das florestas nativas em fragmentos florestais da Mata Atlântica, com cerca de 8.437 hectares de áreas destruídas (FUNDAÇÃO SOS MATA ATLÂNTICA & INPE, 2014). Apesar disso, este estado apresenta na atualidade uma redução de 22% na sua taxa de desmatamento, esta diminuição é resultado de políticas públicas, voltadas para a conservação e preservação da vegetação nativa deste bioma no estado, (FUNDAÇÃO SOS MATA ATLÂNTICA & INPE, 2014). Nas regiões sul e sudeste do estado, os fragmentos florestais ainda bem preservados e legalmente protegidos, com dimensões significativas, estão restritos a unidades de conservação (CAMARGOS, 2001; FEIO & CARAMASCHI, 2002). No Vale do Jequitinhonha a maior parte da vegetação nativa deste bioma composta pela fitofisionomia de Florestas Estacionais Semideciduais, já foram antropizadas, principalmente devido à retirada de madeira, monocultivos de pastagens, queimadas, reflorestamentos e agricultura (FERREIRA, 2007). A fragmentação é uma das principais consequências das perturbações humanas que alteram a dinâmica dos ecossistemas (REIS & CONCEIÇÃO, 2010). A ampliação das áreas de pastagens e agricultura, nas três últimas décadas, tem provocado uma significativa diminuição da cobertura vegetal na região neotropical (KLINK & MOREIRA, 2002; CAVALCANTI & JOLY, 2002, MACHADO et al., 2004). A diminuição das áreas de fragmentos florestais ocasiona a formação de bordas, que são uma região de contato entre a área ocupada (matriz antrópica) e o fragmento de vegetação natural (LIMA-RIBEIRO, 2008). Segundo este mesmo autor, este fato promove alterações nos atributos físico-químicos e biológicos do ecossistema. Diversos tipos de distúrbios naturais ou antrópicos podem alterar a dinâmica da vegetação florestal e desencadear os processos de sucessão, afetando o funcionamento do ecossistema, a composição e estrutura florestal, a ciclagem de nutrientes, o banco de sementes no solo e a rebrota de espécies arbustivo-arbóreas (MARTINS, et al., 2002). 12 O potencial de uma área regenerar após um distúrbio é um fator crucial para restauração florestal (VENTUROLI et. al., 2011). A regeneração natural constitui um processo ecológico muito importante que atua diretamente sobre as funções do ecossistema, conhecimentos sobre a sua dinâmica podem auxiliar em planos de manejo, na conservação e manutenção da diversidade (OLIVEIRA & FELFILI, 2005; MEDINA & FERNANDES, 2007). Segundo Felfili (1997), o estrato regenerativo das arvoretas é composto por indivíduos com altura igual ou superior a um metro, que representam o potencial da comunidade arbórea, por já terem ultrapassado a forte ação seletiva do ambiente, competição e o período mais crítico de mortalidade, o pós-germinativo. No sentido dinâmico é o processo de renovação da cobertura florestal, já no sentido estático, representa os indivíduos na fase jovem de uma espécie ou de um grupo, que são o verdadeiro potencial regenerativo da estrutura arbórea (FELFILI et al., 2000; SALLES e SCHIAVINI, 2007). Estudos sobre a composição florística e a ecologia das comunidades vegetais se tornam essenciais para subsidiar iniciativas de preservação e conservação de fragmentos florestais (OLIVEIRA-FILHO et al., 1994). Assim como, para orientar na tomada de decisão em relação às técnicas de manejo a serem adotadas, com base no entendimento do processo da dinâmica sucessional no ecossistema (BRAGA et al., 2011). Este trabalho teve como objetivo estudar a composição florística e estrutural da regeneração natural no interior e nas bordas em contato com diferentes vizinhanças em um fragmento de floresta estacional semidecidual, no município de Capelinha – MG. Especificamente espera-se descrever e comparar a composição florística da vegetação arbustivo-arbórea regenerante e caracterizar a estrutura horizontal e vertical deste estrato. Este trabalho parte da hipótese de que existem diferenças na composição florística- estrutural da regeneração natural entre os trechos do interior com as bordas, e entre as bordas. 13 2. Material e métodos 2.1. Área de estudo Os estudos foram desenvolvidos na Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN Fazenda Fartura, município de Capelinha – MG, que possui uma área de 1.477,86 hectares (Figura 1). Esta unidade de conservação é administrada pela Companhia Energética de Minas Gerais – CEMIG e está situada ao sul do município (IEF, 2009; BIOPRESERVAÇÃO, 2009; DOEMG, 2010). A RPPN Fazenda Fartura foi criada no cumprimento de exigências no processo de Licenciamento Ambiental da Usina Hidrelétrica de Irapé. A RPPN Fazenda Fartura está em contato com paisagens modificadas e fragmentadas pelas atividades antrópicas de pastoreio, queimadas e monocultivos de café e eucalipto. Para este estudo foram selecionados três trechos da reserva, o interior do fragmento (INT), uma borda em contato com pastagem (BP) e outra borda em contato com cafeicultura (BP), (Figura 1). Os biomas predominantes na região de Capelinha são o Cerrado e a Mata Atlântica (IBGE, 2010), na RPPN Fazenda Fartura predomina a fitofisionomia de Floresta Estacional Semidecidual. O clima da região é classificado como temperado úmido com inverno seco e verão quente (CWa), pela classificação de Köppen (SÁ JÚNIOR, 2009; MOUTINHO, 2013). Os solos da região de Capelinha são classificados por Moutinho (2013) como Latossolo Vermelho distrófico e Latossolo Vermelho-Amarelo distrófico, com topografia plana (chapadas). Além disso, segundo APERAM Bioenergia (2013), a paisagem da região é classificada como chapadões baixos e colinas com relevo ondulado suave a ondulado forte. Ainda de acordo com esta publicação os principais tipos de solos são: Latossolo Vermelho (LV); Latossolo Vermelho-Amarelo (LVA); Argissolo Vermelho (PV); Argissolo Vermelho- Amarelo (PVA) e Cambissolo hálico (CX). 14 Figura 1 – Área da reserva e localização dos trechos amostradas nas bordas e interior do fragmento de Floresta Estacional Semidecidual na RPPN Fazenda Fartura, Capelinha - MG Fonte: PASCHOAL (2015). Conforme Baars et al. (1997), os fragmentos de vegetação nativa nesta região ocorrem nos vales e pequenas chapadas no sul de Capelinha, local onde está a RPPN Fazenda Fartura. As atividades antrópicas são as principais fontes de degradação nestas áreas, principalmente devido aos desmatamentos para o monocultivos de café, pastagem e eucalipto, que causaram a formação de pequenos fragmentos de vegetação nesta região (BAARS et al., 1997). De acordo informações obtidas em contato com moradores que residem na área, haviam retiradas de madeira na reserva, criação de gado, extração de cascalho e que a ocorrência de queimadas na estação seca era constante. Estas atividades antrópicas realizadas no passado modificaram a paisagem e são as principais fontes de degradação dos ecossistemas na reserva, resultando em áreas degradadas na RPPN Fazenda Fartura. Atualmente o entorno da reserva é composto por monocultivos de eucalipto, pastagem e cafeicultura. 