0 1 Edneila Rodrigues Chaves Túlio Henrique Pinheiro (Organizadores) ___________________________ Caderno de Resumos do I Encontro Nacional – Sociedades Agrárias e Ecodesenvolvimento, 2022: trajetórias e perspectivas do Rural no bicentenário da Independência do Brasil (1822-2022) 1ª Edição Editora UFVJM Diamantina - MG/Br 2023 2 UNIVERSIDADE FEDERAL DOS VALES DO JEQUITINHONHA E MUCURI Reitor Prof. Dr. Janir Alves Soares Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação Prof. Dr. Douglas Santos Monteiro Diretor da Faculdade Interdisciplinar em Humanidades Prof. Dr. Heron Laiber Bonadiman Coordenadora do Programa de Pós-graduação em Estudos Rurais Profª. Drª. Josélia Barroso Queiróz Lima Coordenador do Núcleo de Estudos das Sociedades Agrárias Prof. Dr. Marcos Lobato Martins Comissão Organizadora do Evento Profª. Drª. Edneila Rodrigues Chaves, Coordenadora (UFVJM) Prof. Dr. Marcos Lobato Martins, Coordenador (UFVJM) Me. Túlio Henrique Pinheiro (UFVJM) Ma. Beatriz Roque dos Santos (UFVJM) Ma. Lauanda Lopes de Souza (UFVJM) Nelson Manuel Luís (Discente - UFVJM) Larissa Chaves Pinto (Discente - UFVJM) Prof. Dr. Hebert Canela Salgado (UFVJM) Prof. Dr. Vanderlei de Oliveira Ferreira (UFU) Prof. Dr. Mirlei Fachini Vicente Pereira (UFU) Comissão de Monitores do Evento Discentes - UFVJM Alisson Sousa Rosa Bianca Carolina Soares Bruna Gabriela Santos Souza Caio de Souza Murta Caroline Vitória Cunha Daniele Miranda da Silva Danilo Nascimento Nogueira Geraldo Otávio de Sousa Lourenço Lau dos Santos Ferreira Luana dos Santos Bandeira Maria Eduarda Fernandes Santos Mirely Sheila de Carvalho Mylena Badaró Alvarenga Nathalia da Silva Lopes Thais Barbosa Damaceno Thais Barroso Queiroz Thaynara Sturmer Nunes Brill Yasminn Gusmão Mello 3 Comissão de Transmissão do Evento Discentes – UFVJM Brendon Kawai Silva Coelho Izabella Gama Santos João Pedro Ferreira de Carvalho Joênio Carvalho dos Anjos José Guilherme dos Reis Ferreira Alves Mayra Conceição Meira Silva Rananda da Silva Farias Conselho Editorial Prof. Dr. André Rodrigo Rech (UFVJM) Prof. Dr. Alan Faber do Nascimento (UFVJM) Profª. Drª. Aline Weber Sulzbacher (UFVJM) Prof. Dr. Bruno Novelino Vittoretto (UFVJM) Prof. Dr. Daniel Ferreira da Silva (UFVJM) Prof. Dr. Marcos Lobato Martins (UFVJM) Prof. Dr. Mirlei Fachini Vicente Pereira (UFU) Profª. Drª. Rosana Passos Cambraia (UFVJM) Prof. Dr. Tulio Barbosa (UFU) Prof. Dr. Vanderlei de Oliveira Ferreira (UFU) Local do Evento UFVJM - Campus I Rua da Glória, nº187, centro - Diamantina/MG Promoção do Evento Núcleo de Estudos das Sociedades Agrárias (NESA/PPGER/UFVJM) Programa de Pós-graduação em Geografia (PPGEO/IG/UFU) Apoio Financeiro Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) 4 Capa Mosaico. Reporta-se aos elementos do Ecodesenvolvimento (Social, Econômico, Ecológico). Refere-se a uma alusão à Bandeira Nacional (Brasil) . Edneila Rodrigues Chaves Brendon Kawai Silva Coelho 1ª Edição ISBN: 978-85-7045-068-5 5 Sumário Introdução Sociedades Agrárias e Ecodesenvolvimento: Trajetórias e perspectivas do Rural no bicentenário da Independência do Brasil (1822- 2022)...................................................................................................................................................11 Edneila Rodrigues Chaves Tulio Henrique Pinheiro Programação............................................................................................................................. ........25 I Encontro Nacional - Sociedades Agrárias e Ecodesenvolvimento, 2022: Trajetórias e perspectivas do Rural no bicentenário da Independência do Brasil (1822-2022) Parte I - Mesas-redondas Mesa-redonda: O campo no desenvolvimento brasileiro desde a Independência Usar, gozar e dispor: os direitos de propriedades na invenção da Nação (1808/1824).............................................................................................................................28 Márcia Maria Menendes Motta Qual é o papel do Agronegócio para a economia e a sociedade brasileiras?..............................29 Marco Antonio Mitidiero Junior Mesa-redonda: A agricultura mineira e suas transformações recentes Expansão capitalista no Vale do Jequitinhonha: pautas para a discussão do problema da acumulação primitiva ......................................................................................................................30 Ana Carolina Gonçalves Leite Evolução recente da agropecuária mineira: a importância das políticas públicas aplicadas ao setor ............................................................................................................................. ......................31 Carlos Freitas Mesa-redonda: Turismo, Espaços rurais, Ecodesenvolvimento Possibilidades do Turismo Rural e Ecodesenvolvimento: a realidade do Oeste do Paraná .....32 Rosislene de Fátima Fontana Mesa-redonda: Agricultura, extrativismo e construção social de mercados - alternativa de desenvolvimento local Desenvolvimento local e formação de mercados - cadeia produtiva do marolo (MG) .............33 Marcelo Lacerda Rezende Mesa: Relatos de Experiências Museu Vivo dos Povos Tradicionais (MG) ....................................................................................34 Luciano Dayrell Mesa: Relatos de Experiências O Ensino nas Fazendas experimentais (UFVJM)..........................................................................35 Josimar Rodrigues Oliveira 6 Parte II - Agricultura e Meio Ambiente Descumprimento da função social da terra e meio ambiente no Brasil .....................................37 Thiago da Silva Melo Povos tradicionais, agricultura familiar e as agroindústrias de carne no Oeste Catarinense: breves reflexões e apontamentos ....................................................................................................38 Fabiane Ripplinger Organização social caipira em interface com a agroecologia ......................................................39 Ana Paula Ferreira Dias Marivaldo Aparecido de Carvalho Intercâmbio e troca de saberes entre guardiães de sementes: uma experiência a partir do projeto "Sementes, Agriculturas e Soberania Alimentar para resistir à mineração" ..............40 Juliana Deprá Stelzer Josilaine de Jesus Guimarães Candido Valderes Quintino Silva A construção dos hábitos alimentares: luta e controle pela definição dos alimentos ................41 Fabiano Cordeiro César Estimativa da demanda hídrica do rebanho bovino na porção mineira da bacia hidrográfica do rio Jequitinhonha .......................................................................................................................42 Mychelle Priscila de Melo Vanderlei de Oliveira Ferreira Dinâmica produtiva em comunidades rurais do município de Grão Mogol/MG: um olhar a partir do Projeto Veredas Sol E Lares ..........................................................................................43 Maria Sebastiana Carmindo da Silva Ivana Cristina Lovo Clebson Souza de Almeida Agronegócio descarbonizador, uma forma de superação da agricultura neoliberal? Apontamentos sobre a cafeicultura sul-mineira ...........................................................................44 Rodrigo de Paulo Souza e Silva Agronegócio e fascismo no Brasil do século XXI ..........................................................................45 Tulio Barbosa Energia e produção agrícola no Alto Jequitinhonha: estudo de caso na agricultura família................................................................................................................................................46 Lucas Rocha Santos Eduardo Magalhães Ribeiro Patrícia Oliveira Correia O consumo de energia na agricultura familiar do Alto Jequitinhonha durante estiagens prolongadas ......................................................................................................................................47 Patrícia Oliveira Correia Eduardo Magalhães Ribeiro Lucas Rocha Santo 7 Parte III - Sociedades Rurais: realidades e trajetórias “Em rede do rural ao urbano”: a caracterização do acesso-uso às tecnologias de informação e comunicação no Brasil ....................................................................................................................49 Tamires Lopes Pereira A cobertura da mídia sobre ensino remoto no meio rural no decorrer da pandemia da COVID-19.........................................................................................................................................50 Andreza Teixeira Guimarães Stampini O Rádio: Expressão da Complexidade e Interdisciplinaridade ..................................................51 Joênio Carvalho dos Anjos Marivaldo Aparecido de Carvalho Uma reflexão sobre o Jornal Geraes a partir de uma ótica Gramsciana.......................................................................................................................................52 Nagib Aouar Claudino Círculos Concêntricos: a construção da arquitetura silenciosa da violência patriarcal ....,,.....53 Josélia Barroso Queiroz Lima Nilma Lino Gomes Panorama atual da floricultura fluminense: um olhar sobre efeitos da pandemia da Covid-19 na rede de produção e comercialização de flores e plantas ornamentais do estado do Rio de Janeiro...............................................................................................................................................54 Jorge Luiz costa S. Reis “Atenas do Norte”, cidade afazendada: a intrusão do rural na Diamantina dos séculos XIX e XX .....................................................................................................................................................55 Sofia Lobato de Alcântara Martins Marcos Lobato Martins O Mercado Municipal de Diamantina: produção rural, comércio e abastecimento, 1922- 1931....................................................................................................................................................56 Angelo Alves Carrara Proprietários e propriedades rurais no Ribeirão Setúbal e Contrato: uma análise do RPT de São João Batista, 1855-1857 ............................................................................................................57 Rhayane Cristine Dos Santos Terras, produção agrícola e a dimensão do agrário no Termo da Vila do Rio Pardo (Minas Gerais, sec. XIX) .......................................................................................................................... ....58 Edneila Rodrigues Chaves Aspectos da cultura material e da vida rural em Alfenas, MG (1855-1897) ..............................59 Marcos Lobato Martins Sofia Lobato de Alcântara Martins 8 Os impactos socioambientais de grandes empreendimentos no campo: breves reflexões sobre a UHE Estreito (MA)...........................................................................................................................60 Hugo Noleto da Silva Fabiane Ripplinger Renata Vieira de Melo Sindicalização de trabalhadores rurais e assistência à saúde - Diamantina, Minas Gerais, 1970-1985............................................................................................................................. ..............61 Túlio Henrique Pinheiro Edneila Rodrigues Chaves Mulheres Camponesas & Cadernetas Agroecológicas: desvelando o trabalho das mulheres...62 Ana Alice França da Silva Gomes Elizete Pires de Sena Ivana Cristina Lovo Trajetórias e conflitos: movimento camponês e formação socioespacial de Ivinhema-MS.......63 Thiago da Silva Melo Resistências e existências camponesas em espaços hegemônicos do agronegócio......................64 Rosselvelt José Santos Vitória Marques Barbosa Aspectos socioeconômicos, estudo, trabalho e uso de tecnologias: a realidade dos jovens rurais de Guiricema-MG ............................................................................................................................65 Andreza Teixeira Guimarães Stampini Neide Maria de Almeida Pinto Joyce Keli do Nascimento Silva Possibilidades e limites das políticas públicas para a agricultura familiar: O PAA e o PNAE no Assentamento Dois de Junho, Olhos D’Água-MG ..................................................................66 Suzana Graziele de Souza Mirlei Fachini Vicente Pereira A inserção da agricultura familiar no contexto do agronegócio cafeeiro na mesorregião Sul/Sudoeste do Estado de Minas Gerais: características e contradições...................................67 Renata Vieira de Melo A mineração nas comunidades rurais do Médio Jequitinhonha: abordagem preliminar para compreensão das novas roupagens dos projetos minerários........................................................68 Albér Carlos Alves Santos Desenraizamentos, continuidades e reconversões sociais no mundo do trabalho das estâncias na região da Campanha sul-rio-grandense....................................................................................69 Francis Casagranda Zanella O papel da moradia como instrumento de controle político: olhares para a América Latina, ênfase no Brasil............................................................................................................................. ....70 Gessica Steffens Aline Weber Sulzbacher 9 O lidar feminino com a terra...........................................................................................................71 Marcela Tomaz Silva Fernandes Rosselvelt José Santos Parte IV - Extrativismo, Cultura e Desenvolvimento O papel das mulheres na proteção do bioma Pantanal.................................................................73 Gabriele Araujo Gomes Danielle De Ouro Mamed Pescadores na Bacia do Jequitinhonha, séculos XIX-XX ............................................................74 Lauanda Lopes de Souza Marcos Lobato Martins Os senhores da economia no nordeste mineiro: articulações entre mineração e agricultura no Vale do Jequitinhonha oitocentista.................................................................................................75 Marcos Lobato Martins A terra e as minas: conflitos territoriais no semiárido mineiro...................................................76 Izabella Aléxia Carneiro Santos Aline Weber Sulzbacher A paralização do garimpo e a COOPERGADI -Diamantina/MG (1989-1996)..........................77 Gerfeson Carvalho dos Santos Edneila Rodrigues Chaves Parte V - Territórios Rurais e Ecodesenvolvimento Problemática do meio rural brasileiro: cenário atual e novas perspectivas ..............................79 Thainara Dutra Tôrres Lauanda Lopes de Souza Agricultura urbana: ruralidades na cidade e a conexão sustentável entre o direito ambiental e o direito urbanístico ........................................................................................................................80 Leonardo de Freitas Gonçalves O espaço periurbano e suas pluriatividades no bairro de Tinguá - Nova Iguaçu-RJ ...............81 Renata Fernandes Teixeira Diversidade na paisagem rural fluminense como importante fator de desenvolvimento sustentável no Estado do Rio de Janeiro .......................................................................................82 Sérgio Monzato de Freitas Júnior Governança local, inovação rural e a agricultura multifuncional no Rio de Janeiro metropolitano ...................................................................................................................................83 Felipe da Silva Machado 10 Introdução 11 Sociedades Agrárias e Ecodesenvolvimento: Trajetórias e perspectivas do Rural no bicentenário da Independência do Brasil (1822-2022)1 Edneila Rodrigues Chaves2 Tulio Henrique Pinheiro3 Introdução Neste capítulo, apresenta-se o Encontro Nacional - Sociedades Agrárias e Ecodesenvolvimento em sua 1ª edição, ocorrida em 2022. Aborda-se o Evento em sua caracterização e em demais informações, como público-alvo, objetivos, atividades e resultados. Dentre as atividades realizadas, como será demonstrado, constou a atividade Sessões Temáticas, denominadas de Agricultura e Meio Ambiente, Sociedades Rurais: realidades e trajetórias; Extrativismo, Cultura e Desenvolvimento; e Territórios Rurais e Ecodesenvolvimento. No âmbito dessas Sessões, foram apresentados trabalhos por seus respectivos autores, participantes do Evento, cujos resumos estão reunidos na presente publicação, que é intitulada Caderno do I Encontro Nacional – Sociedades Agrárias e Ecodesenvolvimento, 2022: trajetórias e perspectivas do Rural no bicentenário da Independência do Brasil (1822-2022). Consta-se também parte dos resumos das palestras, proferidas nas mesas-redondas. Desse modo, o capítulo abre a publicação com a abordagem sobre o Evento, seguido dos resumos dos trabalhos. Estes estão dispostos por mesas- redondas e por sessões temáticas, em seus eixos de conteúdos comuns e transversais à abordagem do Evento. Segue-se também a identificação dos autores. Sociedades Agrárias e Ecodesenvolvimento: o Evento e sua caracterização O Encontro Nacional - Sociedades Agrárias e Ecodesenvolvimento é um evento acadêmico e científico do Núcleo de Estudos das Sociedades Agrárias, vinculado ao PPG Estudos Rurais, da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (NESA- PPGER/FIH/UFVJM). A 1 Este texto está publicado nos Anais do I Encontro Nacional - Sociedades Agrárias e Ecodesenvolvimento, 2022 (ENCONTRO NACIONAL – SOCIEDADE AGRÁRIAS E ECODESENVOLVIMENTO, 1., 2022, Diamantina. Anais do I Encontro Nacional - Sociedades Agrárias e Ecodesenvolvimento, 2022: trajetórias e perspectivas do Rural no bicentenário da Independência do Brasil (1822-2022). Diamantina: UFVJM, 2023). 2 Edneila Rodrigues Chaves, doutora em História, professora adjunta da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, no curso de História e no Programa de Pós-graduação em Estudos Rurais (História - PPGER - FIH/UFVJM). 3 Túlio Henrique Pinheiro, mestre em Estudos Rurais pelo Programa de Pós-graduação em Estudos Rurais (PPGER/UFVJM), professor da educação básica no Colégio Tiradentes da Polícia Militar de Minas Gerais. 12 abordagem do Evento é sobre sociedades agrárias e ecodesenvolvimento, no campo dos Estudos Rurais e de caráter interdisciplinar. A conceituação de ecodesenvolvimento se situa dentre as concepções teórico-metodológicas que interpretam, de formas distintas, a crise ambiental global (FERREIRA; ROSA, 2021). Na década de 1970, verificou-se uma condensação de elementos de debates anteriores na indicação para a relativização do antropocentrismo economicista na conceituação de desenvolvimento. Foi nessa conjuntura que o termo ecodesenvolvimento foi utilizado por Maurice Strong na Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento e Meio Ambiente Humano (Estocolmo, 1972). Ignacy Sachs tornou-se o principal expoente do conceito. Passou-se a discutir questões relativas ao caráter dependente do desenvolvimento, aos desafios climáticos e populacionais, aos problemas da água, do ar, da agricultura, da perda de biodiversidade e demais questões inseridas nos debates sobre o desenvolvimento global. (MONTAVONELI, 2007). Nos termos da elaboração do conceito de ecodesenvolvimento por Sachs, o desenvolvimento deveria atender às necessidades das gerações presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras de também satisfazerem suas necessidades. Desse modo, os pilares do ecodesenvolvimento são expressos nos elementos prudência ecológica, eficiência econômica e equidade social. Para sua operacionalização, ressaltam-se: necessidade de conhecimento das culturas e dos ecossistemas; verificação de como as populações se relacionam com o ambiente e de suas estratégias para o enfrentamento dos dilemas cotidianos, bem como da necessidade de envolvimento delas nas proposições para superação dos desafios de suas realidades locais (SACHS, 1986; LAYRARGUES, 1997; MANTOVANELI Jr., 2007). No que se refere à expressão desenvolvimento sustentável, Montavoneli Jr. (2007) argumenta que ela proporcionou maior popularização da questão ambiental. No entanto, a expressão abrange caráter polissêmico. Tem-se a compreensão que no “guarda-chuva” do desenvolvimento sustentável abrigam-se desde os críticos das noções de evolucionismo e modernidade aos defensores do “capitalismo verde”, que utilizam a conceituação de desenvolvimento sustentável em uma recuperação da ideia de progresso e na crença no avanço tecnológico, em que a economia é o motor da reprodução social. Acomodam-se também atores que defendem um modo de desenvolvimento que seja “socialmente justo, economicamente viável, ecologicamente sustentável e culturalmente aceito” (ALMEIDA, 1997). Esta última compreensão tem correspondência com o conceito de ecodesenvolvimento, como proposto por Sachs (1986). Assim, são nesses termos que se fundamenta a concepção de desenvolvimento no âmbito do Evento Sociedades Agrárias e Ecodesenvolvimento: “um desenvolvimento socialmente justo, economicamente viável, ecologicamente sustentável e culturalmente aceito” para as sociedades agrárias. 13 O Evento foi inaugurado em 2022 e é de abrangência nacional. A 1ª edição foi realizada entre 21 e 25 de novembro de 2022, em dependências da UFVJM - Campus JK, Diamantina/MG e promovida pelo NESA, em parceria com o PPG em Geografia, da Universidade Federal de Uberlândia (PPGEO/IG/UFU), e intitulada Trajetórias e perspectivas do rural no bicentenário da Independência do Brasil (1822-1922). O bicentenário da Independência do Brasil constituiu-se em marco temporal relevante para reflexões e debates nacionais sobre a conformação do Brasil em diferentes processos e dimensões e em longa duração, bem como para apresentação de proposições, consoante conformações estabelecidas no País. Nessa conjuntura, a temática do rural, alinhada ao NESA, ao PPG Estudos Rurais/UFVJM e ao PPGEO/UFU foi a abordagem que norteou a proposta da edição inaugural do Evento, em 2022. Quanto ao público-alvo, ele foi constituído de estudantes de pós-graduação e de graduação, de pós-graduados, de graduados, de professores de instituições científicas e de professores da Educação Básica, vinculado a diferentes áreas do conhecimento e interessado pelo campo dos Estudos Rurais, em diálogos interdisciplinares. O objetivo principal do Evento foi o de promover atividades acadêmicas e científicas, no campo dos Estudos Rurais, que contribuam para os debates e para a divulgação científica neste campo de estudos. Já os objetivos específicos foram: promover debates sobre traços históricos e contemporâneos do rural no Brasil, em perspectiva interdisciplinar e por ocasião do marco temporal do bicentenário da Independência do Brasil; promover reflexão crítica sobre o conhecimento produzido sobre as sociedades agrárias e em interface com o enfoque para o ecodesenvolvimento, bem como fomentar a geração de novos conhecimentos; oferecer formação complementar, de viés interdisciplinar, a discentes de cursos de pós-graduação, de graduação e a professores da educação básica; promover diálogo com representações sociais; contribuir no âmbito da discussão de políticas públicas, na esfera do rural; divulgar os conteúdos do Evento, na perspectiva de divulgação científica e de popularização do conhecimento científico e dos demais conhecimentos que foram veiculados; realizar atividades e em interface com a ação de inserção social do NESSA, do PPG Estudos Rurais e da UFJM. Estes objetivos se constituíram em propósitos relevantes para o NESA, o que justificou a realização da primeira edição do Evento. As atividades do Encontro foram propostas em alinhamento com objetivos referidos. Em 05 dias, realizaram-se: 07 mesas-redondas, com 14 palestras e em duas categorias (palestras de estudos científicos e de relatos de experiências); 04 sessões temáticas que abrangeram 08 mesas, nas quais foram apresentados 44 trabalhos de participantes do Evento; 01 sessão de divulgação de livros; e 03 intervenções culturais. Quanto aos resultados do Evento, eles serão apresentados a seguir nos quesitos público-alvo, atividades e divulgação de conteúdos. 14 O Evento e seus resultados Em se tratando do público-alvo, contou-se com a participação de 355 pessoas, conforme inscrições confirmadas, dentre as categorias de público esperadas, como referidas acima. Considera- se um número satisfatório de participantes inscritos, visto que se mensurou a participação de 200 pessoas, superando-se a estimativa de público. Tendo em vista a abrangência nacional do Evento, houve participantes inscritos da maioria dos Estados do Brasil, como segue, por regiões: Sudeste (Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo); Centro-Oeste (Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul); Nordeste (Bahia, Sergipe, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí); Norte (Amazonas, Pará); Sul (Santa Catarina, Rio Grande do Sul). A ampla abrangência espacial do público deveu-se à profícua divulgação do Evento, com uso de recurso a mídias sociais institucionais (NESA, PPG Estudos Rurais, UFVJM, PPGEO/UFU). Recorreu-se também a divulgação do Evento em material impresso. Outro quesito que favoreceu a participação do público foi o formato das atividades do Encontro, que foram oferecidas em dois tipos: presencial e remoto. O canal do PPG Estudos Rurais no You Tube4 foi utilizado para a transmissão das atividades, em atendimento ao público que teve participação espacialmente remota. Ademais, as atividades do Evento foram abertas para todos os interessados na temática pautada. No que se referem às atividades realizadas, as palestras das mesas-redondas relativas a estudos científicos foram proferidas por professores pesquisadores das seguintes instituições, circunscritas em nível nacional: Unimontes, UNIFAL, UFF, UFRRJ, UFPB, UFPE, UnB e Unioeste-PR. Versaram-se sobre: 1) o campo no desenvolvimento brasileiro desde a Independência; 2) a agricultura mineira e suas transformações recentes; 3) turismo, espaços rurais, ecodesenvolvimento; 4) agricultura, extrativismo e construção social de mercados - alternativa de desenvolvimento local. Na mesa O campo no desenvolvimento brasileiro desde a Independência, em perspectiva histórica e contemporânea, a Profª Drª Márcia Maria Menendes Motta (UFF) abordou sobre direitos de propriedade e o acesso à terra, nas conjunturas da transferência da Corte (1808), da Independência (1822), da Constituinte (1823) e da Carta Outorgada (1824), com análise para as propostas de reformulação da estrutura fundiária, em interface com as tensões no âmbito da consolidação da visão liberal de propriedade individual e da construção social de usurpação de terras. O Prof. Dr. Marco Antonio Mitidiero Jr. (UFPB) versou sobre o papel do agronegócio para a 4 Canal do PPGER no You Tube: https://www.youtube.com/@estudosrurais/streams 15 economia e sociedade brasileiras. Tendo em vista a conjuntura de imposição de massivo discurso midiático de que o agronegócio é o salvador da economia, expôs-se análise com contra-argumentos de que esse setor econômico não é tech, não é pop e não salva economia nacional; ao contrário, é um setor responsável por pesado ônus para o Estado e sociedade brasileiros. Em A agricultura mineira e suas transformações recentes, a Profª Drª Ana Carolina Gonçalves Leite (UFPE) expôs, nessa Mesa, sobre as modalidades de apropriação de terras camponesas, em processos de expansão capitalista, em interpretação com recurso ao conceito marxiano de acumulação primitiva e com a problematização de estudos sobre expropriações de terras por empresas (décadas de 1960, 1970 e 1980), bem como com análise para o papel da acumulação primitiva na modernização brasileira (Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, Brasil). O Prof. Dr. Carlos Freitas (UFRRJ) tratou das políticas públicas agrícolas em sua relevância para a evolução recente da agropecuária brasileira, ao favorecer sua ampliação, via modernização das estruturas produtivas; em análise para o destaque do Estado de Minas Gerais na consolidação dessas políticas e para as limitações e desafios do setor, tendo em vista que produtores de pequeno porte ficaram de fora ou tiveram acesso limitado ao processo de modernização e ampliação agrícola. Na mesa Turismo, Espaços rurais, Ecodesenvolvimento, a Profª Drª Rosislene de Fátima Fontana (Unioeste-PR) versou sobre o espaço rural na perspectiva das transformações das atividades tradicionais rurais e da emergência de novos valores e formas de produção e de trabalho, incluindo-se a atividade turística. Analisou-se que preceitos do ecodesenvolvimento têm embasado o desenvolvimento do turismo no espaço rural e que agricultores tem promovido a atividade turística como fonte de renda, em alinhamento com o desenvolvimento sustentável e com benefícios sociais e culturais. O Prof. Dr. Carlos Dayrell (Unimontes) colocou “em discussão as perspectivas dos povos do lugar”, com análise para a diversidade sociocultural do campesinato do Norte de Minas Gerais e do Semiárido mineiro, para suas economias referenciadas na racionalidade ambiental e mediadas pela cultura. Pôs-se em discussão sobre os desafios para políticas e para ações relacionadas ao turismo, tendo em vista a premissa que se reconheça os povos do lugar como sujeitos e protagonistas dos processos. Por fim, em Agricultura, extrativismo e construção social de mercados: alternativa de desenvolvimento local, o Prof. Dr. Marcelo Lacerda Rezende (UNIFAL) versou-se sobre desenvolvimento local e formação de mercados, no âmbito das atividades da cadeia produtiva do marolo (região sul/MG). Nessa Mesa, Rezende demonstrou que a mobilização de produtores rurais, de pesquisadores, de extensionistas e do poder público viabilizaram o recurso ‘marolo’ como uma fonte de trabalho e de renda e para a comunidade local, com garantia de desenvolvimento sustentável. Compreende-se que especificidades locais são fundamentais para a implantação de 16 políticas públicas, formatadoras do desenvolvimento social, econômico e ambientalmente viável. O prof. Dr. Armando Fornazier (UnB) abordou sobre cadeias agroalimentares curtas e redes alternativas de alimentos. Expôs-se sobre sistemas agrolimentares locais e cadeias agroalimentares curtas nos aspectos de alternativas de produção, de valorização de alimentos locais (qualidade e atributos social e ecológico), de políticas públicas, de fornecimento de alimentos, de mercados e de agricultura sustentável. Entende-se que os sistemas agroalimentares locais devem se compor de segmentos socialmente comprometidos, para fortalecer as atividades produtivas, em uma melhoria da qualidade de vida dos agricultores, bem como para fortalecer outros arranjos produtivos locais, como o turismo. Sobre as mesas-redondas