15 2.2. Sistema de amostragem O estudo da regeneração natural tomou como base o levantamento do estrato arbóreo realizado por Paschoal (2015). Foram amostradas duas áreas de bordas no fragmento de Floresta Estacional Semidecidual, na RPPN Fazenda Fartura, que estão em contato com áreas de pastagem e cafeicultura. A vegetação arbórea foi inventariada por Paschoal (2015) por meio de três transectos, perpendiculares ao limite de cada borda, distantes entre si 50 metros e 10 m entre as parcelas (Figura 2). Assim sendo, para amostragem da regeneração natural na borda do café e da pastagem no fragmento, foram alocadas 15 subparcelas de 5 x 5 m (25 m 2 ) no centro de cada parcela de 10 x 40 m (400 m 2 ) do estrato arbóreo, (Figura 2). Nestas subparcelas foi amostrado o estrato das arvoretas, incluindo todos os indivíduos arbustivo-arbóreos com altura > 1,0 m e DAP < 5,0 cm, conforme metodologia proposta por Felfili et al. (2005). Figura 2 – Esquema do delineamento amostral utilizado para amostragem da regeneração natural nas bordas do fragmento de Floresta Estacional Semidecidual na RPPN Fazenda Fartura, em Capelinha - MG Fonte: O autor. Legenda: Subparcelas com contorno pontilhado no centro = parcelas para amostragem do estrato das arvoretas. 16 Para amostragem do interior do fragmento foi utilizado como base o estudo realizado na RPPN Fazenda Fartura por Vieira (2015) que dividiu a área de estudo em dois estratos (de acordo com a diferença de declividade da área). Para evitar o efeito de borda foi estabelecida uma distância de 30 m do entorno do fragmento e também no interior entre os estratos. A comunidade arbórea foi inventariada por Vieira (2015) por meio de 56 parcelas permanentes de 20 × 20 m (400 m²) alocadas sistematicamente, em cada estrato, disposta no sentido norte-sul, 60 m entre parcelas e 100 m entre transectos. Dentre estas 56 parcelas do estrato arbóreo amostrados no interior do fragmento, foram selecionadas por meio de sorteio 15 parcelas para a amostragem do estrato das arvoretas (Figura 3). Os procedimentos adotados para alocação das subparcelas da regeneração natural seguiram os mesmos padrões e detalhamentos daquelas amostradas nas bordas seguindo metodologia adotada por Felili et al. (2005). Figura 3: Croqui das parcelas amostradas para o estrato arbóreo no interior do fragmento de Floresta Estacional Semidecidual localizado na RPPN Fazenda Fartura, Capelinha - MG Fonte: Vieira (2015) modificado pelo autor. Legenda: Parcelas circuladas = sorteadas para amostragem do estrato das arvoretas. 17 2.3. Coleta dos dados Nas subparcelas amostradas nos trechos de bordas e no interior do fragmento, foram medidos o diâmetro a altura do solo (DAS) e a altura total de todos os indivíduos que atenderam ao critério de inclusão da metodologia adota de Felfili et al. (2005). Todos foram marcados com uma placa contendo o número de identificação do indivíduo. O material botânico das espécies amostradas foi coletado e tratado conforme as técnicas de herborização (ROTTA et al., 2008). Posteriormente foram armazenados no Herbário Dendrológico Jeanine Felfili (HDJF) da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. A identificação deste material foi feita com base nas literaturas científicas, consulta a especialistas e ao acervo deste herbário. As espécies foram classificadas em famílias de acordo com o Grupo Filogenético das Angiospermas (APG III 2009). Com base no banco de dados The plant list, versão 1.1 e The Plant List (2013), foram consultados as sinonímias botânicas e grafia dos nomes científicos. 2.4. Análises dos dados Para analisar a diversidade da regeneração natural nas bordas e no interior do fragmento, foi utilizado o Índice de diversidade de Shannon (H’) e equabilidade de Pielou (J´) (BROWER & ZAR, 1984). Os valores encontrados foram testados estatisticamente a 0,05 de significância, pelo teste t de Hutcheson (ZAR, 1996). Estas análises foram feitas com auxílio dos programas Microsoft Office Excel 2010 e o Past 3.0. Entre as espécies identificadas foi verificada a ocorrência de espécies raras conforme metodologia de Martins (1993) e Caiafa & Martins (2010). Segundo estes autores, espécies raras são aquelas que apresentaram apenas um indivíduo em toda a amostragem. A similaridade das espécies nos trechos de bordas e no interior do fragmento amostrado foi analisada por meio de diagramas de Venn, feitos no programa Venny 2.0 (OLIVEROS, 2015). No programa Microsoft Office Excel 2010, foram calculados os índices de similaridade qualitativos (Jaccard) e quantitativos (Czekanowski) (KENT & COKER, 1992; MUELLER-DOMBOIS & ELLENBERG, 2002). Foi elaborada a curva espécie-área para se estimar a dimensão da riqueza florística de cada trecho amostrado (FELFILI & VENTUROLI, 2000). Além disso, foram calculados os estimadores ‘jackknife’ de primeira e segunda ordem, (HELTSCHE & FORRESTER 1983; 18 PALMER 1991). Para tal, utilizou-se o programa PC-ORD 6.0 (McCune & Mefford 2011) e o Microsoft Office Excel 2010. Foi feita uma Análise de Espécies Indicadoras (ISA) para verificar as preferências das espécies em relação aos trechos amostrados (DUFRÊNE & LEGENDRE 1997). Ressalta- se que as morfoespécies foram retiradas desta análise, devido à dificuldade de identificação destas, e consequentemente caracterização. Para tal foi utilizado o programa PC-ORD 6.0 (McCune & Mefford 2011). Para analisar a estrutura da vegetação os indivíduos amostrados nas bordas e interior foram distribuídos em classes de diâmetro e altura. Para as classes diamétricas adotou-se a metodologia de Botrel et al. (2002) com amplitudes crescentes (0,49 a 0,99; 1 a 2; 2 a 4; 4 a 8; 8 a 16 cm), para altura foram criadas cinco classes com intervalo constante de 2 m (1 a 3; 3 a 5; 5 a 7; 7 a 9 e 9 a 11 m). Os parâmetros estruturais foram obtidos para os trechos das bordas e do interior (MUELLER-DOMBOIS & ELLENBERG, 2002). As variáveis estruturais de área basal, densidade e das classes de diâmetro e altura, foram comparadas entre trechos das bordas e o interior do fragmento por meio do teste não paramétrico de Kruskal-Wallis, sendo realizado a posteriori, sempre que significativo, o teste de Dunn, avaliado a 5% de significância (ZAR, 1996). Para estas análises foram utilizados os programas Microsoft Office Excel 2010 e o Bioestat 5.0. 19 3. Resultados Na amostragem da vegetação foram registrados no total 1.561 indivíduos, destes, 230 foram amostrados no interior do fragmento (INT), 588 na borda em contato com a pastagem (BP) e 743 na borda em contato com cafeicultura (BC). No total, foram encontradas 42 famílias botânicas, 87 gêneros e 162 espécies (Tabela 1). Dentre estas, 27 foram classificadas como morfoespécies (MF) e aguardam posterior identificação por especialistas. No INT foram identificadas 31 famílias, 59 gêneros e 78 espécies, na BP 36 famílias, 58 gêneros e 87 espécies e BC 36 famílias, 57 gêneros e 89 espécies. As famílias que predominaram com maior número de espécies na amostragem total foram Myrtaceae (23 espécies), Fabaceae (19), Lauraceae (13), Rubiaceae (9), Melastomataceae (8) e Annonaceae (6), que em conjunto representam 48,15% do total das espécies. No INT e na BC as famílias com maior número de espécies foram Myrtaceae (11 e 13 espécies respectivamente), Fabaceae (11 e 8); Lauraceae (6 e 7) e Melastomataceae (5 e 5), representando 42,31% e 37,10% em relação ao total, respectivamente. Na BP foram Fabaceae (13 espécies), Myrtaceae (11), Lauraceae (6) e Annonaceae (4), no total representam 39,10% das espécies amostradas. Analisando o número de indivíduos as famílias foram Myrtaceae (327 indivíduos), Siparunaceae (208 – todos os indivíduos da espécie Siparuna guianensis), Vochysiaceae (132), Lauraceae (116) e Fabaceae (112), representando 57,34% do total amostrado. No INT as famílias que prevaleceram foram Siparunaceae (38 indivíduos), Lauraceae (36), Anacardiaceae (19) e Fabaceae (19). Na BP Siparunaceae (158 indivíduos), Vochysiaceae (83), Myrtaceae (65) e Euphorbiaceae (37). Na BC Myrtaceae (247 indivíduos), Fabaceae (63), Lauraceae (55) e Peraceae (46). Em relação ao total dos indivíduos, estes representam respectivamente, 48,70%, 58,33% e 55,32% da amostragem. 20 Tabela 1 – Lista florística das espécies registradas e seus respectivos valores de densidade nas bordas e interior do fragmento de Floresta Estacional Semidecidual amostrados na RPPN Fazenda Fartura, Capelinha - MG Família INT BP BC Total Espécie ANACARDIACEAE Astronium fraxinifolium Schott 18 14 1 33 Tapirira guianensis Aubl. 1 3 4 Tapirira obtusa (Benth.) J.D.Mitch. 1 1 ANNONACEAE Annona neolaurifolia H.Rainer 1 1 Annona salzmannii A.DC. 1 1 Duguetia lanceolata A.St.-Hil. 3 2 3 8 MF16 1 1 MF26 1 1 2 Xylopia sericea A.St.-Hil. 1 1 18 20 APOCYNACEAE Himatanthus lancifolius (Müll.Arg.) Woodson 1 1 2 ARALIACEAE Schefflera angustissima (Marchal) Frodin 5 7 26 38 ASTERACEAE Eremanthus erythropappus (DC.) MacLeish 2 2 BIGNONIACEAE Handroanthus serratifolius (Vahl) S.O.Grose 2 1 1 4 Jacaranda jasminoides (Thunb.) Sandwith 12 2 14 CALOPHYLLACEAE Kielmeyera lathrophyton Saddi 6 3 16 25 CELASTRACEAE Maytenus gonoclada Mart. 2 9 2 13 Maytenus ilicifolia Mart. ex Reissek 8 8 Maytenus sp1 2 2 CHRYSOBALANACEAE MF17 1 1 2 MF25 1 1 CLUSIACEAE Chrysochlamys saldanhae (Engl.) Oliveira-Filho 4 1 5 COMBRETACEAE Buchenavia tomentosa Eichler 1 1 2 CUNONIACEAE Lamanonia grandistipularis (Taub.) Taub. 4 4 ELAEOCARPACEAE Sloanea guianensis (Aubl.) Benth. 2 1 3 Sloanea monosperma Vell 1 3 4 Sloanea sp1 2 3 14 19 ERYTHROXYLACEAE Erythroxylum citrifolium A.St.-Hil. 6 25 23 54 EUPHORBIACEAE Croton floribundus Spreng. 1 1 Continua Fonte: O autor. Legenda: INT = área localizada no interior do fragmento; BP = área de borda em contato com pastagem; BC = área de borda em contato com cafeicultura; MF = morfoespécie. 21 Tabela 1 – Continuação Família INT BP BC Total Espécie Croton urucurana Baill. 7 7 Mabea fistulifera Mart. 1 30 14 45 Manihot sp1 1 1 Maprounea guianensis Aubl. 1 1 FABACEAE Abarema villosa Iganci & M.P.Lima 2 8 10 Bauhinia forficata Link 1 1 Campomanesia sp1 1 1 Copaifera langsdorffii Desf. 7 1 2 10 Dalbergia nigra (Vell.) Benth. 3 3 Diplotropis ferruginea Benth. 1 1 12 14 Holocalyx balansae Micheli 2 1 3 Inga marginata Willd. 3 10 13 Inga sp1 8 8 Inga striata Benth. 1 1 Machaerium amplum Benth. 1 1 2 Machaerium brasiliense Vogel 3 19 22 Machaerium nyctitans (Vell.) Benth. 1 1 Melanoxylon brauna Schott 1 1 Piptadenia gonoacantha (Mart.) J.F.Macbr. 1 1 2 Platypodium elegans Vogel 1 1 Stryphnodendron polyphyllum Mart. 1 1 Swartzia apetala Raddi 2 4 6 12 Tachigali rugosa (Mart. ex Benth.) Zarucchi & Pipoly 1 5 6 HYPERICACEAE Vismia brasiliensis Choisy 4 4 Vismia guianensis (Aubl.) Pers. 6 6 LAMIACEAE Hyptidendron asperrimum (Epling) Harley 1 1 Vitex megapotamica (Spreng.) Moldenke 7 4 24 35 LAURACEAE Cryptocarya aschersoniana Mez 7 7 Endlicheria glomerata Mez 27 27 Endlicheria paniculata (Spreng.) J.F.Macbr. 2 2 MF01 8 8 MF02 1 1 MF19 1 1 MF23 3 3 Nectandra lanceolata Nees & Mart. 26 1 8 35 Nectandra oppositifolia Nees & Mart. 1 2 3 Ocotea aciphylla (Nees & Mart.) Mez 3 5 8 Ocotea corymbosa (Meisn.) Mez 9 7 16 Ocotea sp1 1 1 2 Persea rufotomentosa Nees & C.Mart. 3 3 LOGANIACEAE Strychnos acuta Progel 1 1 LYTHRACEAE Lafoensia pacari A.St.-Hil. 3 3 MALPIGHIACEAE Byrsonima stipulaceae A.Juss. 1 1 2 Continua 22 Tabela 1 – Continuação Família INT BP BC Total Espécie MF06 3 3 MALVACEAE Luehea grandiflora Mart. 1 1 MELASTOMATACEAE MF08 8 20 10 38 MF09 1 1 MF10 1 1 MF11 1 1 Miconia cuspidata Mart. ex Naudin 1 1 Miconia minutiflora (Bonpl.) DC. 1 1 Miconia pepericarpa DC. 1 1 2 Tibouchina sp1 1 1 MELIACEAE Cabralea cangerana Saldanha 1 3 4 Trichilia pallens C.DC. 3 3 Trichilia pallida Sw. 1 1 MORACEAE Brosimum lactescens (S. Moore) C.C.Berg 1 1 Ficus sp1 2 2 MF07 1 1 MYRTACEAE Calyptranthes clusiifolia (Miq.) O.Berg 1 19 20 Calyptranthes sp1 3 3 Campomanesia sp1 1 1 2 Campomanesia velutina (Cambess.) O.Berg 2 7 9 Eugenia cf nutans O.Berg 2 13 16 31 Eugenia handroana D.Legrand 1 1 Eugenia sp1 3 5 11 19 Eugenia sp2 1 1 Eugenia sp3 1 1 Eugenia sp4 1 1 MF04 1 1 Myrcia amazonica DC. 8 54 62 Myrcia eriocalyx DC. 49 49 Myrcia guianensis (Aubl.) DC. 1 3 77 81 Myrcia mischophylla Kiaersk. 10 10 Myrcia multipunctata Mazine 1 1 Myrcia sp1 1 1 Myrcia sp2 5 5 Myrcia sp3 3 3 Myrcia sp4 1 1 Myrcia sp5 1 1 Myrcia splendens (Sw.) DC. 1 6 16 23 Myrciaria sp1 1 1 NÃO IDENTIFICADAS MF03 1 1 MF13 1 1 MF14 3 3 MF15 1 1 MF20 1 1 Continua 23 Tabela 1 – Continuação Família INT BP BC Total Espécie MF21 1 1 MF22 1 1 MF24 2 2 MF27 1 1 NYCTAGINACEAE Guapira graciliflora (Mart. ex J.A.Schmidt) Lundell 1 1 OCHNACEAE Ouratea castaneifolia (DC.) Engl. 5 5 Ouratea salicifolia Engl. 1 2 3 Ouratea semiserrata (Mart. & Nees) Engl. 1 1 PERACEAE Pera glabrata (Schott) Poepp. ex Baill. 1 2 46 49 POLYGONACEAE Triplaris gardneriana Wedd. 1 1 2 Triplaris sp1 1 1 PRIMULACEAE Cybianthus sp1 1 1 Myrsine umbellata Mart. 1 8 9 Myrsine sp1 1 1 PROTEACEAE Roupala montana Aubl. 11 11 ROSACEAE Prunus myrtifolia (L.) Urb. 4 4 1 9 RUBIACEAE Amaioua guianensis Aubl. 2 11 13 Chomelia sericea Müll.Arg. 2 2 Chomelia sp1 1 1 Cordiera sessilis (Vell.) Kuntze 2 2 4 Coutarea hexandra (Jacq.) K.Schum 2 2 Faramea cyanea Müll.Arg. 1 1 MF05 1 1 Psychotria deflexa DC. 1 4 5 Psychotria vellosiana Benth. 1 16 17 RUTACEAE Balfourodendron riedelianum (Engl.) Engl. 1 1 Citrus sp1 1 1 2 Dictyoloma vandellianum A.Juss. 2 2 1 5 Zanthoxylum caribaeum Lam. 3 3 SALICACEAE Casearia arborea (Rich.) Urb. 1 16 12 29 Casearia decandra Jacq. 3 3 Casearia grandiflora Cambess. 1 1 Casearia rupestris Eichler 1 1 Xylosma ciliatifolia (Clos) Eichler 1 1 SAPINDACEAE Cupania vernalis Cambess. 1 11 1 13 Talisia esculenta (A.St.-Hil.) Radlk. 1 1 Talisia sp1 1 1 SAPOTACEAE Micropholis gardneriana (A.DC.) Pierre 2 2 4 Continua 24 Tabela 1 – Continuação Família INT BP BC Total Espécie Pouteria sp1 3 3 SIPARUNACEAE Siparuna guianensis Aubl. 38 158 12 208 SOLANACEAE MF12 1 1 MF18 1 1 Solanum swartzianum Roem. & Schult. 3 3 VOCHYSIACEAE Callisthene major Mart. 2 2 Qualea sp1 13 6 2 21 Vochysia cf magnifica Warm. 2 2 Vochysia oppugnata (Velloso) Warm. 77 30 107 Número de indivíduos 230 588 743 1561 As famílias Loganiaceae, Malvaceae e Nyctaginaceae foram às únicas representadas na amostragem por apenas uma espécie e um único indivíduo no total amostrado. Entre as 162 espécies identificadas, 62 foram representadas por apenas um indivíduo em toda a amostragem, sendo, portanto, consideradas como raras (MARTINS, 1993; CAIAFA & MARTINS, 2010). No INT ocorreram 48 espécies raras, na BP 39 e na BC 31. Poucas espécies ocorreram com muitos indivíduos, destacando-se na amostragem total a Siparuna guianensis (208), Vochysia oppugnata (107), Myrcia guianensis (81), Myrcia amazonica (62) e Erythroxylum citrifolium (54), ressalta-se que na borda em contato com pastagem ocorreram 77 indivíduos de Vochysia oppugnata em uma única parcela, o que representa 71,96% do total para esta espécie. A amostragem realizada neste estudo apresentou baixo compartilhamento de espécies em conjunto (amostral total), assim como, quando se comparou as áreas entre si, ou seja, poucas espécies foram amostradas simultaneamente nos trechos de bordas e no interior. Sendo que o compartilhamento de espécies nunca foi superior a 18% na amostragem (Figura 4). Nas comparações dos índices de similaridade de Jaccard e Czekanowski entre bordas e interior foram observados, de maneira geral, valores baixos (menores que 50%), que é o valor mínimo utilizado para considerar que existe similaridade florística entre os trechos (GAUCH, 1982), isso indica que as áreas avaliadas têm uma flora distinta entre si, com baixa similaridade. 