de relatos de experiências sociais institucionais, as palestras foram proferidas por membros de instituições da sociedade civil regional. Desse modo, representantes do Museu Vivo dos Povos Tradicionais (MG), do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST/Norte-MG), do Centro de Agricultura Alternativa (CAA/Norte-MG) e da Cooperativa Dedo de Gente (Curvelo-MG) relataram sobre trajetórias, ações e projetos das instituições respectivas. Houve também a participação de instituições públicas, com relatos sobre o ensino experimental na área das Ciências Agrárias (UFVJM) e sobre ciência e política, campo e cidade, com enfoque para cultura, turismo e patrimônio cultural (Prefeitura Municipal, Peçanha-MG). Na mesa Museu Vivo dos Povos Tradicionais de Minas Gerais, Luciano Santos Dayrell apresentou o projeto do Museu, cujo objetivo é de preservar e de reconhecer o legado cultural de povos tradicionais mineiros. Trata-se de um projeto multimídia, com espaço virtual e espaço museológico físico. Foram realizadas amostras de vídeos e de fotografias realizados no âmbito do projeto. Nos materiais, analisaram-se afirmações de identidades, com destaque para forças, belezas e lutas dos povos tradicionais. Evidenciam-se histórias de homens e de mulheres, na perspectiva de restituição da memória de resistência das comunidades, em prol da proteção do cerrado e outros biomas de Minas Gerais. Em uma segunda mesa-redonda de relatos de experiências, versaram-se sobre: o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST/Norte-MG), o Centro de Agricultura Alternativa (CAA/Norte-MG) e o ensino experimental na área das Ciências Agrárias (UFVJM). Para o MST/Norte-MG (regional), Samuel Costa relatou sobre o histórico das lutas camponesas, as ações de solidariedade na pandemia COVID-19 e a produção de alimentos no campo. Para o CAA/Norte-MG, também regional, Daniel Costa expôs sobre o histórico da instituição e suas atuações na: formação política e agroecológica; manutenção e disponibilização hídrica, aliadas à conservação e uso sustentável; regularização fundiária; respeito e valorização de culturas dos povos tradicionais. Na sequência, Josimar Rodrigues Oliveira relatou sobre o ensino experimental nos 17 cursos de graduação e de pós-graduação, na área das Ciências Agrárias (UFVJM). O destaque foi para as Fazendas Experimentais da instituição, que têm espaços potenciais de formação, na realização de práticas e de vivências rurais. Nessas Fazendas, ações de extensão também são promovidas, em integração entre Universidade e sociedade. Por fim, a mesa-redonda com a participação de representantes do setor de cultura, turismo e patrimônio cultural (Prefeitura Municipal, Peçanha-MG) e da Cooperativa Dedo de Gente (Curvelo- MG). Filipe de Oliveira Maciel expôs sobre ciência, política e população, em interface com as relações campo e cidade. Relatou-se sobre a experiência com a produção de conhecimento no campo dos Estudos Rurais, em nível de curso de mestrado (PPG Estudos Rurais/UFVJM) e o processo de tradução e de impacto desse conhecimento na gestão pública, em setores de cultura, turismo e patrimônio cultural (Peçanha-MG). Pedro Teixeira Marques apresentou a Cooperativa Dedo de Gente em seu histórico e os projetos em andamento. Relatou-se sobre a experiência da Cooperativa no seu propósito de gerar possibilidades inovadoras de desenvolvimento humano e profissional ao segmento de jovens, em perspectiva de transformação social e em interface com os valores da cultura sertaneja, por meio do artesanato, de oficinas de arte e de ofícios artesanais. Os conteúdos das palestras das mesas-redondas, em perspectiva interdisciplinar, qualificaram de forma profícua os debates respectivos sobre a temática do rural no Brasil, consoante recorte temporal definido. Os debates favoreceram reflexões sobre o conhecimento científico, o conhecimento sobre experiências sociais, bem como sua divulgação favoreceu a formação complementar.Favoreceram-se o estabelecimento de interlocuções entre os palestrantes e o público participante e proporcionou-se o diálogo entre a Universidade e as instituições sociais, em consonância com o princípio de inserção social do NESA, do PPG Estudos Rurais e da UFVJM. No que se referem às sessões temáticas, elas foram propostas para apresentações de trabalhos de participantes do Evento. Verificou-se boa recepção para a submissão de textos completos, para as seguintes sessões: Agricultura e Meio Ambiente; Sociedades Rurais: realidades e trajetórias; Extrativismo, Cultura e Desenvolvimento; e Territórios Rurais e Ecodesenvolvimento. Primeiramente, na sessão temática Agricultura e Meio Ambiente, receberam-se trabalhos com abordagens para: relações entre agropecuária, agroindústrias e meio ambiente; efeitos socioambientais das atividades rurais; alternativas de exploração rural sustentáveis; movimentos sociais rurais e em interface com questões ambientais; representações sobre a natureza entre populações rurais; desafios no campo frente ao acelerado processo contemporâneo de mudanças climáticas. Em Agricultura e Meio Ambiente foram apresentados 11 trabalhos em 02 Mesas, conforme enfoques definidos para a Sessão. Na primeira Mesa, as exposições e debates foram sobre: função 18 social da terra, conservação do meio ambiente e em contraposição à concentração fundiária; povos tradicionais, agricultura familiar, agroindústrias de carne e impactos social e ambiental (Oeste Catarinense-SC); agroecologia, sistemas alimentares, cultura caipira e produção sustentável; sementes, agricultura e soberania alimentar e em resistências às ameaças da mineração (relato de experiência); permanências e mudanças de hábitos alimentares na conjuntura da modernização agrícola. Quanto à segunda Mesa, nela incluíram-se apresentações e discussões sobre: consumo de água do setor pecuário em condições de escassez de recurso hídrico (bacia hidrográfica do Rio Jequitinhonha-MG); dinâmica produtiva e dinamização de relações mercantis, em interface com o acesso à energia elétrica (Grão Mogol-MG); agronegócio descarbonizador, responsabilidade socioambiental, Mercado de Carbono e capitalismo sustentável (cafeicultura, Sul-MG); crítica ao agronegócio brasileiro em suas matrizes escravocratas e em detrimento de direitos; uso e manejo de energia na agricultura familiar para produção e beneficiamento de alimentos (Alto Jequitinhonha- MG); consumo de energia na agricultura familiar em estiagens prolongadas (Alto Jequitinhonha- MG). Logo, os assuntos destacados foram: segmentos sociais, questão fundiária, diferentes tipos de agricultura, sementes, produção, alimentação, mercado, pecuária, recursos hídricos, energia elétrica e meio ambiente. Na sequência, a sessão Sociedades Rurais: realidades e trajetórias abarcou trabalhos com abordagens para: estruturas e dinâmicas de sociedades e de comunidades rurais, em perspectivas diacrônica e sincrônica; sistemas agrários; dimensões do cotidiano e do imaginário de grupos sociais rurais; conflitos e movimentos sociais no campo; características demográficas; deslocamentos de populações rurais; capital e trabalho nos espaços rurais contemporâneos; política e atitudes políticas no campo; diversidade, inovação e mudança nas sociedades rurais. Isso em aderência aos campos da antropologia rural, da sociologia rural, da história agrária e da geografia agrária. Consoante ementa de Sociedade Rurais, 23 trabalhos foram apresentados, em 04 Mesas e com exposições e respectivos debates, conforme abordagens a seguir. Exposições e debates da 1ª Mesa: acesso às tecnologias de informação e comunicação no Brasil (TIC) em relação à diferenciação entre o meio rural e o urbano; cobertura da mídia sobre ensino remoto no meio rural (pandemia da COVID-19); o papel do Rádio na construção das representações de mulheres e de homens do campo; Jornal Geraes e militância política, em ótica Gramsciana (Vale do Jequitinhonha-MG); o papel social da Igreja Católica na construção da racialidade branca, do mito da democracia social e do sistema de dominação patriarcal; floricultura fluminense, produção, comercialização, consumo e os efeitos da pandemia COVID-19. Exposições e debates da 2ª Mesa: o processo de urbanização de Diamantina e as imbricações entre “urbano” e “rural” (MG); o Mercado 19 Municipal de Diamantina, produção rural, comércio e abastecimento (MG, 1922-1931); propriedades, proprietários e redes de sociabilidade (São João Batista, Minas Novas-MG, 1855- 1857,); terras, produção agrícola e configuração agrária (Rio Pardo-Minas Gerais, sec. XIX); cultura material, propriedades e vida rural (Alfenas-MG, 1855-1897); impactos socioambientais de grandes empreendimentos no campo, Usina Hidrelétrica de Estreito (MA). Exposições e debates da 3ª Mesa: sindicalização de trabalhadores rurais e suas percepções sobre o acesso aos serviços de saúde oferecidos pelo Sindicato (Diamantina-MG, 1970-1985); mulheres camponesas, trabalho, agrosociobiodiversidade, em conflitos com a mineração; movimento camponês, trajetórias, conflitos e formação de espaço social agrário (Ivinhema-MS); resistências e existências camponesas em espaços territoriais hegemônicos do agronegócio; jovens rurais, aspectos socioeconômicos, estudo, trabalho e uso de tecnologias (TIC) (Guiricema-MG). Exposições e debates da 4ª Mesa: desafios e possibilidades de políticas públicas de valorização da agricultura familiar, o PAA e o PNAE (Assentamento Dois de Junho, Olhos D’Água-MG); agricultura familiar no contexto do agronegócio cafeeiro, características e contradições (mesorregião Sul/Sudoeste de Minas Gerais); projetos minerários e impactos sobre populações e territórios (Médio Jequitinhonha/MG); reprodução social de trabalhadores das estâncias na região da Campanha sul- rio-grandense frente às mudanças estruturais no mundo rural brasileiro (Sec. XX); moradia, controle político e desafios de direito à moradia para populações atingidas por barragens (Brasil, América Latina); protagonismo feminino na agroecologia. Desse modo, os trabalhos ressaltaram: segmentos sociais, espaços social e político rurais, questão fundiária, sindicalismo rural, cultura material, moradia, tecnologias, ensino, meios de comunicação, diferentes segmentos de agricultura, mineração, trabalho, produção, comercialização, abastecimento, empreendimentos, impactos socioambientais, pandemia COVID-19 e políticas públicas. A sessão temática Extrativismo, Cultura e Desenvolvimento, por sua vez, circunscreveu trabalhos com investigações sobre culturas extrativistas tradicionais, os modos de trabalho e territórios de vida, suas relações com os padrões de acumulação e modernização capitalistas; sobre os padrões do chamado neoextrativismo e do capitalismo de espoliação, bem como seus efeitos; sobre mineração de pequeno porte e comunidades extrativas, suas novas práticas e formas de organização, seu papel na busca do desenvolvimento territorial e com foco para a mineração, extrativismo animal e vegetal, em distintas escalas de produção e de abrangência espacial. Em alinhamento à proposição de enfoques para Extrativismo, Cultura e Desenvolvimento, 05 trabalhos foram apresentados, em 01 Mesa da Sessão, com as abordagens que seguem: papel das mulheres na proteção do bioma Pantanal e garantia de seus direitos fundamentais; pescadores e pesca artesanal na Bacia do Jequitinhonha (Sec. XIX-XX); atividades agropecuárias e minerárias na 20 trajetória de negócios de famílias proprietárias de grandes fortunas e de influência política (MG, sec. XIX); questão agrária, mineração e conflitos territoriais (Semiárido-MG); a Cooperativa Regional de Garimpeiros de Diamantina (COOPERGADI, MG) frente à regulação e paralização do garimpo (Dec. 1980-1990). Condensaram-se discussões sobre segmentos sociais, questão fundiária, bioma, agropecuária, pesca, mineração, conflitos territoriais, cooperativa de garimpeiros. Por fim, a sessão temática Territórios Rurais e Ecodesenvolvimento visou trabalhos sobre territórios, desenvolvimento territorial, sustentabilidade e com enfoques para interações campo e cidade, para iniciativas do poder público e da sociedade civil, em projetos e programas de desenvolvimento rural, em municípios de pequeno e de médio portes, para seus resultados, para desafios e para perspectivas. Abrangeram-se também trabalhos com abordagens sobre as intersecções entre políticas de patrimônio natural e de turismo e modos de vida de populações por elas afetadas, as suas formas de implantação, os conflitos e as resistências que suscitam diálogos e arranjos de gestão participativa que as ensejaram. No total, 05 trabalhos foram apresentados na sessão Territórios Rurais e Ecodesenvolvimento, em 01 Mesa e em coerência com os enfoques da Sessão. As abordagens e discussões foram para: questão agrária e problemáticas do meio rural; agricultura urbana em conexão sustentável entre o direito ambiental e o direito urbanístico; espaço rural persistente e pluratividade (Nova Iguaçu-RJ); interação rural-urbana, agricultura multifuncional e inovação rural (Rio de Janeiro metropolitano-RJ); espaço rural fluminense, pluriatividade e desenvolvimento sustentável (RJ). Assim, as discussões destacam sobre dimensão do agrário, sustentabilidade e agroecologia, agricultura urbana, pluriatividade, multifuncionalidade, inovação rural, desenvolvimento sustentável, ecodesenvolvimento. Quanto aos autores que apresentaram os trabalhos nas sessões temáticas, os níveis de formação deles são diversos, consoante público-alvo diferenciado. Apresentaram-se trabalhos autores em níveis de doutorado, de mestrado, de graduação, bem como estudantes doutorandos, mestrandos, graduandos. Sobre os seus vínculos institucionais, eles são de diferentes instituições em nível nacional e com a predominância de autores de instituições em nível estadual, quais sejam: Minas Gerais: UFVJM (instituição sede do Evento), UFU (instituição parceira do Evento), Unimontes, UFMG, UFOP, UFJF, UFV, UNIFAL, Escola Estadual Dom Aristides Porto/Montes Claros e Colégio Tiradentes da PMMG/Diamantina; Rio de Janeiro: UFRRJ, UFRJ, UERJ, PUC- Rio; Mato Grosso do Sul: UFMS, UEMS; Santa Catarina: UFSC. A diferenciação no nível de formação dos autores dos trabalhos foi traço característico na composição das mesas dessa categoria de atividade. Isso favoreceu, de um lado, profícuas interlocuções e processos formativos; de outro lado, as sessões temáticas proporcionaram a veiculação e debates de pesquisas e de estudos 21 relacionados a objetos e problemas diversos, na temática do rural, e relacionados a sociedades regionais do País. No que se refere às atividades culturais, foram realizadas 01 sessão de divulgação de livros e 03 intervenções culturais. A divulgação de livros abrangeu obras com estudos para o campo dos Estudos Rurais, em escala nacional e regional, e obras de literatura. A atividade configurou em espaço de divulgação de livros, de sorteio de livros e de interação entre os participantes. Quanto às intervenções culturais, constituiu-se uma categoria de atividade que abrilhantou o Evento no aspecto da apreciação e valorização da arte e da cultura. Shows musicais foram apresentados pelos artistas: Vinicius Reiser (Voz e violão), Narjara Fonseca Souza e Beto Moreno (Encantos do Vale do Jequitinhonha: voz e violão), Wander da Conceição (Preciosidades). Em se tratando da abordagem