25 Ao analisar as comparações entre o compartilhamento de espécies e os índices de similaridade do INT com a BP (SJ: 25,56% e SCzk: 33,01%) e BP com a BC (SJ: 35,25% e SCzk: 29,90%), pode-se observar uma proximidade dos valores encontrados e estes são superiores que os demais, indicando uma maior similaridade entre estes trechos (Figura 4). Em contrapartida, o INT com a BC (SJ: 32,33% e SCzk: 18,50%) não se observa a mesma relação, apresentando valores menores e assim uma baixa similaridade, compartilhando apenas seis espécies em comum. Figura 4 - Diagrama de Venn produzido a partir das espécies compartilhadas e exclusivas entre as bordas e interior do fragmento de Floresta Estacional Semidecidual amostrados na RPPN Fazenda Fartura, Capelinha - MG Fonte: O autor. Legenda: INT = área localizada no interior do fragmento; BP = área de borda em contato com pastagem; BC = área de borda em contato com cafeicultura; SJ = índice de similaridade de Jaccard; SCzk = índice de similaridade de Czekanowski. 26 As curvas espécie-área (Figura 5) indicaram que a riqueza das espécies para os trechos estudados tem um maior potencial, a tendência indica que o número de novas espécies aumentará nas áreas, principalmente nas bordas, devido as mesma apresentarem retas com inclinação mais evidente. Esta relação também foi observada nos resultados dos estimadores de ‘jackknife’ apresentados na Tabela 2. Para uma melhor visualização das curvas espécie- área, os seus intervalos de confiança foram suprimidos na Figura 5 porque estes não diferiram entre si, e por esta razão se sobrepuseram nas retas, o que dificultava a visualização da imagem. Figura 5 - Curvas espécie-área das bordas e interior do fragmento de Floresta Estacional Semidecidual amostrados na RPPN Fazenda Fartura, Capelinha - MG Fonte: O autor. Legenda: INT = área localizada no interior do fragmento; BP = área de borda em contato com pastagem; BC = área de borda em contato com cafeicultura. Quando analisados os parâmetros de diversidade de espécies também apresentados na Tabela 2, observou-se que os valores para os índices de Shannon (H’) foram muito altos, indicando elevada diversidade florística nas bordas e interior. Os resultados obtidos pela equabilidade de Pielou (J’) sugeriram que esta alta diversidade está distribuída de maneira uniforme, este padrão foi comum quando avaliadas as três áreas em conjunto – total 27 (H’ = 4,01; J’ = 0,79), e cada área individualmente (INT H’ = 3,59; J’ = 0,82; BP H’ = 3,24; J’ = 0,73 e BC H’ = 3,74; J’ = 0,83). Tabela 2 - Parâmetros da área total, das bordas e interior do fragmento de Floresta Estacional Semidecidual amostrados na RPPN Fazenda Fartura, Capelinha - MG Parâmetros INT BP BC Total Número de indivíduos 230 588 743 1561 Riqueza de espécies 78 87 89 162 Número de espécies raras 48 39 31 62 Índice de Shannon (H’) 3,59 3,24 3,74 4,01 Equabilidade de Pielou (J’) 0,82 0,73 0,83 0,79 Estimador Jackknife; 1º ordem 126 132 122 231 Estimador Jackknife; 2º ordem 160 161 138 272 Fonte: O autor. Legenda: INT = área localizada no interior do fragmento; BP = área de borda em contato com pastagem; BC = área de borda em contato com cafeicultura. A BP apresenta um valor do índice de Shannon mais baixo quando confrontados com o INT e da BC, ambas tem valores superiores e mais próximos entre si. Entretanto, a comparação entre os índices de diversidade dos trechos pelo teste t de Hutcheson (p < 0,05) mostrou que os três trechos foram significativamente diferentes entre elas, ou seja, mesmo sendo em alguns casos numericamente próximos, os índices de diversidade são estatisticamente diferentes entre si (Tabela 3). Tabela 3 - Significância do teste t de Hutcheson (p < 0,05) para os índices de diversidade de Shannon (H’) das bordas e interior do fragmento de Floresta Estacional Semidecidual amostrados na RPPN Fazenda Fartura, Capelinha - MG Áreas Índice de Shannon (H’) P INT - BP 3,59 - 3,24 * INT - BC 3,59 - 3,74 * BP - BC 3,24 - 3,74 ** Fonte: O autor. Legenda: INT = área localizada no interior do fragmento; BP = área de borda em contato com pastagem; BC = área de borda em contato com cafeicultura; p = significância (* p < 0,05; ** p < 0,001). Na análise de espécie indicadoras (Tabela 4), entre as 105 espécies consideradas na avaliação 17 (16,19%) foram significativas, apresentando preferência por um dos trechos estudados. Dentre estas espécies indicadoras 4 (3,81%) foram no trecho de borda em contato 28 com pastagem e 13 (12,38%) na borda de cafeicultura. Em contrapartida o trecho do interior do fragmento não apresentou nenhuma espécie indicadora nos resultados. Tabela 4 - Análise de espécie indicadoras (ISA) realizada com base na lista das espécies registradas nos fragmentos de Floresta Estacional Semidecidual amostrados na RPPN Fazenda Fartura, Capelinha - MG Áreas VIO VIE Espécies Média s P Borda de Pastagem Calyptranthes clusiifolia 31.7 12.8 5.9 * Campomanesia velutina 25.9 11.7 5.17 * Croton urucurana 26.7 10.2 5.3 * Cupania vernalis 33.8 14 5.65 * Borda de Café Abarema villosa 26.7 11.9 5.34 * Cryptocarya aschersoniana 26.7 10.2 5.3 * Endlicheria glomerata 53.3 14.2 5.84 *** Machaerium brasiliense 46.1 16.9 6.01 ** Maytenus ilicifolia 46.7 12.8 5.27 *** Myrcia mischophylla 40 12.3 5.47 ** Myrcia splendens 32.5 18.7 6.63 * Myrsine umbellata 29.6 11.8 5.27 * Ouratea castaneifolia 26.7 9.8 4.73 * Psychotria vellosiana 43.9 14.1 5.76 ** Schefflera angustissima 54.7 25.4 5.7 *** Vitex megapotamica 45.7 21.7 6.55 ** Xylopia sericea 72 19.4 5.97 *** Fonte: O autor. Legenda: VIO = valor indicador observado; VIE = valor indicador esperado; s = desvio padrão; p = significância (* p < 0,05; ** p < 0,01; *** p < 0,001). Nos parâmetros fitossociológicos das espécies amostradas destacaram-se no Valor de Importância (VI) espécies distintas para cada trecho. Em ordem decrescente de VI, as dez espécies no INT foram Siparuna guianensis, Nectandra lanceolata, Astronium fraxinifolium, Qualea sp1, MF08, Prunus myrtifolia, Casearia arborea, Duguetia lanceolata, Copaifera langsdorffii e Schefflera angustissima. Na BP, S. guianensis, Mabea fistulifera, Vochysia oppugnata, MF08, C. arborea, Erythroxylum citrifolium, Cupania vernalis, Calyptranthes clusiifolia, Campomanesia velutina e A. fraxinifolium. Na BC, Myrcia guianensis, Myrcia amazonica, Pera glabrata, Myrcia eriocalyx, S. angustissima, V. oppugnata, Machaerium brasiliense, Xylopia sericea, Vitex megapotamica e Endlicheria glomerata, Tabela 5. 29 Tabela 5 - Parâmetros fitossociológicos das espécies amostradas nas bordas e interior do fragmento de Floresta Estacional Semidecidual na RPPN Fazenda Fartura, Capelinha - MG Espécie Interior Borda da Pastagem Borda do Café DR FR DoR VI Posição (VI) DR FR DoR VI Posição (VI) DR FR DoR VI Posição (VI) Abarema villosa 0.340 0.467 0.927 0.578 40 1.077 1.639 0.446 1.054 29 Amaioua guianensis 0.870 1.515 0.435 0.940 32 1.480 1.311 2.497 1.763 21 Annona neolaurifolia 0.170 0.467 0.031 0.223 83 Annona salzmannii 0.135 0.328 0.030 0.164 85 Astronium fraxinifolium 7.826 5.303 3.549 5.559 3 2.381 3.271 1.548 2.400 10 0.135 0.328 0.026 0.163 87 Balfourodendron riedelianum 0.135 0.328 0.007 0.157 89 Bauhinia forficata 0.435 0.758 0.400 0.531 45 Brosimum lactescens 0.435 0.758 0.102 0.432 67 Buchenavia tomentosa 0.435 0.758 0.135 0.442 64 0.170 0.467 0.125 0.254 70 Byrsonima stipulaceae 0.170 0.467 0.233 0.290 64 0.135 0.328 0.273 0.245 61 Cabralea cangerana 0.170 0.467 0.189 0.275 66 0.404 0.656 0.309 0.456 42 Callisthene major 0.269 0.328 0.323 0.307 58 Calyptranthes clusiifolia 0.435 0.758 0.099 0.430 68 3.231 2.336 3.048 2.872 8 Calyptranthes sp1 0.404 0.656 0.274 0.444 44 Campomanesia sp1 0.435 0.758 0.264 0.486 53 0.170 0.467 1.724 0.787 29 Campomanesia velutina 0.870 0.758 1.419 1.015 27 1.190 2.336 3.685 2.404 9 Casearia arborea 0.435 0.758 6.046 2.413 7 2.721 3.271 4.126 3.373 5 1.615 2.295 2.852 2.254 14 Casearia decandra 0.510 0.935 0.280 0.575 41 Casearia grandiflora 0.170 0.467 0.028 0.222 84 Casearia rupestres 0.435 0.758 0.383 0.525 47 Chomelia sericea 0.870 0.758 1.194 0.941 31 Chomelia sp1 0.170 0.467 0.167 0.268 68 Chrysochlamys saldanhae 0.680 1.402 4.809 2.297 11 0.135 0.328 0.122 0.195 70 Citrus sp1 0.435 0.758 0.165 0.453 60 0.170 0.467 0.064 0.234 76 Copaifera langsdorffii 3.043 3.030 0.870 2.315 9 0.170 0.467 0.285 0.307 61 0.269 0.656 0.167 0.364 53 Cordiera sessilis 0.870 1.515 0.216 0.867 34 0.340 0.467 0.122 0.310 60 Coutarea hexandra 0.340 0.467 0.972 0.593 37 Continua Fonte: O autor. Legenda: DR = Densidade Relativa; FR = Frequência Relativa; DoR = Dominância Relativa; VI = Valor de Importância; MF = morfoespécie. 30 Tabela 5 - Continuação Espécie Interior Borda da Pastagem Borda do Café DR FR DoR VI Posição (VI) DR FR DoR VI Posição (VI) DR FR DoR VI Posição (VI) Croton floribundus 0.435 0.758 0.094 0.429 69 Croton urucurana 1.190 1.869 2.984 2.015 14 Cryptocarya aschersoniana 0.942 1.311 0.441 0.898 35 Cupania vernalis 0.435 0.758 0.080 0.424 70 1.871 2.804 4.107 2.927 7 0.135 0.328 0.074 0.179 76 Cybianthus sp1 0.435 0.758 2.495 1.229 22 Dalbergia nigra 0.510 0.467 0.589 0.522 45 Dictyoloma vandellianum 0.870 1.515 0.668 1.017 26 0.340 0.935 0.242 0.505 46 0.135 0.328 0.108 0.190 71 Diplotropis ferruginea 0.435 0.758 0.076 0.423 71 0.170 0.467 1.309 0.649 34 1.615 0.984 1.313 1.304 26 Duguetia lanceolata 1.304 2.273 3.372 2.316 8 0.340 0.935 0.465 0.580 39 0.404 0.656 0.141 0.400 47 Endlicheria glomerata 3.634 2.623 1.781 2.679 10 Endlicheria paniculata 0.870 1.515 0.487 0.957 29 Eremanthus erythropappus 0.269 0.656 0.048 0.324 57 Erythroxylum citrifolium 2.609 3.030 0.901 2.180 12 4.252 4.206 1.336 3.265 6 3.096 2.951 1.082 2.376 12 Eugenia cf nutans 0.870 1.515 0.199 0.861 35 2.211 3.271 0.714 2.065 13 2.153 0.984 2.991 2.043 15 Eugenia handroana 0.170 0.467 0.036 0.225 81 Eugenia sp1 1.304 1.515 0.428 1.083 25 0.850 1.869 0.306 1.008 23 1.480 1.967 0.409 1.285 27 Eugenia sp2 0.170 0.467 0.102 0.246 71 Eugenia sp3 0.135 0.328 0.095 0.186 73 Eugenia sp4 0.135 0.328 0.184 0.216 65 Faramea cyanea 0.435 0.758 0.143 0.445 63 Ficus sp1 0.269 0.328 0.035 0.211 67 Guapira graciliflora 0.435 0.758 0.410 0.534 44 Handroanthus serratifolius 0.870 1.515 2.240 1.541 16 0.170 0.467 0.659 0.432 51 0.135 0.328 0.269 0.244 62 Himatanthus lancifolius 0.170 0.467 0.038 0.225 80 0.135 0.328 0.169 0.211 66 Holocalyx balansae 0.870 1.515 1.456 1.280 21 0.170 0.467 0.938 0.525 42 Hyptidendron asperrimum 0.170 0.467 0.461 0.366 57 Inga marginata 0.435 0.758 0.371 0.521 49 0.510 0.467 0.074 0.350 58 1.346 0.656 1.310 1.104 28 Inga sp1 1.361 0.935 0.571 0.955 26 Inga striata 0.170 0.467 0.035 0.224 82 Jacaranda jasminoides 2.041 1.402 1.996 1.813 16 0.269 0.656 1.015 0.647 39 Continua 31 Tabela 5 - Continuação Espécie Interior Borda da Pastagem Borda do Café DR FR DoR VI Posição (VI) DR FR DoR VI Posição (VI) DR FR DoR VI Posição (VI) Kielmeyera lathrophyton 2.609 1.515 0.986 1.703 14 0.510 0.935 0.124 0.523 44 2.153 1.639 4.101 2.631 11 Lafoensia pacari 0.404 0.656 0.046 0.369 52 Lamanonia grandistipularis 0.538 0.328 0.310 0.392 48 Luehea grandiflora 0.170 0.467 0.405 0.347 59 Mabea fistulifera 0.435 0.758 0.380 0.524 48 5.102 4.673 6.331 5.369 2 1.884 1.311 2.835 2.010 16 Machaerium amplum 0.435 0.758 1.036 0.743 37 0.135 0.328 0.093 0.185 74 Machaerium brasiliense 0.510 1.402 1.057 0.990 25 2.557 2.623 4.147 3.109 7 Machaerium nyctitans 0.170 0.467 0.626 0.421 53 Manihot sp1 0.435 0.758 1.031 0.741 38 Maprounea guianensis 0.435 0.758 0.157 0.450 61 Maytenus gonoclada 0.870 0.758 1.201 0.943 30 1.531 1.402 0.707 1.213 20 0.269 0.656 0.060 0.328 56 Maytenus ilicifolia 1.077 2.295 2.103 1.825 19 Maytenus sp1 0.269 0.328 0.098 0.232 64 Melanoxylon brauna 0.435 0.758 5.210 2.134 13 MF01 1.361 1.869 1.951 1.727 17 MF02 0.135 0.328 0.049 0.171 82 MF03 0.135 0.328 0.448 0.303 59 MF04 0.135 0.328 0.096 0.186 72 MF05 0.135 0.328 0.552 0.338 55 MF06 0.404 0.656 0.090 0.383 50 MF07 0.170 0.467 0.648 0.428 52 MF08 3.478 3.788 2.165 3.144 5 3.401 4.206 2.733 3.447 4 1.346 1.967 1.949 1.754 22 MF09 0.435 0.758 0.640 0.611 42 MF10 0.135 0.328 0.054 0.172 80 MF11 0.435 0.758 1.096 0.763 36 MF12 0.135 0.328 0.331 0.265 60 MF13 0.135 0.328 0.135 0.199 68 MF14 0.510 0.467 0.238 0.405 54 MF15 0.135 0.328 0.048 0.170 83 MF16 0.135 0.328 0.027 0.163 86 Continua 32 Tabela 5 - Continuação Espécie Interior Borda da Pastagem Borda do Café DR FR DoR VI Posição (VI) DR FR DoR VI Posição (VI) DR FR DoR VI Posição (VI) MF17 0.170 0.467 0.054 0.230 77 0.135 0.328 0.057 0.173 79 MF18 0.170 0.467 0.530 0.389 56 MF19 0.435 0.758 0.043 0.412 76 MF20 0.435 0.758 0.062 0.418 74 MF21 0.170 0.467 0.098 0.245 72 MF22 0.435 0.758 2.486 1.226 23 MF23 1.304 0.758 2.280 1.447 17 MF24 0.340 0.935 0.857 0.711 31 MF25 0.170 0.467 0.180 0.273 67 MF26 0.435 0.758 0.149 0.447 62 0.170 0.467 0.223 0.287 65 MF27 0.135 0.328 0.657 0.373 51 Miconia cuspidata 0.135 0.328 0.129 0.197 69 Miconia minutiflora 0.435 0.758 0.882 0.692 39 Miconia pepericarpa 0.435 0.758 0.133 0.442 65 0.135 0.328 0.050 0.171 81 Micropholis gardneriana 0.870 1.515 0.498 0.961 28 0.340 0.935 0.111 0.462 49 Myrcia amazonica 1.361 2.336 0.724 1.474 18 7.268 4.590 6.684 6.181 2 Myrcia eriocalyx 6.595 2.951 6.620 5.388 4 Myrcia guianensis 0.435 0.758 0.462 0.551 43 0.510 0.935 0.636 0.694 32 10.363 3.279 5.237 6.293 1 Myrcia mischophylla 1.346 1.967 2.486 1.933 18 Myrcia multipunctata 0.435 0.758 0.400 0.531 46 Myrcia sp1 0.435 0.758 0.036 0.409 78 Myrcia sp2 0.673 0.984 0.225 0.627 40 Myrcia sp3 0.404 0.984 1.606 0.998 31 Myrcia sp4 0.170 0.467 0.022 0.220 87 Myrcia sp5 0.435 0.758 0.192 0.461 59 Myrcia splendens 0.435 0.758 0.072 0.421 72 1.020 1.869 1.076 1.322 19 2.153 2.295 2.433 2.294 13 Myrciaria sp1 0.435 0.758 0.194 0.462 58 Myrsine umbellata 0.170 0.467 0.044 0.227 79 1.077 1.639 1.718 1.478 24 Nectandra lanceolata 11.304 3.030 5.262 6.532 2 0.170 0.467 0.048 0.229 78 1.077 1.311 0.459 0.949 32 Nectandra oppositifolia 0.170 0.467 0.075 0.238 73 0.269 0.656 0.126 0.350 54 Continua 33 Tabela 5 - Continuação Espécie Interior Borda da Pastagem Borda do Café DR FR DoR VI Posição (VI) DR FR DoR VI Posição (VI) DR FR DoR VI Posição (VI) Ocotea aciphylla 1.304 2.273 0.632 1.403 18 0.850 1.402 0.845 1.032 22 Ocotea corymbosa 1.531 3.271 1.522 2.108 12 0.942 1.311 0.884 1.046 30 Ocotea sp1 0.435 0.758 0.275 0.489 52 0.170 0.467 0.072 0.236 74 Ouratea castaneifolia 0.673 1.311 0.343 0.776 37 