para políticas públicas, os resultados contributivos são verificados em 03 mesas-redondas, conforme segue: A agricultura mineira e suas transformações recentes, Turismo, Espaços rurais, Ecodesenvolvimento e Agricultura, extrativismo e construção social de mercados. Na primeira Mesa, demonstrou-se o papel fundamental das políticas públicas agrícolas nas transformações recente da agropecuária em nível nacional e para Minas Gerais, em termos de apoio à produção agropecuária, para sua ampliação e seu fortalecimento. Pautou-se o debate sobre as limitações observadas para essas políticas, com contribuição ao destacar sua evidência e sua relevância para o setor agropecuário e ao pontuar aspectos adversos, com fins de aprimoramento na aplicação das políticas e em seu viés social. Na segunda Mesa, pôs-se “em discussão as perspectivas dos povos do lugar”, em se tratando do segmento do campesinato do Norte de Minas Gerais e do Semiárido mineiro e em sua diversidade sociocultural. As contribuições são verificadas para a formulação de políticas públicas na área do turismo, para que se considere, na elaboração das políticas, a proposição que se devem reconhecer os povos do lugar nos aspectos de sujeitos e de protagonistas. Por fim na terceira mesa, a temática políticas públicas foi tratada em dois enfoques. Primeiramente, o enfoque foi para o desenvolvimento local e formação de mercados, no âmbito da cadeia produtiva do marolo (região sul/MG). Verificou-se a potencialidade do marolo em favorecer fonte de trabalho e de renda locais. Nestes termos, contribui-se com indicação de fundamentos para a formulação de políticas públicas ao pontuar que se devem considerar as especificidades locais nessa formulação e que as políticas públicas devem ser compreendidas como formatadoras do desenvolvimento local viável. Em segundo, a abordagem foi para sistemas agrolimentares locais e para cadeias agroalimentares curtas, com destaque para agricultura sustentável, para alternativas de produção, para valorização de alimentos locais e para a indicação de elaboração de políticas 22 públicas, tendo em vista o fortalecimento dos sistemas agroalimentares locais em suas atividades produtivas e visando melhorias na qualidade de vida dos agricultores. Na sessão temática Sociedades Rurais, verificam-se também discussão e contribuições sobre políticas públicas, que ocorreu no âmbito do trabalho Possibilidades e limites das políticas públicas para a agricultura familiar: O PAA e o PNAE no Assentamento Dois de Junho, Olhos D’Água-MG. Pontuou-se sobre desafios e possibilidades de políticas públicas para a valorização da produção familiar, com base na análise do PAA e do PNAE. Demonstrou-se sobre a importância de ambos os Programas para o segmento de agricultores nos quesitos produção e renda e sobre as limitações de acesso aos mesmos. Discutiu-se sobre os limites para o estabelecimento satisfatório de melhores condições de vida para agricultores assentados, o que inclui discussão e revisão das políticas públicas para o segmento. No que se refere à inserção social do NESA e do PPG Estudos Rurais, trata-se de outro elemento contemplado no Evento e transversal a algumas abordagens e atividades realizadas. Políticas públicas, referidas acima, circunscrevem-se nesse quesito. Ao pautarem-se políticas públicas direcionadas ao meio rural, o Núcleo de Estudos e o Programa exercem ação de inserção social ao oferecerem a instituições públicas e a gestores contribuições para o debate, para a formulação, para o aperfeiçoamento, para a revisão e para a avaliação de políticas públicas, destinadas aos espaços sociais rurais e no âmbito do setor agropecuário, de mercado, de segmentos sociais, do turismo e do desenvolvimento rural. Outras ações realizadas no Evento, referidas, circunscrevem ao quesito inserção social do NESA e do Programa, como: as mesas-redondas com palestras sobre relatos de experiências, as intervenções culturais e a divulgação e publicação dos conteúdos do Evento. A participação de instituições da sociedade civil regional no Evento proporcionou profícuo diálogo entre as instituições e a Universidade. A presença de representantes do Museu Vivo dos Povos Tradicionais (MG), do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST/Norte-MG), do Centro de Agricultura Alternativa (CAA/Norte-MG) e da Cooperativa Dedo de Gente (Curvelo-MG) proporcionou a interlocução entre Universidade e sociedade. Quanto à participação de artistas locais no Evento, com a promoção de shows musicais, propiciou-se a divulgação da arte e da cultura no âmbito das intervenções. Por fim, a divulgação e publicação dos conteúdos do Evento. A divulgação do conhecimento científico e do conhecimento sobre as instituições sociais para o público em geral foi feita via o Canal do PPGER na plataforma do You Tube, com abrangência para as palestras das mesas-redondas. Estão disponibilizados 07 vídeos correspondentes a 14 palestras.5 5 PPG Estudos Rurais UFVJM - Eventos: https://www.youtube.com/@estudosrurais/streams 23 Os trabalhos apresentados nas sessões temáticas e parte dos trabalhos apresentados nas mesas- redondas estão em duas publicações, nos formatos de resumos e de textos completos. As publicações são de circulação livre e irrestrita e tem-se em vista o princípio da divulgação científica e da popularização do conhecimento científico, bem como dos demais conhecimentos que foram veiculados no Evento. Nestes termos, a presente publicação é composta dos resumos de trabalhos e é oferecida aos participantes do Evento e demais públicos interessados. Outra publicação abrange os textos completos e é intitulada Anais do I Encontro Nacional - Sociedades Agrárias e Ecodesenvolvimento, 2022: trajetórias e perspectivas do Rural no bicentenário da Independência do Brasil (1822-2022). Por fim, sobre as condições que viabilizaram a ocorrência do Evento. Contou-se com a contrapartida econômica da UFVJM em termos de infraestrutura (espaços físicos e equipamentos) e de recursos humanos (docentes e técnico). Contou-se também com auxílio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), por meio da aprovação da proposta do Evento no Edital Nº 421/2022; OET-00239-22. No aspecto de recursos humanos, a Comissão Organizadora, responsável pela realização do Evento, foi composta por membros do NESA, quais sejam: docentes, discentes e egressos do PPG Estudos Rurais, docente do curso História (FIH/UFVJM), docentes do PPGEO (IG/UFU). Houve colaborações fundamentais da Equipe de Monitores e da Equipe de Transmissão do Evento. A Comissão Julgadora dos trabalhos submetidos para apresentação (Comissão Editorial), por sua vez, foi constituída por professores da UFVJM e da UFU. No conjunto, Uma Equipe gigante na realização de um grande Evento. Logo, o I Encontro Nacional - Sociedades Agrárias e Ecodesenvolvimento alcançou seus objetivos, consoante atividades realizadas e resultados obtidos. Os resultados acadêmicos, científicos e de inserção social do NESA/PPGER/UFVJM, em perspectivas interdisciplinar, crítica e de transformação social, são contributivos para a compreensão da sociedade brasileira na dimensão do agrário, dimensão esta constitutiva da sociedade nacional. Referências ALMEIDA, Jalcione. A problemática do desenvolvimento sustentável. In: BECKER, Dinizar Fermiano (Org.). Desenvolvimento sustentável: necessidade e/ou possibilidade? Santa Cruz do Sul, RS: Edunisc, 1997 apud MANTOVANELI Jr, Oklinger; SAMPAIO, Carlos Alberto. Sustentabilidade política e administrativa: contribuições para a reformulação da Agenda para o Ecodesenvolvimento. Revista de Gestão Social e Ambiental, V. 1, Nº. 2, p. 3-21, 2007. 24 FERREIRA, Vanderlei; ROSA, Rafael. Crise ambiental global: conjunturas e interpretações. Caminhos de Geografia, Uberlândia v. 22, n. 84, dez/2021 p. 187–199. MANTOVANELI Jr, Oklinger; SAMPAIO, Carlos Alberto. Sustentabilidade política e administrativa: contribuições para a reformulação da Agenda para o Ecodesenvolvimento. Revista de Gestão Social e Ambiental, V. 1, Nº. 2, p. 3-21, 2007. SACHS, Ignacy. Ecodesenvolvimento, crescer sem destruir. São Paulo: Vértice, 1986. LAYRARGUES, Philippe P. Do ecodesenvolvimento ao desenvolvimento sustentável: evolução de um conceito? Proposta, v.25, n.71, p.5-10, 1997. 25 Programação I Encontro Nacional - Sociedades Agrárias e Ecodesenvolvimento, 2022: trajetórias e perspectivas do Rural no bicentenário da Independência do Brasil (1822-2022) Hora PROGRAMAÇÃO Data 21/11 - Segunda-feira 22/11 - Terça-feira 23/11 - Quarta-feira 24/11- Quinta-feira 25/11 - Sexta-feira 08h30 Reunião Administrativa 08h-12h Mesa-Redonda, Relatos de Experiências MST- Norte de Minas Samuel Costa Centro de Agricultura Alternativa- NM Daniel Costa O Ensino nas Fazendas experimentais (UFVJM) Josimar Rodrigues Oliveira 14h-17h Mesa-Redonda, Relatos deExperiências Ciência e política: cultura, turismo e patrimônio cultural em Peçanha- MG Filipe Maciel Cooperativa Dedo de Gente Pedro Henrique T. Marques 21/11 - Segunda-feira 22/11 - Terça-feira 23/11 - Quarta-feira 24/11- Quinta-feira 25/11 - Sexta-feira 13h-17h Credenciamento Mesas - Sessões Temáticas 26 Mesas - Sessões Temáticas - Agricultura e Meio Ambiente - I - Sociedades Rurais - I - Territórios Rurais e Ecodesenvolvimento . - Agricultura e Meio Ambiente- II - Sociedades Rurais - II - Sociedades Rurais - III 13h- 15h30 Mesas - Sessões Temáticas - Sociedades Rurais - IV - Extrativismo, Cultura e Desenvolvimento 13h - 16h Mesa - “Museu Vivo dos Povos Tradicionais (MG)” Luciano Dayrell 16h - 17h Divulgação de livros Sorteio de livros 21/11 - Segunda-feira 22/11 - Terça-feira 23/11 - Quarta-feira 24/11- Quinta-feira 25/11 - Sexta-feira 19h Mesa-Redonda Mesa-Redonda Mesa-Redonda Mesa-Redonda Encerramento Abertura do Evento Mesa-Redonda O campo no desenvolvimento brasileiro desde a Independência Profª Drª Márcia Motta (UFF) Prof. Dr. Marco Mitidiero Jr. (UFPB) A agricultura mineira e suas transformações recentes Profª Drª Ana Carolina Leite UFPE) Prof. Dr. Carlos Freitas (UFRRJ) Turismo, Espaços rurais, Ecodesenvolvimento Profª Drª Rosislene Fontana (Unioeste-PR) Prof. Dr. Carlos Dayrell (Unimontes) Agricultura, extrativismo e construção social de mercados: alternativa de desenvolvimento local Prof. Dr. Marcelo Rezende (UNIFAL) Prof. Dr. Armando Fornazier (UnB) Mercado Velho 21h30 Atividade cultural Atividade cultural Atividade cultural Atividade cultural Voz e violão Vinicius Reiser Encantos do Vale: Voz e Violão Narjara Fonseca Souza Beto Moreno Preciosidades Wander da Conceição 27 Parte I Mesas-redondas 28 Usar, gozar e dispor: os direitos de propriedades na invenção da Nação (1808/1824) Márcia Maria Menendes Motta6 Resumo Em 17 de julho de 1822, D. João suspendeu o sistema de sesmarias, transplantado para os territórios da América Portuguesa, desde o início da colonização. A decisão buscava pôr fim aos crescentes conflitos que envolveram à busca por um “título legítimo”, ainda mais agravados com a transferência da Corte de 1808 e pela (re)criação de normas para legalizar o acesso à terra, no contexto da Independência e da Constituinte de 1823. A Carta Outorgada de 25 de março de 1824, ratificou a inviolabilidade dos direitos Civis e Políticos dos Cidadãos Brasileiros. Tendo por base os argumentos desenvolvidos pelo português Antonio José Gonçalves Chaves, discutem-se quais eram as propostas de reformulação da estrutura fundiária daquele período. Parte-se do pressuposto de que as ilações dessa personagem são uma janela de investigação que se permite analisar as tensões que envolveram a consagração da visão liberal de propriedade individual, no recente Império e a naturalização da usurpação de terras da Nação. Palavras-chave: Estrutura fundiária. Liberalismo. Propriedade individual. Brasil, séc. XIX 6 Márcia Maria Menendes Motta, doutora em História, Coordenadora do INCT- Proprietas, Professora Titular em História da Universidade Federal Fluminense. 29 Qual é o papel do Agronegócio para a economia e a sociedade brasileiras? Marco Antonio Mitidiero Junior7 Resumo Qual é o papel do Agronegócio para economia e sociedade brasileira? Diante da imposição de um massivo discurso midiático que coloca o agronegócio como salvador da economia, os argumentos desenvolvidos nessa palestra objetivam mostrar, a partir da análise de uma variada base de dados, que esse setor econômico não é tech, não é pop e muito menos salvam a economia nacional, sendo responsável por um pesado ônus ao estado e sociedade brasileira. Estes argumentos derivam da realização de duas pesquisas que resultaram nos livros “O Agro não é tech, não é pop e muito menos tudo” (Editora ABRA/FES, 2021) e “O Censo Agropecuário 2017: o que revela o censo do golpe?” (Editora Lutas Anticapital, 2022). Palavras-chave: Agronegócio. Setor econômico. Discurso midiático. Brasil 7 Marco Antonio Mitidiero Junior, doutor em Geografia, Professor Associado da Universidade Federal da Paraíba, Professor do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Territorial na América Latina e Caribe (UNESP/IPPRI); e do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal de Sergipe. 30 Expansão capitalista no Vale do Jequitinhonha: pautas para a discussão do problema da acumulação primitiva Ana Carolina Gonçalves Leite8 Resumo Nesse trabalho, examinamos algumas modalidades de apropriação de terras camponesas presentes em processos de expansão capitalista atuais e ocorridos também noutros momentos da modernização nacional, no Vale do Jequitinhonha (Minas Gerais, Brasil), além de discutirmos algumas interpretações sobre os mesmos, formuladas todas com recurso ao conceito marxiano de acumulação primitiva. Problematizamos investigações dedicadas a expropriações promovidas por diferentes empresas, mas especialmente reflorestadoras, durante as décadas de 1960, 1970 e 1980, para apresentarmos, buscando discutir o sentido das mesmas, uma reflexão, cujo intuito é o de situarmos o papel da acumulação primitiva na modernização brasileira. Aventamos ainda pautas para a discussão não só daqueles processos pregressos, mas das expropriações atuais e seu sentido. Palavras-chave: Acumulação primitiva. Expansão capitalista. Reprodução camponesa. Conflitos fundiários. Vale do Jequitinhonha 8 Ana Carolina Gonçalves Leite, doutora em Geografia, professora adjunta do Departamento de Ciências Geográficas (DCG) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Professora do Programa de Pós-graduação em Geografia da UFPE e do Programa de Pós-graduação em Geografia da UFES. 31 Evolução recente da agropecuária mineira: a importância das políticas públicas aplicadas ao setor Carlos Freitas9 Resumo Demonstra-se o papel fundamental da política agrícola para a evolução recente da agropecuária brasileira e do Estado de Minas Gerais. Nas últimas décadas, as políticas públicas foram mecanismos fundamentais de apoio à produção agropecuária, principalmente ao permitir a sua ampliação, via modernização das estruturas produtivas. Entre os diversos instrumentos governamentais aplicados, destacam-se três frentes que formaram a base para este bom desempenho: Assistência Técnica e Extensão Rural – ATER; o Crédito Rural; e a Pesquisa Agrícola. Além disso, Minas Gerais apresentou importante participação no fortalecimento e consolidação dessas políticas agrícolas. Em seguida, apresentam-se dados para demonstrar a evolução da produção agropecuária mineira neste período de significativo apoio governamental. Por fim, os principais desafios e limitações das políticas analisadas são discutidos, como por exemplo, o fato de parte significativa dos pequenos produtores terem ficado fora (ou com acesso limitado) deste processo de crescimento. Palavras-chave: Agropecuária. Política agrícola. Políticas públicas. Minas Gerais. Brasil 9 Carlos Freitas, doutor em Economia Aplicada, Professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. 