Ouratea salicifolia 0.435 0.758 0.236 0.476 55 0.340 0.935 0.295 0.523 43 Ouratea semiserrata 0.435 0.758 0.072 0.421 73 Pera glabrata 0.435 0.758 1.431 0.875 33 0.340 0.935 0.494 0.590 38 6.191 3.934 7.042 5.723 3 Persea rufotomentosa 0.404 0.656 0.301 0.454 43 Piptadenia gonoacantha 0.435 0.758 0.058 0.417 75 0.170 0.467 0.571 0.403 55 Platypodium elegans 0.435 0.758 0.233 0.475 56 Pouteria sp1 1.304 2.273 1.274 1.617 15 Prunus myrtifolia 1.739 2.273 3.875 2.629 6 0.680 0.935 0.446 0.687 33 0.135 0.328 0.087 0.183 75 Psychotria deflexa 0.170 0.467 0.027 0.221 85 0.538 0.656 0.072 0.422 45 Psychotria vellosiana 0.435 0.758 0.124 0.439 66 2.153 2.295 0.635 1.694 23 Qualea sp1 5.652 1.515 2.704 3.290 4 1.020 0.935 0.564 0.840 28 0.269 0.656 0.248 0.391 49 Rapanea sp1 0.135 0.328 0.020 0.161 88 Roupala montana 1.480 0.656 0.692 0.943 33 Schefflera angustissima 2.174 2.273 2.318 2.255 10 1.190 3.271 1.211 1.891 15 3.499 3.934 4.819 4.084 5 Siparuna guianensis 16.522 7.576 23.215 15.771 1 26.871 7.009 25.108 19.663 1 1.615 2.295 2.053 1.988 17 Sloanea guianensis 0.340 0.467 0.086 0.298 62 0.135 0.328 0.034 0.165 84 Sloanea monosperma 0.435 0.758 0.243 0.479 54 0.404 0.984 0.411 0.599 41 Sloanea sp1 0.870 1.515 1.769 1.385 19 0.340 0.935 1.026 0.767 30 1.884 1.967 1.439 1.763 20 Sloanea sp2 0.170 0.467 1.259 0.632 36 Solanum swartzianum 0.510 0.935 1.558 1.001 24 Strychnos acuta 0.435 0.758 0.367 0.520 50 Stryphnodendron polyphyllum 0.170 0.467 0.141 0.259 69 Swartzia apetala 0.870 1.515 0.886 1.090 24 0.680 1.402 0.502 0.861 27 0.808 1.639 1.496 1.314 25 Tachigali rugosa 0.435 0.758 0.358 0.517 51 0.673 1.311 0.831 0.938 34 Talisia esculenta 0.170 0.467 0.253 0.297 63 Talisia sp1 0.170 0.467 0.069 0.235 75 Continua 34 Tabela 5 - Continuação Espécie Interior Borda da Pastagem Borda do Café DR FR DoR VI Posição (VI) DR FR DoR VI Posição (VI) DR FR DoR VI Posição (VI) Tapirira guianensis 0.435 0.758 0.208 0.467 57 0.510 0.467 0.469 0.482 47 Tapirira obtusa 0.135 0.328 0.067 0.177 78 Tibouchina sp1 0.135 0.328 0.068 0.177 77 Trichilia pallens 1.304 1.515 1.274 1.364 20 Trichilia pallida 0.135 0.328 0.259 0.241 63 Triplaris gardneriana 0.435 0.758 0.662 0.618 41 0.170 0.467 0.712 0.450 50 Triplaris sp1 0.170 0.467 0.026 0.221 86 Vismia brasiliensis 0.680 0.935 0.310 0.642 35 Vismia guianensis 0.808 0.984 0.666 0.819 36 Vitex megapotamica 3.043 2.273 1.230 2.182 11 0.680 1.402 1.193 1.092 21 3.230 3.279 2.749 3.086 9 Vochysia cf magnifica 0.269 0.656 1.260 0.728 38 Vochysia oppugnata 13.095 0.467 1.645 5.069 3 4.038 2.295 5.550 3.961 6 Xylopia sericea 0.435 0.758 0.038 0.410 77 0.170 0.467 0.777 0.471 48 2.423 3.934 2.954 3.104 8 Xylosma ciliatifolia 0.435 0.758 0.768 0.653 40 Zanthoxylum caribaeum 0.404 0.656 0.168 0.409 46 35 Ressalta-se que nenhuma das dez espécies relevantes no VI foi comum às bordas e interior do fragmento, assim, indicando mais uma vez a baixa similaridade florística e estrutural entre os trechos amostrados. Analisando entre os trechos o compartilhamento também foi baixo, o INT com a BP tiveram quatro espécies em comuns, Siparuna guianensis, Astronium fraxinifolium, Casearia arborea e MF08. A espécie Schefflera angustissima foi comum entre INT e a BC e a espécie Vochysia oppugnata comum entre as duas bordas. Ao avaliar os parâmetros fitossociológicos que colaboraram para o VI das espécies mais importantes no interior do fragmento (Figura 5), observa-se que a espécie Siparuna guianensis foi marcante por apresentar altos valores de densidade e dominância relativa, com VI de 15,77%, ocorrendo em dez das quinze unidades amostrais. A densidade relativa de Nectandra lanceolata também foi alta, porém com baixa dominância e a espécie Casearia arborea destacou-se por apresentar alto valor de dominância. Os parâmetros das demais espécies deste trecho ocorreram com baixos valores. Figura 5 – Maiores Valores de Importância (VI) registrados no interior do fragmento de Floresta Estacional Semidecidual na RPPN Fazenda Fartura, Capelinha - MG Fonte: O autor. Legenda: DR = densidade relativa; FR = frequência relativa; DoR = dominância relativa. Na borda de pastagem (Figura 6), a espécie Siparuna guianensis também foi destaque com valores superiores de densidade e dominância relativa, com VI de 19,66%, 36 ocorrendo em todas as quinze unidades amostrais. Ressalta-se que neste trecho a densidade relativa de Vochysia oppugnata foi alta, porém, os indivíduos desta espécie ocorreram em uma única parcela na amostragem. As demais espécies apresentaram baixos valores nos parâmetros avaliados. Figura 6 – Maiores Valores de Importância (VI) registrados na borda em contato com pastagem no fragmento de Floresta Estacional Semidecidual na RPPN Fazenda Fartura, Capelinha - MG Fonte: O autor. Legenda: DR = densidade relativa; FR = frequência relativa; DoR = dominância relativa. Os resultados no trecho da borda de café (Figura 7) apresentaram tendência parecida entre as espécies, com baixos valores de densidade, frequência e dominância relativa. Entre as espécies indicadoras deste trecho, Myrcia guianensis destacou-se por apresentar maior valor de densidade relativa e as espécies Myrcia amazonica, Pera glabrata e Myrcia eriocalyx por apresentarem valores superiores de densidade e dominância. 37 Figura 7 – Maiores Valores de Importância (VI) registrados na borda em contato com cafeicultura no fragmento de Floresta Estacional Semidecidual na RPPN Fazenda Fartura, Capelinha - MG Fonte: O autor. Legenda: DR = densidade relativa; FR = frequência relativa; DoR = dominância relativa. Quando analisado a estrutura da vegetação (Figura 8), verificou-se a existência de um padrão similar, tanto quando se considerou ou trechos amostrados em conjunto quanto de forma individual. Isto porque os gráficos de classes de diâmetro (Figura 8 A e B) apresentaram uma distribuição normal com maior concentração de indivíduos na segunda classe, já os gráficos de altura (Figura 8 C e D) uma distribuição do tipo conhecida como J- invertido com maior frequência na primeira classe. Aproximadamente 50% dos indivíduos amostrados estão na segunda classe diamétrica e 72% na primeira classe de altura. Destacando-se uma alta diminuição na frequência de indivíduos com o aumento das classes de tamanho. 38 Figura 8– Distribuição dos indivíduos amostrados em classes de diâmetro a altura do solo - DAS (A) e altura (C) dos três trechos amostrados em conjunto e classes diamétrica (B) e de altura (D) das bordas e interior do fragmento de Floresta Estacional Semidecidual amostrados na RPPN Fazenda Fartura, Capelinha - MG Fonte: O autor. Legenda: INT = área localizada no interior do fragmento; BP: área de borda em contato com pastagem; BC = área de borda em contato com café. 39 Em relação às variáveis estruturais de área basal, densidade e as classes de diâmetro e altura, o teste de Kruskal-Wallis apontou diferenças significativas (p < 0,05) entre os trechos estudados (Tabela 7). Salienta-se que a classe diamétrica de 8 a 16 centímetros e as classes de altura 7 a 9 e 9 a 11 metros não foram incluídas devido não apresentarem densidade suficiente para serem analisadas. Todas estas variáveis avaliadas apresentaram valores menores no INT quando comparados com os valores da BP e BC que tiveram valores próximos (Tabela 7). Os resultados do teste de Dunn (p < 0,05) apontaram que ao se comparar as bordas entre si e com o interior tanto no critério de