32 Possibilidades do Turismo Rural e Ecodesenvolvimento: a realidade do Oeste do Paraná Rosislene de Fátima Fontana10 Resumo É sabido que o espaço rural tem vivenciado profundas transformações no tocante às atividades tradicionais rurais, dando lugar para novos valores e formas de produção de trabalho, incluindo-se a atividade turística. Nesta reconfiguração do rural, os preceitos do ecodesenvolvimento têm se tornado grandes aliados, principalmente para o desenvolvimento do turismo no espaço rural. Assim como em diversas regiões do País, no oeste paranaense, pequenos agricultores ou agricultores familiares têm buscado na atividade turística fonte de incremento de renda, sem deixar de lado os cuidados com o desenvolvimento sustentável. Nesta exposição, apresentamos alguns ‘cases’ da região oeste do Paraná que vem desenvolvendo o turismo no espaço rural, demonstrando ser esta uma opção tanto economicamente viável quanto ambientalmente sustentável, destacando ainda, os benefícios sociais e culturais. Apresentamos também ‘cases’ que hoje não estão mais ativos, como forma de reafirmar a necessidade de se trabalhar de forma planejada e com parcerias estratégicas, para manter a saúde do negócio e consequentemente, sua sustentabilidade nas diversas esferas. Palavras-chave: Turismo no Espaço Rural. Desenvolvimento Sustentável. Oeste Paranaense 10 Rosislene de Fátima Fontana, doutora em Turismo e Hotelaria, Professora Adjunta da UNIOESTE - Campus Foz do Iguaçu-PR, Professora do Curso de Hotelaria e Professora do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural Sustentável (UNIOESTE - Campus de Marechal Câdido Rondon. 33 Desenvolvimento local e formação de mercados - cadeia produtiva do marolo (MG) Marcelo Lacerda Rezende11 Resumo O desenvolvimento local tem sido entendido como o processo de aproveitamento das vantagens comparativas e competitivas de uma localidade para favorecer o seu crescimento econômico. Além disso, tem como objetivo melhorar a qualidade de vida da população e o uso sustentável dos recursos naturais. Envolvem-se, portanto, fatores ambientais, sociais, econômicos, políticos e institucionais, tendo as comunidades como protagonistas na elaboração e execução de seus objetivos coletivos. Assim, o diferencial do desenvolvimento local em relação a outros paradigmas de desenvolvimento está na incorporação da dimensão territorial. Para que este desenvolvimento ocorra, é necessário a valorização dos ativos locais, que são os recursos próprios de um território, e que permitirão a este se diferenciar em relação aos demais. Entre os recursos locais, tem-se a agricultura e as atividades extrativistas que são, muitas vezes, o foco de propostas de desenvolvimento. Entretanto, na construção de um mercado relacionado a essas atividades, a simples comercialização de matérias primas não agrega valores economicamente significativos. São necessários outros elementos, como focar na cadeia produtiva, processar o produto e garantir mercado, essenciais aos pequenos produtores agrícolas e extrativistas. Ciência, tecnologia e inovação não podem estar dissociadas dessas atividades, uma vez que se pretenda um desenvolvimento sustentável. Entender as especificidades locais, portanto é fundamental para a implantação de políticas públicas formatadoras do desenvolvimento social-econômico e ambientalmente viável. Abordam-se os diferentes aspectos do desenvolvimento local e da formação de mercados no âmbito das atividades desenvolvidas na cadeia produtiva do marolo, na região sul de Minas Gerais. A mobilização de produtores rurais, pesquisadores, extensionistas e poder público, procurou viabilizar o recurso ‘marolo’ como uma fonte de renda e trabalho para a comunidade local, além de garantir o desenvolvimento sustentável dessas comunidades, protegendo o meio ambiente e os demais recursos naturais. Palavras-chave: Desenvolvimento local. Mercados. Políticas públicas. Marolo. Minas Gerais 11 Marcelo Lacerda Rezende, doutor em Economia Aplicada, Professor Titular da Universidade Federal de Alfenas, Professor do Programa de mestrado em Economia (PPGEconomia-UNIFAL). 34 Museu Vivo dos Povos Tradicionais de Minas Gerais Luciano Santos Dayrell12 Resumo Aborda-se o projeto “Museu Vivo dos Povos Tradicionais de Minas Gerais”, que surgiu do desejo de preservar e reconhecer o legado cultural de oito povos tradicionais mineiros: geraizeiros, vacarianos, vazanteiros, veredeiros, caatingueiros, quilombolas, indígenas e apanhadores de flores sempre-vivas. Trata-se de uma construção coletiva e continuada da memória desses povos, a partir da soma de seus saberes, suas lutas e seu manejo sustentável da natureza. O Museu Vivo é um projeto multimídia concebido pela “Articulação Rosalino Gomes de Povos Tradicionais”, realizado pelo Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas (CAA/NM), que contou com apoio do BNDES, em parceria com o Instituto Pequi do Cerrado e o Solar dos Sertões. O Projeto conta com um espaço virtual e um espaço museológico físico. Este último é sediado no Solar dos Sertões, um patrimônio histórico tombado, localizado em Montes Claros. Apresenta-se a plataforma virtual do Museu Vivo e seus conteúdos, com amostras de vídeos e fotografias realizados no âmbito do projeto. As narrativas dos povos tradicionais foram organizadas para o acesso do público, partindo das afirmações das IDENTIDADES, destacando as FORÇAS e as BELEZAS, e reconhecendo suas LUTAS. Essa escolha é fundada na crença de que o gesto de olhar para as histórias de mulheres e de homens é restituir a memória da resistência percorrida por suas comunidades, em prol da proteção do cerrado e de outros biomas que compõem o estado de Minas Gerais. Palavras-chave: Povos tradicionais. Legado cultural. Cerrado. Museu 12 Luciano Santos Dayrell, Graduado em Comunicação Social Cinema, Coordenador do Projeto Museu Vivo dos Povos Tradicionais de Minas Gerais, Centro de Agricultura Alternativa - NM. 35 O Ensino nas Fazendas Experimentais Josimar Rodrigues Oliveira13 Resumo A Superintendência de Produção Agropecuária das Fazendas Experimentais (SUPERAGRO) é um órgão suplementar diretamente ligado à Reitoria da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), responsável pela gestão administrativa e orçamentária da Fazenda Experimental JK, em Diamantina, Fazenda Experimental Rio Manso, em Couto de Magalhães de Minas, Fazenda Experimental do Moura, em Curvelo e Fazenda Experimental Santa Paula, em Unaí. O objetivo deste relato de experiência é apresentar as Fazendas Experimentais à comunidade acadêmica da Universidade e à sociedade, no contexto do potencial de utilização desses espaços pelos diversos cursos de graduação e pós-graduação, para fins de ensino- aprendizagem. A realização de práticas e vivências rurais, principalmente de estudantes que realizam cursos na área de ciências agrárias é um grande diferencial no mercado de trabalho. Desta maneira, deve-se refletir em termos de currículo, uma formação que permita o estudante desenvolver atividades diversas nas Fazendas Experimentais, para além das aulas práticas constantes nos planos de ensino. Por fim, apresenta-se ações de extensão realizadas na Fazenda Experimental Rio Manso, nos últimos anos, que beneficiam a estudantes e às comunidades rurais da região, mostrando que é possível a integração universidade-sociedade. Palavras-chave: Ensino experimental. Extensão. Ciências Agrárias. UFVJM 13 Josimar Rodrigues Oliveira, doutor em Solos e Nutrição de Plantas, Engenheiro Agrônomo, Coordenador da Superintendência de Produção Agropecuária das Fazendas Experimentais (SUPERAGRO) da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. 36 Parte II Agricultura e Meio Ambiente 37 Descumprimento da função social da terra e meio ambiente no Brasil Thiago da Silva Melo14 Resumo A ideia de função social da terra parte do princípio de que esta é um bem comum da humanidade, inerente à existência de todas as formas de vida e fundamental para a sobrevivência de todos os povos e suas culturas. Para tanto, são considerados fatores como a produtividade da terra, aproveitamento adequado e racional dos bens naturais, observância da legislação trabalhista e conservação do meio ambiente, indissociavelmente. O presente artigo pretende discutir os preceitos da função social da terra, com enfoque no meio ambiente bem como na incapacidade de o latifúndio cumprir tais pilares estabelecidos legalmente. A metodologia empregada consistiu em revisão bibliográfica sobre a temática, levantamento de dados e estatísticas junto a órgãos governamentais e à imprensa, o que permitiu concluir que o latifúndio é inábil no cumprimento da função social da terra, principalmente no que se refere à conservação ambiental. Palavras-chave: Latifúndio. Conservação ambiental. Legislação. Área: Geografia Sessão temática: Agricultura e Meio Ambiente 14 Thiago da Silva Melo, mestre em Geografia pela Universidade Estadual de Londrina (Uel-PR), Professor Assistente convocado da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). 38 Povos tradicionais, agricultura familiar e as agroindústrias de carne no Oeste Catarinense: breves reflexões e apontamentos Fabiane Ripplinger15 Resumo Muitas foram as transformações que ocorreram ao longo do tempo no Oeste Catarinense, desde os modos de produção de animais e grãos até os incentivos ofertados pelo Estado a determinada população. Com a chegada de imigrantes, principalmente alemães e italianos, diversos foram os conflitos ocorridos com as populações tradicionais que ocupavam este território. Diante disto, como objetivo deste trabalho busca-se analisar brevemente a maneira como a formação do espaço regional influenciou nos modos de produção antigos e atuais e como isto impactou a população da região em diversos sentidos, assim como ao meio ambiente. Esta pesquisa possui base bibliográfica, qualitativa e exploratória. Portanto, a partir desta pesquisa entende-se que o modo como se deu a formação espacial da região Oeste Catarinense com base na pequena produção proveniente da agricultura familiar incentivada pelo Estado gerou diversos impactos a sociedade, as questões de identidades da população que já residia nesta área e ao meio ambiente, especialmente às populações tradicionais presentes no território. Palavras-chave: Conflitos. Formação do espaço regional. Usos do território. Área: Geografia Sessão temática: Agricultura e Meio Ambiente 15 Fabiane Ripplinger, doutoranda em Geografia pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Bolsista CAPES. 39 Organização social caipira em interface com a agroecologia Ana Paula Ferreira Dias16 Marivaldo Aparecido de Carvalho17 Resumo O presente trabalho, reconhecendo o desafio de amenizar as consequências socioambientais do atual modelo de produção baseado em monoculturas de exportação, buscou entender como a relação cultura e natureza se fazem presentes entre o camponês-caipira e sua interface com a agroecologia. Assim, buscamos considerar, por meio de um estudo bibliográfico sistematizado, as diferentes concepções acerca da agroecologia, discutindo os sistemas alimentares e relacionando a cultura caipira com as concepções da agroecologia, com foco na vertente que a discute enquanto prática produtiva. A pesquisa é de cunho qualitativo, com estudo de revisão da literatura narrativa e sistemática, somadas às pesquisas bibliográficas e documentais, além do levantamento de dados, para assim elaborar uma teorização consistente. Concluímos que a cultura caipira, no que se refere aos aspectos de organização social para a produção de alimento, dialoga com os princípios agroecológicos, desta forma colocando em diálogo conhecimentos populares e conhecimentos científicos, na busca de valorar a cultura caipira e, consequentemente, uma forma de produção sustentável. Palavras chaves: Cultura caipira. Agroecologia. Segurança alimentar. Área: Estudos Rurais Sessão temática: Agricultura e Meio Ambiente 16 Ana Paula Ferreira Dias, bacharela em Humanidades (UFVJM), licenciada em Geografia (UFVJM), Especialista em Ensino em Geografia (UFVJM) e mestranda do Programa de Pós-graduação em Estudos Rurais (UFVJM). 17 Marivaldo Aparecido de Carvalho, doutor em Sociologia pela UNESP, Professor na Faculdade de Ciências Básicas e da Saúde – FCBS/UFVJM e do Mestrado Acadêmico em Estudos Rurais PPGER/UFVJM e do PPGSaSA. 40 Intercâmbio e troca de saberes entre guardiães de sementes: uma experiência a partir do projeto “Sementes, Agriculturas e Soberania Alimentar para resistir à mineração”18 Juliana Deprá Stelzer19 Josilaine de Jesus Guimarães Candido20 Valderes Quintino Silva21 Resumo Este relato de experiência visa descrever o envolvimento do projeto de extensão da Universidade Federal dos Vales Jequitinhonha e Mucuri intitulado “Sementes, Agriculturas e Soberania Alimentar para resistir à mineração” no encontro “Feira de Guardiães de Sementes do Jequitinhonha” ocorrido em 24 de setembro de 2022 em São Gonçalo do Rio das Pedras, Serro (MG). O projeto se iniciou em 2017, em parceria com a casa de sementes mantida pela Associação Pró-Fundação Universitária Vale do Jequitinhonha, e agregou posteriormente o Instituto EcoVida São Miguel, a Comissão Regional de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional do Alto Jequitinhonha e o Movimento pela Soberania Popular na Mineração. Um dos objetivos é promover intercâmbios entre guardiães de sementes da região, como a Feira de Guardiães de Sementes, que reuniu cerca de 100 pessoas dos municípios de Belo Horizonte, Diamantina, Serro e Santo Antônio do Itambé, sendo estes pesquisadores(as), estudantes e camponeses(as) de comunidades rurais, quilombolas e ameaçadas pela mineração. A programação do encontro possibilitou a conexão de diferentes realidades e trocas de experiências acerca da diversidade produtiva, cultivo, manejo e conservação das sementes. As trocas de sementes realizadas além de constituírem redes de reciprocidade, fundamental no processo de conquista da autonomia dos (as) agricultores (as), também incentivaram a preservação de sementes crioulas e de alimentos da sociobiodiversidade local, a multiplicação das variedades encontradas na região do Alto Jequitinhonha, fortalecendo a garantia da Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional das comunidades envolvidas. Palavras chaves: Sementes crioulas. Soberania e segurança alimentar e nutricional. Agroecologia Sessão temática: Agricultura e Meio Ambiente 18 O presente trabalho foi realizado com apoio da FAPEMIG, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais – Brasil e do Programa Institucional de Bolsas de Extensão da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (PIBEX-UFVJM). 