área basal, de densidade e nas classes de diâmetro de 4 – 8 cm e de altura de 3 – 5 m e 5 – 7 m, a BP e a BC apresentaram médias consideradas iguais, no entanto, ambas são diferentes do INT (Tabela 7). Já no caso das três primeiras classes de diâmetro e da classe de altura de 1 - 3 m, as médias observadas no INT são consideradas iguais a da BP, mas, diferentes da BC, em contrapartida, esta borda apresentou médias consideradas iguais a BP (Tabela 7). Tabela 7 - Variáveis estruturais das bordas e interior do fragmento de Floresta Estacional Semidecidual amostrados na RPPN Fazenda Fartura, Capelinha - MG. Valores das médias ± desvios padrão, teste Kruskal-Wallis (p < 0,05) e teste de Dunn (p < 0,05) Variáveis Áreas Kruskal-Wallis INT BP BC H p Área Basal 0,008 + 0,006 a 0,018 + 0,009 b 0,023 + 0,011 b 16,98 *** Densidade 15,33 + 14,10 a 39,20 + 27,88 b 49,53 + 21,21 b 17,09 *** Classes - DAS 0,49 - 0,99 3 + 2,26 a 10,27 + 18,27 a,b 11,71 + 7,06 b 12,80 ** 1 – 2 8,57 + 8,72 a 15,8 + 9,01 a,b 20,27 + 8,31 b 12,29 ** 2 – 4 4,85 + 4,24 a 9,6 + 5,62 a,b 13,27 + 6,61 b 11,47 ** 4 – 8 1,8 + 0,6 a 3,33 + 1,25 b 5,43 + 3,40 b 11,21 ** Classes – H 1 – 3 12,33 + 12,18 a 27,53 + 26,17 a,b 36,27 + 15,06 b 17,72 *** 3 – 5 2,82 + 1,75 a 7,8 + 3,69 b 9,93 + 6,69 b 15,25 *** 5 – 7 1,27 + 0,45 a 3,62 + 2,50 b 4,08 + 2,29 b 11,29 ** Fonte: O autor. Legenda: INT = área localizada no interior do fragmento; BP = área de borda em contato com pastagem; BC = área de borda em contato com cafeicultura; p = significância (** p < 0,01; *** p < 0,001); médias seguidas da mesma letra sobrescrita não diferiram significativamente pelo teste de Dunn (p < 0,05). 40 4. Discussão A elevada riqueza em espécies registradas no fragmento estudado pode ser considerada muito acima do padrão normalmente encontrado na literatura. Este padrão encontrado pode estar relacionado ao fato dos trechos de bordas e interior serem compostas por ambientes complexos e distintos, cada uma com seu histórico de uso, variabilidade ambiental e tipos de distúrbios. Portanto, estes fatores possivelmente seriam os principais condicionantes que influenciaram diretamente nas características e padrões tanto florísticos quanto estruturais de cada local. As famílias que apresentaram maiores riquezas de espécies, evidenciam um padrão florístico para a Mata Atlântica, corroborando com resultados semelhante encontrados na literatura por Nunes et al. (2003), Machado et al. (2004), Oliveira-Filho et al. (2005), Pereira et al. (2007), Gonzaga et al. (2008a), Joly et al. (2012), Gonzaga et al. (2013) e Meira Junior et al. (2015). De forma geral foi evidente uma tendência onde a BC apresentou resultados superiores e maior diferença em relação à composição e riqueza florística, e estrutura (parâmetros fitossociológicos e na distribuição de diâmetro e altura) da regeneração natural, quando comparados com BP e INT. Ainda observando os padrões gerais, foi possível notar que a BP apresentou um comportamento intermediário quando observado os fatores anteriormente descritos, enquanto que o INT apresentou os menores valores. O fato da BC ter se destacado dos demais trechos pode estar diretamente relacionado ao histórico de uso da área, que apresentou maior grau de degradação. Os distúrbios neste trecho são mais intensos, ocorrendo clareiras, além de existirem indícios de queimadas, retirada de madeira, e até mesmo uma estrada abandonada em processo de sucessão. A influência de distúrbios também foi observada na BP, principalmente relacionado à criação de gado, queimadas e retirada de madeira, entretanto, estes eventos de degradação ocorrem com menor intensidade neste trecho. De forma semelhante, no interior do fragmento foi possível notar a mesma influencia destes eventos, estando evidenciados na elevada presença de bambus, cipós e de capim existentes nesta área, porém, o interior ainda pode ser considerado o trecho com maior grau de conservação, devido os eventos acima listados ocorrerem de forma menos intensa que nas bordas. Os estudos de Macdougall & Kellman (1992), Matlack (1993), Oliveira-Filho et al. (2005), Joly et al. (2012) e Gonzaga et al. (2013) destacam a forte influência dos fatores 41 ambientais nos padrões florísticos e estruturais dos ecossistemas, como por exemplo, umidade, temperatura, intensidade de luz, ocorrência de vento, clareiras, assim como, as ações antrópicas que são capazes de influenciar todos os fatores acima citados. Segundo Whitmore (1990), Metzger (1999) e Nunes et al. (2003) estes aspectos podem interferir diretamente na dinâmica da regeneração natural do ecossistema, especialmente quando a influência desses fatores ocorrem de forma concomitante. Conforme Martins et al. (2002), diversos distúrbios naturais ou antrópicos podem alterar a dinâmica da vegetação florestal. Interações entre eventos de distúrbios e a sucessão vegetal criam um mosaico florestal, onde manchas da floresta tendem a apresentar composições florísticas e estruturas diferenciadas (MARTINS, et al., 2002). Deste modo, é possível que os baixos índices de similaridade florística, assim como os altos índices de diversidade encontrados entre as bordas e interior, possam estar vinculados, principalmente, à variedade de habitats existentes nos trechos, que foram causadas pela ação conjunta ou não da heterogeneidade ambiental e, dos diferentes distúrbios existentes em cada trecho. O pequeno número de espécies compartilhadas pode ser o reflexo da interferência das condições ambientais, do histórico de uso das áreas e de fatores bióticos e abióticos, que podem condicionar a formação de diferentes microclimas, habitats e nichos ecológicos. Estudos de Oliveira-Filho et al. (1998), Oliveira-Filho & Fontes (2000), Schiavini et al. (2001), Oliveira & Felfili (2005), Fagundes et al. (2007), Gonzaga et al. (2011) e Gonzaga et al. (2013) igualmente sugerem que estas seriam possíveis causas. A elevada dissimilaridade florística presente neste estudo pode também estar relacionada à elevada raridade existente tanto nas bordas como no interior, uma vez que, se muitas espécies ocorrem com baixa densidade (um indivíduo) em cada local é esperado que na comparação entre locais existisse uma distinção na composição florística, ou seja, baixo compartilhamento de espécies. De fato, segundo Machado & Oliveira-Filho (2010) e Gonzaga et al. (2008b) as florestas tropicais são, em sua maior parte, representadas por espécies com baixa abundância, o que causa uma oscilação na ocorrência de espécies entre uma área e outra. Com a análise de espécies indicadoras constatou-se a preferência de determinadas espécies para os trechos de bordas, o que pode estar associado às características ambientais de cada trecho e a formação de habitats (PRADO & GIBBS, 1993; FELFILI, 2003; FAGUNDES et al., 2007, PEREIRA, 2008, GONZAGA et al., 2011). No interior do fragmento não foram 42 registradas espécies indicadoras, este fato pode estar associado à baixa densidade e dominância de espécies apresentadas neste trecho. Conforme Rizzini (1997) e Gascon et al. (2000) na região sudeste do Brasil as Florestas Estacionais Semideciduais compõem um grande número de pequenos fragmentos, formando um padrão de paisagem típico dessa região, caracterizados por uma alta diversidade florística (LEITÃO FILHO, 1982; OLIVEIRA-FILHO & FONTES, 2000; SILVA & SOARES, 2003), e também uma alta diversidade beta, mesmo entre os fragmentos