19 Juliana Deprá Stelzer, graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Viçosa, professora de ciências da rede estadual de ensino de Minas Gerais, membro da coordenação nacional do Movimento pela Soberania Popular na Mineração e co cordenadora do projeto de extensão “Sementes, Agriculturas e Soberania Alimentar para resistir à mineração” (PIBEX-UFVJM). 20 Josilaine de Jesus Guimarães Candido, graduanda de Licenciatura em Educação do Campo - Faculdade Interdisciplinar em Humanidades, bolsista do projeto de extensão “Sementes, Agriculturas e Soberania Alimentar para resistir à mineração”, edital PIBEX - UFVJM 01/2022. 21 Valderes Quintino Silva, graduando de Licenciatura em Educação do Campo - Faculdade Interdisciplinar em Humanidades, voluntário do projeto de extensão “Sementes, Agriculturas e Soberania Alimentar para resistir à mineração” (PIBEX-UFVJM). 41 A construção dos hábitos alimentares: luta e controle pela definição dos alimentos22 Fabiano Cordeiro César23 Resumo O presente artigo objetiva apreender a História e Memória dos Hábitos Alimentares dos moradores do bairro morrinhos, na cidade de Montes Claros - MG, entre os anos de 1980 e 2020. Buscamos compreender como o contexto histórico da modernização agrícola gerou mudanças ou permanências dos hábitos alimentares e como os sujeitos históricos lidaram com esse processo. Como base metodológica propomos a História Oral de vida. A metodologia escolhida propõe trazer a luz das análises as experiências dos sujeitos com a produção de alimentos, consumo e relações de comunidade. A partir desse movimento investigamos como as memórias do passado se relacionam com as memórias do presente, ligadas a industrialização dos alimentos e dependência dos supermercados. Essa tensão entre as memórias do passado e do presente é significativa para apreender como os moradores do referido bairro ressignificaram a modernização agrícola no seu dia a dia e como eles perceberam as mudanças. Posto isso, a oralidade será fundamental para identificar as experiências alimentares. Palavras-chave: Oralidade. Experiência. Memória. Área: História Sessão temática: Agricultura e Meio Ambiente 22 O trabalho é resultado da Iniciação Científica da Educação Básica MG - ICEB, realizado através do projeto História e Memória dos Hábitos Alimentares. 23 Fabiano Cordeiro César, graduado em História, mestre em História Social, Profº efetivo da SEE/MG, membro do Núcleo de Pesquisa da Escola Estadual Dom Aristides Porto, o qual foi instituído a partir da Iniciação Científica da Educação Básica de MG. Edital SEE nº 09/2021 (Seleção de Projetos de Pesquisas de Iniciação Científica). 42 Estimativa da demanda hídrica do rebanho bovino na porção mineira da bacia hidrográfica do rio Jequitinhonha Mychelle Priscila de Melo24 Vanderlei de Oliveira Ferreira25 Resumo O setor agropecuário destaca-se quanto ao consumo de água no Brasil, sendo a bovinocultura uma das atividades que mais consome água nas bacias hidrográficas predominantemente rurais. Tal questão precisa ser acompanhada no contexto das iniciativas de gestão, especialmente quando as pastagens começam a ocupar percentual significativo em relação às demais categorias de uso das terras. O objetivo deste artigo é apresentar uma estimativa da demanda hídrica bovina diária na porção mineira da bacia hidrográfica do rio Jequitinhonha. Para isso, foram utilizadas consultas bibliográficas e documentais para compilação de dados, além de coeficientes para cálculo per capita do consumo de água. Verificou-se que, na porção mineira da bacia do Jequitinhonha, há 2.051.133 cabeças de bovinos. Diariamente são consumidos 102.681,5 m3 de água pelo gado, sendo que o município de Almenara apresenta o maior volume consumido diariamente (27.592,35 m3). Em condições de escassez frequente e altos índices evaporimétricos, especialmente no setor de clima semiárido, fica evidenciada a necessidade de acompanhamento de tais números, juntamente com informações acerca da disponibilidade hídrica. Palavras-chave: Demanda hídrica. Rebanho bovino. Bacia do Jequitinhonha. Área: Hidrologia Sessão temática: Agricultura e Meio Ambiente 24 Mychelle Priscila de Melo, doutoranda em Geografia pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). 25 Vanderlei de Oliveira Ferreira, doutor em Geografia, professor na Universidade Federal de Uberlândia (UFU). 43 Dinâmica produtiva em comunidades rurais do município de Grão Mogol/MG: um olhar a partir do Projeto Veredas Sol E Lares26 Maria Sebastiana Carmindo da Silva27 Ivana Cristina Lovo28 Clebson Souza de Almeida29 Resumo O presente trabalho apresenta uma sistematização e análise do Diagrama de Fluxo elaborado nas comunidades de Andorinhas e Taquaral, localizadas no município de Grão Mogol-Minas Gerais, durante o Projeto de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico D 0632 Veredas Sol E Lares, a partir do processo de pesquisa participativa organizado no período (2018-2019). Baseou-se na ferramenta metodológica Diagnóstico Rural Participativo (DRP) e para a sistematização dos desenhos e informações produzidas buscou-se aporte do Método de análise econômico-ecológica de agroecossistemas (LUME) como um método de investigação que permite considerar as relações de fluxos nos agroecossistema. Como resultado, verificou-se que há uma diversidade na dinâmica produtiva nessas Comunidades que dinamiza relações de reciprocidade e relações monetárias com o mercado territorial e convencional, a partir de relações que apontam para uma economia circular. Importante destacar também que o acesso a energia elétrica é um fator que potencializa a produção e o beneficiamento, facilitando o processo de agregar valor aos produtos. Faz-se necessário aprofundar o estudo buscando analisar se há potencial para as comunidades dinamizarem ainda mais seus fluxos produtivos a partir do acesso à energia elétrica. Palavras-chave: Dinâmica Produtiva. Diagrama de Fluxo. Projeto Veredas. Área: Agronomia Sessão temática: Agricultura e Meio Ambiente 26Pesquisa desenvolvida com o apoio da: Associação Estadual de Defesa Ambiental e Social (AEDAS), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG), Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). 27Maria Sebastiana Carmindo da Silva, Estudante de Agronomia pela UFVJM, bolsista de Iniciação Científica Projeto Veredas Sol E Lares. 28Ivana Cristina Lovo, professora doutora da Licenciatura em Educação do Campo e do Mestrado em Estudos Rurais, membro do Observatório dos Vales e Semiárido Mineiro/ Faculdade Interdisciplinar em Ciências Humanas/UFVJM. 29Clebson Souza de Almeida, mestre em Estudos Rurais, membro do Observatório dos Vales e do Semiárido Mineiro, UFVJM. 44 Agronegócio descarbonizador, uma forma de superação da agricultura neoliberal? Apontamentos sobre a cafeicultura sul-mineira Rodrigo de Paulo Souza e Silva 30 Resumo Emerge no Brasil o Agronegócio descarbonizador, que pautado e subsidiado por questões globais climáticas, justifica suas atividades no espaço rural como ações produtivas que possuem responsabilidade socioambiental. A Agricultura de baixo carbono era antes defendida por modelos de agricultura sustentável que visavam à soberania alimentar dos povos, agora se vê como modelo apropriado pelo agronegócio para a produção escalar das commodities agrícolas. O presente trabalho realiza uma breve discussão destas questões, utilizando a cafeicultura sul-mineira como objeto de análise, que encontra no seu cotidiano uma nova forma de organizar seu processo produtivo, pautado na Análise de Ciclo de Vida da lavoura. A primeira parte do texto apresenta a região sul-mineira como região produtiva agrícola pela cafeicultura, a segunda parte do texto visa explicar como é a base do processo de levantamento de uma Analise de Ciclo de Vida (ACV) de um cafezal, e a terceira parte do texto, visa de forma breve, provocar o leitor a pensar o Mercado de Carbono como um meio de rearranjar os processos produtivos da agricultura neoliberal, e não de supera-lo, apresentando dois planos que estão em ação no país que possibilitam a reprodução dessa conjuntura de um capitalismo sustentável. Palavras-chave: Agricultura 4.0. Commodities. Região produtiva agrícola. Capitalismo Sustentável. Área: Geografia. Sessão temática: Agricultura e Meio Ambiente 30 Rodrigo de Paulo Souza e Silva, Geógrafo, mestrando PPGEO-UNIFAL/MG. 45 Agronegócio e fascismo no Brasil do século XXI Tulio Barbosa31 Resumo O presente trabalho parte da necessidade em compreender o agronegócio brasileiro a partir de suas matrizes escravocratas que não foram interrompidas pelo Estado brasileiro na sua totalidade, deste modo, o modo de produção capitalista no Brasil é articulado de forma dependente estruturalmente com o apoio da classe dominante nacional quanto ao mercado mundial de commodities. A organização estrutural da economia e da política brasileira tem bases conceituais e práticas oriundas de um pensamento fascista que se edifica na ideia de nação moderna a partir da vinculação da produção do campo com a tecnologia. O fascismo atrelado ao agronegócio tem como fundamento a tradição, o conservadorismo, o autoritarismo e a estabilidade da classe dominante nacional no projeto político e econômico. Construímos, portanto, uma crítica ao agronegócio pelas evidências estruturais e superestruturais do capitalismo que constituiu caminho repressivo e violento na forma de fascismo ao elencar a nação e o nacionalismo vinculados a produtividade e tecnologia com grandes desrespeitos aos direitos humanos, aos direitos trabalhistas e aos direitos ambientais. Palavras-chave: Sociedade escravocrata. Fascismo brasileiro. Agronegócio. Área: Geografia. Sessão temática: Agricultura e Meio Ambiente 31 Tulio Barbosa, licenciado, mestre e doutor em Geografia pela FCT/UNESP, doutor em História pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), professor de graduação e pós-graduação do Instituto de Geografia – IG- UFU, Tutor do PET MEC Geografia do IG-UFU, Líder do núcleo de pesquisa Teoria Anticolonial - http://dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/771490. 46 Energia e produção agrícola no Alto Jequitinhonha: estudo de caso na agricultura familiar32 Lucas Rocha Santos33 Eduardo Magalhães Ribeiro34 Patrícia Oliveira Correia35 Resumo O Alto Jequitinhonha é um Território da Cidadania localizado no nordeste do estado de Minas Gerais, marcado por chuvas irregulares e pelo contraste entre o monocultivo de eucalipto nas chapadas e agricultura familiar nas grotas. Usando sistemas produtivos de reduzido consumo de água e energia, a agricultura familiar desse território responde por expressiva produção de alimentos, importante para a segurança e soberania alimentar nos mercados locais. Este artigo objetiva investigar o uso e manejo de energia na agricultura familiar, com foco na energia de biomassa usada para produção e beneficiamento de alimentos. Para isso, investiga as fontes costumeiras de produção de energia e suas relações com a dinâmica produtiva das famílias rurais. O artigo revela que essas famílias usam energias de fontes bastante diversificadas, privilegiando o consumo de fontes tradicionais, como trabalho humano e adubos orgânicos, que maior sustentabilidade e, igualmente, custos bastante reduzidos. Por outro lado, famílias tendentes a maior especialização produtiva são conduzidas ao uso mais intenso de energia de fontes externa e industriais, como óleo diesel e eletricidade. Palavras-chave: nexo água-energia-alimentos. Segurança alimentar. Desenvolvimento rural. Área: Ciências Sociais Aplicadas Sessão temática: Agricultura e Meio Ambiente 32 A pesquisa que originou este artigo contou com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), da Pró-Reitoria de Pesquisa da UFMG (PRP/UFMG) e do Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica (CAV), aos quais os autores agradecem. 33 Lucas Rocha Santos, Engenheiro agrônomo, Núcleo de Pesquisa e Apoio à Agricultura Familiar, NPPJ/UFMG. 34 Eduardo Magalhães Ribeiro, Economista, doutor, Professor titular do ICA/UFMG. 35 Patrícia Oliveira Correia, administradora, Núcleo de Pesquisa e Apoio a Agricultura Familiar, NPPJ/UFMG. 47 O consumo de energia na agricultura familiar do Alto Jequitinhonha durante estiagens prolongadas36 Patrícia Oliveira Correia37 Eduardo Magalhães Ribeiro38 Lucas Rocha Santos39 Resumo As estiagens prolongadas alteram drasticamente os modos de vida da população rural do Semiárido, afetando a produção, a renda e o consumo. O objetivo deste artigo foi identificar os efeitos das secas de 2020/2021 sobre o consumo de energia das unidades familiares rurais do Território do Alto Jequitinhonha, Nordeste de Minas Gerais. O levantamento, pautado no método misto ancorado numa abordagem quali-quantitativa, usou roteiros semiestruturados para pesquisar em profundidade e de maneira remota 4 famílias de agricultores feirantes de 3 municípios distintos, combinando famílias mais e menos patrimonializados, com maior ou menor produção vendida em feiras livres e outros canais frequentes. Os resultados apontaram que as estiagens prolongadas contribuíram de maneira significativa para o balanço energético negativo das unidades familiares, ou seja, levaram as unidades a consumir mais que a produzir energia. Isso porque, com chuvas irregulares, houve perda na produção da lavoura e pastagem, principalmente. Para alimentar criações, precisaram recorrer à compra de milho, ração pronta e cana de açúcar. Houve também elevação do consumo de energia elétrica, em função da necessidade do uso constante de equipamento elétricos para produzir ração e bombear água para as criações, quanto e irrigação das plantações. Palavras-chave: segurança alimentar. Secas. Abastecimento de água. Área: Ciências Sociais Aplicadas Sessão temática: Agricultura e Meio Ambiente 36 A pesquisa que originou este artigo contou com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), da Pró-Reitoria de Pesquisa da UFMG (PRP/UFMG) e do Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica (CAV), aos quais os autores agradecem. 37 Patrícia Oliveira Correia, Administradora, Núcleo de Pesquisa e Apoio a Agricultura Familiar, NPPJ/UFMG. 38 Eduardo Magalhães Ribeiro, Economista, doutor, Professor titular do ICA/UFMG. 39 Lucas Rocha Santos, Engenheiro agrônomo, Núcleo de Pesquisa e Apoio à Agricultura Familiar, NPPJ/UFMG. 48 Parte III Sociedades Rurais: realidades e trajetórias 49 “Em rede do rural ao urbano”: a caracterização do acesso/uso às tecnologias de informação e comunicação no Brasil Tamires Lopes Pereira40 Resumo Neste artigo contextualiza-se o acesso e uso às tecnologias de informação e comunicação (TIC) em relação a discrepância do meio rural e do urbano no Brasil. As análises ancoram-se nas áreas rurais ao redor do mundo que apresentou um déficit de 35% quando comparado ao urbano (64%). Em seguida, é utilizado uma abordagem quantitativa de pesquisa com escopo descritivo e temporal da Pesquisa Nacional por Amostra dos domicílios (2001-2019) e a pesquisa TIC domicílios 2020. Os resultados revelam que o acesso-uso das TIC’s sugere uma hibridez, quanto maior a população rural menor o percentual de acesso-uso; sendo os fatores renda e a escolaridade determinantes e persistentes na desigualdade do país. Palavras-chave: Tecnologias de informação e comunicação. Acesso-uso. Brasil Área: Interdisciplinar Sessão temática: Sociedades Rurais: realidades e trajetórias 40 Tamires Lopes Pereira, doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Economia Doméstica da Universidade Federal de Viçosa (DED - UFV). 