próximos (WERNECK et al., 2000; CIELO FILHO & SANTIN, 2002). Portanto, os altos índices de diversidade, assim como as diferenças apresentadas entre os trechos, provavelmente estão fortemente relacionados aos distúrbios e a variação ambiental gerada por eles. Os elevados valores de riqueza encontrados nestes trechos enfatizam a importância de conservação deste fragmento, o que é reforçado pelos resultados das curvas espécie-área e os estimadores de riqueza que indicaram que há ainda maior potencial de riqueza de espécies na RPPN Fazenda Fartura. Analisando a estrutura da vegetação observou-se que, em relação à densidade, frequência e dominância das espécies amostradas, destacou-se nos trechos amostrados os altos valores de Siparuna guianensis, que na BP e INT apresentou elevado valor de importância. Esta espécie tem síndrome de dispersão zoocórica (NUNES et al., 2003; PINTO et al., 2005), principalmente por aves e primatas (SIMAS et al., 2001; VALENTINI, 2010), classificada como secundária inicial (SOUZA et al., 2006; MEIRA JUNIOR et al., 2015). Segundo Valentini (2010) esta espécie é de fácil adaptação, ocorrendo em diversos ambientes. Assim sendo, é possível que estas características da Siparuna guianensis possam ser a explicação para o seu sucesso no estabelecimento neste fragmento, o que a torna uma espécie com enorme potencial de uso para recuperação de áreas degradadas na RPPN Fazenda Fartura. Destaca-se também o potencial das espécies Cupania vernalis, Calyptranthes clusiifolia, Campomanesia velutina, Schefflera angustissima, Machaerium brasiliense, Xylopia sericea, Vitex megapotamica e Endlicheria glomerata que se destacaram entre os VI e foram espécies indicadoras nas bordas. Outro aspecto importante a ser considerado é que quando analisada a classificação das dez espécies de maior importância, observou-se que estas não são comuns aos três trechos amostradas, ou seja, as espécies mais importantes em um trecho, em sua maioria, não são as mesmas nas demais. Esse dado indica novamente a elevada variação florística existente entre os trechos. 43 De maneira geral, a amostragem é caracterizada por um maior número de indivíduos finos com baixas alturas e, o fato do menor número de indivíduos terem sido registrados no interior do fragmento, em comparação com os trechos de bordas, influenciou diretamente as variáveis estruturais avaliadas, apresentando, na maioria das comparações, diferenças entre as bordas e o interior. Um aspecto peculiar deste estudo foi o comportamento diferenciado do padrão comumente encontrado para distribuição de diâmetro e altura em que, a curva normal geralmente é encontrada nos gráficos de altura e a curva do tipo J-invertido para distribuição de diâmetro (NAPPO et al., 2005; NARVAES et al., 2005; PAULA et al., 2009; PEREIRA et al., 2015), entretanto, no presente estudo estas se mostram opostas (normal para os diâmetros e em J-invertido para altura). Este fato pode ser o reflexo da ocorrência de ações antrópicas nos trechos que poderiam limitar o estabelecimento dos indivíduos, assim como, da influência do critério de inclusão utilizado que se baseou na altura, além da ocorrência de muitos indivíduos nas primeiras classes e poucos nas maiores classes, o que sugere que a área está em fase de construção, ou seja, avançando no seu processo sucessional (HUSCH et al., 1982; PÉLLICO NETTO & BRENA, 1997; GAMA et al., 2002; MACHADO & OLIVEIRA-FILHO, 2010; REDIN et al., 2011; PEREIRA et al., 2015). De fato, conforme Felfili (1997); Oliveira & Felfili (2005) e Gonzaga et al. (2008b), a dinâmica do ecossistema pode estar associado às elevadas entradas e saídas de espécies com baixa densidade, comuns em ambientes com variados graus de intervenções antrópicas e estágios sucessional, que variam muito em florestas tropicais. No presente trabalho, os dados florísticos e estruturais aqui apresentados sugerem que os trechos estudados se encontram em diferentes estágios sucessional, sendo as bordas os trechos que se encontram em processo mais inicial de sucessão e o interior em estágio mais avançado. A histórica degradação das Florestas Estacionais Semideciduais está reduzindo continuamente os fragmentos dispersos ainda existentes e impactando a biodiversidade nestes ecossistemas (PIMENTA et al., 2011). Tal fato deve estar dificultando ou impedindo o fluxo de organismos, sementes e grãos de pólen, originando áreas isoladas e a diminuição da variabilidade genética (METZGER, 2008). Nos estudos de Ross et al. (2002) é ressaltado que as perturbações passadas e a heterogeneidade ambiental influenciam diretamente a riqueza e composição de espécies principalmente em áreas de fragmentos florestais. Diante de todos os dados e aspectos apresentados neste estudo, é possível que encontremos melhor compreensão dos resultados observados nas pressuposições da Teoria do 44 Distúrbio Intermediário proposta por Connell (1978). Segundo esta teoria a riqueza em espécies será maior nos locais que apresentam distúrbios com intensidade intermediária. Assim sendo, a ocorrência de variações nos níveis de perturbações entre as bordas e interior, associados à heterogeneidade ambiental, podem ter condicionado os padrões florísticos- estruturais das áreas, que de maneira geral, tiveram elevada riqueza e baixa similaridade. Conforme esta teoria, áreas influenciadas por estas características apresentam um aumento na diversidade local e na taxa de substituição de espécies entre locais (CONNELL, 1978; PHILLIPS et al., 2003), assim, justifica-se o fato das bordas terem apresentado valores tanto nos aspectos florísticos quanto estruturais superiores ao interior. 45 5. Considerações Finais Os trechos de estudo apresentam uma alta riqueza com uma baixa similaridade florística entre si. A heterogeneidade ambiental, o histórico de uso e os distúrbios, nos trechos de bordas e de interior do fragmento, são os principais fatores que influenciaram a composição florística, a estrutura e diversidade da regeneração natural na comunidade amostrada. As informações obtidas neste estudo demonstram a grande importância da RPPN Fazenda Fartura para a conservação da biodiversidade do bioma Mata Atlântica, uma vez que estas áreas, que ainda se encontram em processo de sucessão ecológica, apresentaram altíssima riqueza se comparado a outros fragmentos de Floresta Estacional Semidecidual localizados neste bioma. Portanto, entender a dinâmica ambiental deste ecossistema, especialmente do estrato regenerante é fundamental para o manejo e conservação desta reserva, assim como, dar continuidade nos estudos nestes trechos para aprofundar os conhecimentos sobre os aspectos levantados. Como por exemplo, a relação das variáveis ambientais com os padrões florísticos- estruturais dos trechos, a relação do estrato regenerante com o arbóreo, estudos do banco de sementes, dentre outros. 46 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS APERAM BIOENERGIA. Plano de manejo florestal. PME45-0001 v. 07. Página: 2 / 61. 2013. APG III. An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families of flowering plants: APG III. Botanical Journal of the Linnean Society 161: 105- 121. 2009. BAARS, F. J.; GROSSI-SAD, J. H. & FONSECA, E. da. Geologia da Folha Capelinha, Minas Gerais. In: GROSSI-SAD, J. H.; LOBATO, L. M.; PEDROSA-SOARES, A. C. & SOARES-FILHO, B. S. (coordenadores e editores). 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