50 A cobertura da mídia sobre ensino remoto no meio rural no decorrer da pandemia do covid 19 Andreza Teixeira Guimarães Stampini41 Resumo O objetivo deste estudo foi mapear as notícias que saíram sobre a pandemia e a educação dos alunos residentes no meio rural e o enquadramento dos jornais ao reportarem o assunto em plataformas digitais. A pergunta de investigação foi: Como foi o enquadramento do Jornal Brasil de Fato, G1, Globo Rural e R7 sobre a educação dos estudantes rurais em época de pandemia? No artigo, foi utilizado como tática metodológica uma análise de conteúdo temática. A coleta de dados foi realizada no período de maio e junho de 2022. De acordo com a análise, houve diferentes enquadramentos por parte das plataformas digitais estudadas. Conclui-se que 76% das reportagens analisadas noticiaram sobre a desconexão enfrentada pelos alunos no meio rural. Ademais, 30% das notícias apontaram a entrega de material impresso aos estudantes rurais como estratégia educacional para a continuidade do ano letivo. Observa-se que os discursos jornalísticos constituem uma forma de discurso que interpela os alunos rurais e as estratégias educacionais com a finalidade de reforçar as desigualdades dos espaços rurais dos urbanos, como a precariedade de políticas públicas voltadas para os residentes no meio rural, tais como acesso de qualidade a educação, profissionalização e tecnologia. Palavras-chave: Alunos rurais. Educação. Pandemia. Área: Ciências humanas Sessão temática: Sociedades Rurais: realidades e trajetórias 41 Andreza Teixeira Guimarães Stampini, doutoranda do Programa de Pós-graduação em Economia Doméstica da Universidade Federal de Viçosa (UFV). 51 O Rádio: Expressão da Complexidade e Interdisciplinaridade Joênio Carvalho dos Anjos42 Marivaldo Aparecido de Carvalho43 Resumo O presente resumo faz parte da pesquisa de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Estudos Rurais (PPGER/UFVJM) intitulada: “Músicas Sertanejas: Representações do homem e da mulher do campo”, a qual ainda está em andamento. Um dos objetivos específicos da pesquisa visa compreender o papel da indústria cultural, com foco no rádio, enquanto produtor de sentidos a lugares e pessoas e como influenciou na construção da imagem dos viventes do campo daquele período. Por meio de estudo bibliográfico procurou-se compreender o importante papel desta mídia na realidade histórico social, bem como, atender o objetivo traçado. E ao realizar este exercício, compreendeu-se que este meio de comunicação mostra-se profundamente interdisciplinar, perpassando a imaginação e a sonoridade. Por meio tanto da bibliografia pertinente, quanto dos dados da pesquisa IBOPE Mídia dos anos de 2020 e 2021, observou-se que o rádio apresenta significativa presença ainda entre os brasileiros, alcançando a quarta posição das mídias mais utilizadas. Desta maneira, acredita-se no rádio também tangencia a complexidade, tanto por habitar o mundo rural quanto o mundo urbano, propiciando uma espécie de continnum espaço-temporal, contribuindo quanto ao acesso à informação, a comunicação e o lazer. Palavras-chave: Rádio. Interdisciplinaridade. Complexidade. Área: Humanidades e Sociais Sessão temática: Sociedades Rurais: realidades e trajetórias 42Joênio Carvalho dos Anjos, bacharel em Humanidades e Geógrafo pela UFVJM, Especialista em Geoprocessamento Aplicado pelo IFNMG e mestrando em Estudos Rurais - PPGER/UFVJM. Apoio: CAPES. 43Marivaldo Aparecido de Carvalho, doutor em Sociologia pela UNESP, professor na Faculdade de Ciências Básicas e da Saúde – FCBS/UFVJM e do Mestrado Acadêmico em Estudos Rurais PPGER/UFVJM e do PPGSaSA. 52 Uma reflexão sobre o Jornal Geraes a partir de uma ótica Gramsciana Nagib Aouar Claudino44 Resumo O Jornal Geraes foi o que podemos chamar de mídia alternativa da região do Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, no período da Ditadura Empresarial-Militar instaurada pelo golpe de 1964. Se caracterizou por sua verve de denúncia das mazelas regionais, e explícito apoio a organizações da classe trabalhadora, como sindicatos rurais e outros. Neste texto, tentou-se, por meio de uma análise da história da formação do jornal, da militância política dos seus editores e pesquisa documental, produzir uma reflexão em diálogo com o conceito de Intelectuais Orgânicos cunhado pelo autor italiano Antonio Gramsci. Este texto faz parte de uma pesquisa mais ampla que está em fase de desenvolvimento no Programa de Pós-graduação em Geografia (Mestrado Acadêmico) da Faculdade de Formação de Professores – PPGGEO/FFP, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, com fomento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro – FAPERJ. Palavras-chave: Jornal Geraes. Ditadura Empresarial-Militar. Intelectuais Orgânicos . Área: História Sessão temática: Sociedades Rurais: realidades e trajetórias 44 Nagib Aouar Claudino, mestrando em Geografia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ); Graduado em Geografia pela Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM); Bacharel em Ciências Humanas pela UFVJM. 53 Círculos Concêntricos: a construção da arquitetura silenciosa da violência patriarcal45 Josélia Barroso Queiroz Lima46 Nilma Lino Gomes47 Resumo Este artigo resulta da capacitação, feita junto ao Programa de Pós-Graduação em Educação: Conhecimento e Inclusão Social da Universidade Federal de Minas Gerais, sob a orientação da professora Nilma Lino Gomes. Aprofundamos estudos sobre educação, gênero e etnia. Baseando- nos na literatura feminista negra, nacional e internacional, problematizamos o papel social da Igreja Católica na construção da racialidade branca e do mito da democracia social. Focando o documento público- Catecismo Anticomunista, editado em 1962 e reeditado em 2010, analisamos como o projeto educacional da cristandade, via a pedagógica dos círculos concêntricos, produziu o sistema de dominação patriarcal, naturalizando na sociedade brasileira racismo, sexismo, branquitude. Discutimos sobre as Políticas Afirmativas de Direito e a Inclusão social como conquistas dos movimentos sociais: negros, indígenas e mulheres, condições necessárias à democratização social. No cenário político pós-golpe de 2016, refletimos os motivos da circulação em redes sociais do Catecismo nos contextos pré-golpes (o militar, 1964 e o político, midiático e institucional,2016). Defendemos a educação pública, laica, gratuita, a necessidade de educar para a transgressão. Na Sessão temática Sociedades Rurais: realidade e trajetórias, situamos o artigo pois o documento religioso foi divulgado e difundido no cenário rural mineiro, como estratégia de enfrentamento a questão social brasileira. Palavras-chave: Círculos Concêntricos. Arquitetura da Violência- Pedagogia Católica Área: Psicologia Social, Educação Sessão temática: Sociedades Rurais realidades e trajetórias. 45 Artigo originalmente publicado no IX Curta Gênero, Diálogos Convergentes, Fábrica de Imagens, Ceará, agosto de 2021. No VIII Seminário de Políticas Sociais no Mercosul- SEPOME, Programa de Pós Graduação em Políticas Sociais e Direitos Humanos da Universidade Católica de Pelotas, em novembro de 2021 e na VIII Sintegra UFVJM, em dezembro de 2021. Na versão agora apresentada foram incluídos trechos inéditos. 46 Josélia Barroso Queiroz Lima, Professora Adjunta da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. Campus Diamantina.MG. 47 Nilma Lino Gomes, Professora Emérita do Programa de Pós Graduação em Educação da Universidade Federal de Minas Gerais. 54 Panorama atual da floricultura fluminense: um olhar sobre efeitos da pandemia da Covid-19 na rede de produção e comercialização de flores e plantas ornamentais do estado do Rio de Janeiro Jorge Luiz costa S. Reis48 Resumo O estado do Rio de Janeiro possuía, até o início da pandemia do coronavírus, a segunda maior produção de flores de corte e plantas ornamentais do Brasil, à retaguarda apenas do Estado de Paulo. Em território fluminense, os municípios situados nas regiões Serrana, Metropolitana, Centro- Sul e Baixadas Litorâneas concentram juntas a maior parte da produção, número de produtores e valores arrecadados no Estado. Através dos municípios situados nessas regiões compreende-se a dimensão espacial estabelecida pela floricultura e os nós da rede geográfica formada pela produção, comercialização e consumo. Essas etapas estão presentes nos espaços rurais e urbanos, portanto, há uma intrínseca relação entre esses espaços, caracterizados como produtores e consumidores. Vale ressaltar que a rede fluminense não é homogênea e esta situação pode ser exemplificada pelo perfil dos produtores que estão inseridos nela, pois enquanto na Região Metropolitana são encontrados empresários mais capitalizados, na Região Serrana os produtores são majoritariamente familiares. Estes últimos sofreram com maior intensidade os efeitos da pandemia, isto porque eventos consumidores de flores de corte foram proibidos em razão das medidas sanitárias adotadas pelas autoridades públicas. Neste artigo objetiva-se apresentar os pontos centrais da floricultura fluminense, destacando os efeitos da Covid-19 na produção, comercialização e consumo. Palavras-chave: Redes geográficas. Floricultura. Rio de Janeiro Área: Geografia Sessão temática: Espaço rural: dimensão espacial da floricultura fluminense. 48 Jorge Luiz costa S. Reis, doutorando em Geografia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC- Rio). 55 “Atenas do Norte”, cidade afazendada: a intrusão do rural na Diamantina dos séculos XIX e XX Sofia Lobato de Alcântara Martins49 Marcos Lobato Martins50 Resumo Este trabalho discute aspectos do processo de urbanização de Diamantina, refletindo sobre as imbricações entre “urbano” e “rural” na formação da cidade. Começa-se com a discussão teórica a respeito do binômio campo-cidade; em seguida, mostram-se as características da “face” urbana de Diamantina entre as décadas de 1820 e 1930; depois, o foco se concentra na frequente e contínua intrusão do “rural” na trama urbana – atividades, elementos paisagísticos e tipos humanos vinculados ao campo – e, por fim, propõe-se que a apreensão do espaço do passado diamantinense deve ser radicalmente diferente do entendimento da cidade moderna. Relativamente aos séculos XVIII, XIX e boa parte do século XX, não se deve pensar o Tijuco/Diamantina como lugar urbano adensado oposto a um largo cinturão agrominerador, sertão da rusticidade e da economia primária. As fontes utilizadas são relatos de viajantes e memorialistas, inventários e escrituras, plantas urbanas, notícias de jornais e fotografias antigas. Palavras-chave: Configuração urbana. Relações rural-urbano. Diamantina, Minas Gerais. Área de conhecimento: História Regional, História Urbana, Geografia Urbana. Sessão temática: Sociedades Rurais: realidades e trajetórias. 49 Sofia Lobato de Alcântara Martins, arquiteta graduada pela UFMG, Sócia do escritório HEMISFERIO, de Belo Horizonte (MG). 50Marcos Lobato Martins, doutor em História Econômica pela USP, Professor do curso de História e do mestrado em Estudos Rurais da UFVJM, Campus Diamantina (MG), Coordenador do Núcleo de Estudos das Sociedades Agrárias (NESA). 56 O Mercado Municipal de Diamantina: produção rural, comércio e abastecimento, 1922-1931 Angelo Alves Carrara51 Resumo Esta pesquisa tem por objetivo analisar o abastecimento de mercadorias na cidade de Diamantina na década de 1920 com base nos registros da cobrança da taxa sobre elas incidente no momento em que eram descarregadas no Mercado Municipal, num momento em que a economia brasileira começou a experimentar mudanças provocadas pela crise de 1929. Ainda que Diamantina já contasse com acesso ferroviário desde 1913, o abastecimento especialmente de gêneros alimentícios até a década de 1930 ainda era feito majoritariamente por tropeiros, como nos séculos anteriores. Além disso, outro elemento que se manteve até essa época foi o sistema de medidas. Com base nos registros de 16 de outubro de 1929 a 27 de outubro de 1930, são apresentados aqui alguns resultados parciais do movimento de mercadorias transportadas pelos no Mercado Municipal de Diamantina, os locais de origem e o volume dos gêneros comercializados. Do mesmo modo, analisa-se o movimento sazonal de cada mercadoria. Por fim, é apresentando o território responsável pelo abastecimento que tinha como ponto terminal o Mercado Municipal de Diamantina. Palavras-chave: Mercado Municipal de Diamantina. Produção rural. Comércio. Área de conhecimento: História Econômica Sessão temática: Sociedades Rurais: realidades e trajetórias 51 Angelo Alves Carrara, doutor em História, Professor titular da Universidade Federal de Juiz de Fora. 57 Proprietários e propriedades rurais no Ribeirão Setúbal e Contrato: uma análise do RPT de São João Batista, 1855-1857 Rhayane Cristine dos Santos52 Resumo O século XIX significou disponibilidade de terras para que uma população colona pudesse avançar e assegurar o poder do governo Imperial nas diferentes partes do Sertão. Este estudo humildemente pretende compreender, isto é, dentro das possibilidades de análise, a questão da estrutura fundiária e redes de sociabilidades nos micro espaços do Arraial de São João Batista do Termo de Minas Novas. Localizados à beira do caminho que ligava a Vila de São João Batista até a Vila de Nossa Senhora das Graças de Capelinha, os micro espaços do Ribeirão Setúbal e do Contrato foram um dos primeiros locais de ação das Juntas Militares responsáveis pelo extermínio e, noutras vezes estabeleceu-se a inserção, mesmo que violenta dessas tribos indígenas locais, ao modo de vida do colono. Esta região possui pouco número de fontes documentais, portanto, aqui pretende-se analisar os Registros Paroquiais de Terras, reproduzindo o método de estudo apresentado por Angelo Alves Carrara e Rafael Laguardia (2013), um estudo sobre os declarantes e suas redes de vizinhança. Apesar de essa série documental não permitir avançar em certas questões como os conflitos de terras, ela possibilita revelar determinadas dinâmicas de acesso à terra, uma vez que as primeiras ocupações nestes micro espaços analisados, tenha ocorrido nos anos anteriores, por volta do século XVIII. Assim, como também é possível revelar os nomes desses indivíduos que participaram dessa comunidade rural. Palavras-chave: Propriedades rurais. Registros paroquiais de terra. Proprietários Área do conhecimento: História Sessão temática: Sociedades Rurais: realidades e trajetórias. 52 Rhayane Cristine dos Santos, mestranda no Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). 58 Terras, produção agrícola e a dimensão do agrário no Termo da Vila do Rio Pardo (Minas Gerais, sec. XIX) Edneila Rodrigues Chaves53 Resumo Este trabalho investiga sobre a sociedade do Rio Pardo, em Minas Gerais, século XIX, em sua dimensão agrária. A abordagem da análise é para as propriedades territoriais e para o setor agrícola, em interface com o caráter agrário dessa sociedade. Para a realização do estudo, foi feita pesquisa arquivística em documentos cartorários, tratando-se de uma série de 401 processos de inventário de post mortem. Desses documentos, foram utilizados dados fundiários e dados agrícolas. Realizou-se também pesquisa bibliográfica, com coleta de dados pertinentes ao tema e ao objeto de estudo e com foco para referenciais históricos, historiográficos, teóricos e metodológicos. Constata-se uma sociedade de configuração agrária, na qual as terras eram os principais meios de produção e reprodução da vida material local. Já para as atividades agrícolas, nota-se que se constituíram em atividades predominantes no uso socioeconômico das terras. Palavras-chave: Propriedade da terra. Agricultura. Rio Pardo/Minas Gerais Área do conhecimento: História Sessão temática: Sociedades Rurais: realidades e trajetórias. 53 Edneila Rodrigues Chaves, doutora em História, Professora adjunta da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, no curso de História e no Programa de Pós-graduação em Estudos Rurais (História - PPGER - FIH/UFVJM). 59 Aspectos da cultura material e da vida rural em Alfenas, MG (1855-1897) Marcos Lobato Martins54 Sofia Lobato de Alcântara Martins55 Resumo Este artigo analisa a cultura material existente nas propriedades rurais do município de Alfenas (MG), na segunda metade do século XIX, lançando mão de amostra de inventários do período 1855-1897 pertencente ao acervo do antigo Juízo de Órfãos e Ausentes do Termo de Alfenas. São arrolados os tipos de bens, ferramentas, benfeitorias e objetos de luxo presentes nos inventários de fazendeiros e sitiantes, com o objetivo de caracterizar os estilos de vida nas áreas rurais e as marcas concretas de distinções sociais presentes na sociedade local. Conclui-se que, no município de Alfenas, predominava rústico padrão de vida entre os proprietários rurais, bem como sistema agrário tradicional, e que, na passagem para o século XX, teve início processo incipiente de refinamento da cultura material entre os habitantes mais abastados do município, especialmente entre aqueles que possuíam residência na sede urbana. Novidade que não parece ter decorrido direta e principalmente como efeito do avanço gradual da cafeicultura no território do município. Palavras-chave: Propriedades rurais, Cultura material, Estilo de vida, Alfenas (MG). Área de conhecimento: História Regional. Sessão temática: Sociedades Rurais: realidades e trajetórias. 54 Marcos Lobato Martins, doutor em História Econômica pela USP, Professor do curso de História e do Mestrado em Estudos Rurais da UFVJM, Campus Diamantina (MG), Coordenador do Núcleo de Estudos das Sociedades Agrárias (NESA). 55 Sofia Lobato de Alcântara Martins, arquiteta graduada pela UFMG, Sócia do escritório HEMISFERIO, de Belo Horizonte (MG). 60 Os impactos socioambientais de grandes empreendimentos no campo: breves reflexões sobre a UHE Estreito (MA) Hugo Noleto da Silva56 Fabiane Ripplinger57 Renata Vieira de Melo58 Resumo A construção dos grandes empreendimentos hidrelétricos no Brasil promoveu a ampliação da matriz energética nacional, entretanto, o aumento das Usinas Hidrelétricas provocou impactos significativos aos ecossistemas e as diversas comunidades, especialmente aquelas que residem em áreas rurais e que realizam suas atividades econômicas, sociais, religiosas e culturais nestes locais. Este estudo apresenta considerações acerca dos impactos gerados a partir da formação do lago da Usina Hidrelétrica de Estreito (MA), um dos grandes empreendimentos patrocinados pelo governo brasileiro, que constitui nosso objeto de estudo. Evidenciamos as principais implicações às comunidades ribeirinhas atingidas pela UHE Estreito, dentre elas, a realocação forçada dessa população, afetando a dinâmica econômica e cultural local. Para consolidação deste trabalho buscou-se uma revisão de literatura temática, com base em teóricos do assunto, presente em artigos, livros, monografias, assim como, a busca de dados secundários em institutos de pesquisa. Portanto compreendeu-se que a consolidação da UHE de Estreito provocou impactos que persistem na atualidade, tanto em aspectos socioeconômicos, ambientais e culturais. Palavras-chave: Usinas Hidrelétricas. UHE Estreito. Impactos. Área: Geografia Humana Sessão temática: Sociedades Rurais: realidades e trajetórias 56 Hugo Noleto da Silva, mestrando em Geografia pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Bolsista CAPES. 57 Fabiane Ripplinger, doutoranda em Geografia pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Bolsista CAPES. 58 Renata Vieira de Melo, doutoranda em Geografia pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Bolsista CAPES. 61 Sindicalização de trabalhadores rurais e assistência à saúde – Diamantina, Minas Gerais, 1970-198559 Túlio Henrique Pinheiro60 Edneila Rodrigues Chaves61 Resumo O estudo refere-se ao acesso aos serviços de saúde por parte de trabalhadores rurais de Diamantina (Minas Gerais), no âmbito da sindicalização desse segmento, no período de 1970-1985. O objetivo foi investigar sobre a criação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Diamantina e o processo de sindicalização dos trabalhadores, em interface com a assistência à saúde, via o Programa de Assistência ao Trabalhador Rural, em nível nacional e operacionalizada pelo Sindicato em nível local. Investigou-se também sobre a percepção dos trabalhadores rurais em relação ao acesso aos serviços de saúde prestados pelo referido Sindicato. Em termos de materiais e de metodologia, utilizou-se dados bibliográficos pertinentes à temática em questão e referenciais teóricos e metodológicos da história oral, com a produção de fontes orais. Utilizou-se também dados coletados de fontes documentais do acervo do arquivo do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Diamantina e dados coletados do jornal Voz de Diamantina, com aplicação de metodologias pertinentes a ambos os materiais. Constata-se que os trabalhadores rurais qualificaram o tempo do Sindicato e o da sindicalização como um “novo tempo”, em relação às percepções que tinham sobre o acesso aos serviços de saúde e em consonância com as mudanças vivenciadas no “novo tempo”. Palavras-chave: Rural. Sindicato. Serviços de saúde. Área: História Sessão temática: Sociedades Rurais: realidades e trajetórias 59 Este texto é parte reformulada do trabalho desenvolvido no curso de mestrado, intitulado “Trabalhadores, terra, sindicato: sindicalismo rural em Diamantina – MG (1970-1985)” e circunscrito ao projeto de pesquisa “Agricultura familiar, lutas sociais e espaços institucionais”, coordenado pela profª Drª Edneila Rodrigues Chaves. O trabalho contou com o apoio financeiro da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-graduação da UFVM, por meio de bolsa institucional. 60 Túlio Henrique Pinheiro, mestre em Estudos Rurais pelo Programa de Pós-graduação em Estudos Rurais (PPGER/UFVJM), professor no Colégio Tirantes da Polícia Militar de Minas Gerais, unidade Diamantina. 61 Edneila Rodrigues Chaves, doutora em História, professora adjunta da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, no curso de graduação em História e no Programa de Pós-graduação em Estudos Rurais (História - PPGER-FIH/UFVJM). 62 Mulheres Camponesas & Cadernetas Agroecológicas: desvelando o trabalho das mulheres62 Ana Alice França da Silva Gomes63 Elizete Pires de Sena64 Ivana Cristina Lovo65 Resumo A pesquisa em andamento é do tipo transversal, sendo caracterizada por ser uma pesquisa ação emancipatória e até o momento concretizou o envolvimento de 24 mulheres rurais (agricultoras, camponesas, quilombolas) participantes do Projeto de Extensão denominado “Mulheres Camponesas & Cadernetas Agroecológicas: desvelando trabalho e resistência aos grandes projetos de desenvolvimento”, pertencentes aos municípios do Serro, Conceição do Mato Dentro, Dom Joaquim e Alvorada de Minas, em Minas Gerais. Tem por objetivo geral: caracterizar o trabalho e a agrosociobiodiversidade manejada por mulheres que se encontram em realidade de conflitos com a mineração, através da utilização da Caderneta Agroecológica, de forma a revelar o trabalho dessas mulheres e seu impacto no manejo dos agroecossistemas; e objetivos específicos: sistematizar a produção das mulheres e identificar potenciais produtivos e de geração de renda a partir dos seus agroecossistemas. Os resultados parciais analisam os resultados de junho a dezembro/2021 e demonstram que há um impacto econômico do trabalho das mulheres na rotina familiar. Importante ressaltar o impacto das Cadernetas na vida e na auto estima das mulheres, como revela uma das suas falas “A gente sabe agora a renda que tem”. Palavras-chave: caderneta agroecológica, mulheres rurais, trabalho das mulheres. Área de Conhecimento: Ciências Humanas Sessão Temática: Sociedades Rurais: realidades e trajetórias 62 O presente trabalho foi realizado com apoio da FAPEMIG, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais – Brasil e do Programa Institucional de Bolsas de Extensão da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (PIBEX-UFVJM). 63 Ana Alice França da Silva Gomes, graduanda de Licenciatura em Geografia - Faculdade Interdisciplinar em Humanidades/UFVJM, Bolsista Iniciação Científica FAPEMIG-Brasil Edital Edital CICT 004-2021 PIBIC –UFVJM. 64 Elizete Pires de Sena, graduanda de Licenciatura em Educação do Campo - Faculdade Interdisciplinar em Humanidades, bolsista de Extensão Edital Pibex-Proexc UFVJM 01/2021 e 01/2022. 65 Ivana Cristina Lovo, Professora da Licenciatura em Educação do Campo e do Mestrado em Estudos Rurais - Faculdade Interdisciplinar em Humanidades - UFVJM, doutora em Ciências Humanas, Membro do Observatório dos Vales e do Semiárido Mineiro. E-mail: observatorio@ufvjm.edu.br. 63 Trajetórias e conflitos: movimento camponês e formação socioespacial de Ivinhema-MS Thiago da Silva Melo 66 Resumo A contribuição do campesinato está presente desde a formação socioespacial de grande parte dos municípios do interior do Brasil, fato que ainda carece de maiores estudos e discussões, nesse sentindo, esse artigo tem como finalidade caracterizar a formação socioespacial de um desses municípios: Ivinhema-MS, evidenciando como se deu a participação social do movimento camponês nesse processo, utilizando um recorte temporal do período entre 1950-1985, de modo que se possa obter um panorama geral da questão agrária após as primeiras décadas de sua constituição. A pesquisa se norteou com base em bibliografia relacionada à temática, levantamento de dados em órgãos como o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Prefeitura Municipal de Ivinhema. Foi possível verificar que a participação social do campesinato no processo de formação do espaço agrário do município foi grande assim como as lutas e resistências do movimento e suas conquistas que também tiveram a sua influência, demonstrando sua capacidade de organização. Palavras-chave: Campesinato. Território. Luta pela terra. Área: Geografia Sessão temática: Sociedades Rurais: realidades e trajetórias 66 Thiago da Silva Melo, mestre em Geografia pela Universidade Estadual de Londrina (Uel-PR), professor Assistente convocado da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). 64 Resistências e existências camponesas em espaços hegemônicos do agronegócio Rosselvelt José Santos67 Vitória Marques Barbosa68 Resumo O texto aborda formas de resistência camponesa diante do processo de territorialização do agronegócio. Com o objetivo de compreender a forma como os vínculos territoriais nos lugares são (re) estabelecidos e identificar as tensões presentes nas ações de reterritorialização camponesa, estabelecemos um debate teórico com algumas constatações empíricas sobre os jeitos de permanência no lugar e formas de resistência na luta pela terra. No texto são abordadas as relações de poder sobre duas classes que se confrontam. De um lado o campesinato, caracterizado por não seguir a lógica de produção dominante do capitalismo e do outro o agronegócio. A metodologia utilizada se refere a pesquisa bibliográfica e trabalhos de campo. Selecionamos uma bibliografia crítica de obras voltadas ao tema e procedemos a uma análise de diversos procedimentos de luta pela terra, tendo como sujeitos os camponeses. A partir de análises teórico-empíricas observamos diversas formas de permanência, envolvendo o trabalho familiar e organização comunitária. Contudo, são afinidades que desautorizam quaisquer tipos de generalizações. Trata-se de arranjos sociais, onde cada um possui especificidades decorrentes do processo territorial, das histórias de vida dos envolvidos e estratégias de existência. Palavras-chave: Agronegócio; Camponeses; Resistência. Área: Geografia Sessão temática: Sociedades Rurais: realidades e trajetórias 67 Rosselvelt José Santos, doutor em Geografia, Professor titular do instituto de geografia da UFU. 68 Vitória Marques Barbosa, discente do curso de Licenciatura em Geografia na UFU. 65 Aspectos socioeconômicos, estudo, trabalho e uso de tecnologias: a realidade dos jovens rurais de Guiricema-MG Andreza Teixeira Guimarães Stampini69 Neide Maria de Almeida Pinto70 Joyce Keli do Nascimento Silva71 Resumo O meio rural ainda é visto como um lugar associado ao “atraso”, o que implica em maioria das vezes, relacionar a população rural como um segmento que vive à margem da sociedade, tanto no que diz respeito aos direitos sociais, como no acesso às políticas públicas e ao consumo. Nesse contexto, o presente artigo caracterizou o perfil socioeconômico de jovens residentes no município agrícola de Guiricema, localizado no interior de Minas Gerais, abordando, em especial, aspectos relativos às suas condições de moradia, acesso ao estudo, trabalho e uso de tecnologias da informação e comunicação. Como estratégia metodológica foi utilizada a pesquisa bibliográfica e a abordagem quantitativa, a partir do Software para Análise Estatística PSPP. Com o programa foi realizada uma Análise de Frequência dos dados obtidos através da aplicação de 36 questionários semiestruturados aos jovens entre 15 a 24 anos de idade que residem no meio rural do município selecionado. No presente artigo, foi possível constatar a realidade dos jovens rurais do município de Guiricema-MG. Ademais, constatou-se que muitos dos resultados da pesquisa estão condizentes com a realidade vivenciada por muitos residentes em municípios rurais brasileiros. Palavras-chave: Alunos rurais. Educação. Pandemia. Área: Ciências humanas Sessão temática: Sociedades Rurais: realidades e trajetórias 69 Andreza Teixeira Guimarães Stampini, doutoranda do Programa de Pós-graduação em Economia Doméstica da Universidade Federal de Viçosa (UFV). 70 Neide Maria de Almeida Pinto, Professora do Departamento de Economia Doméstica da Universidade Federal de Viçosa (UFV). 71 Joyce Keli do Nascimento Silva, pós-doutora pelo Programa de Pós-graduação em Economia Doméstica da Universidade Federal de Viçosa (UFV). 66 Possibilidades e limites das políticas públicas para a agricultura familiar: O PAA e o PNAE no Assentamento Dois de Junho, Olhos D’Água-MG Suzana Graziele de Souza72 Mirlei Fachini Vicente Pereira73 Resumo O trabalho visa avaliar os desafios, possiblidades e limites das políticas de valorização da produção familiar, a partir de uma análise da implementação do PAA e do PNAE no assentamento Dois de Junho, município de Olhos D’Água-MG. A metodologia utilizada consistiu em revisão de literatura e análise das respostas de entrevistas realizadas junto a um grupo de famílias assentadas e representantes dos programas. É possível inferir que, apesar de sua importância inegável e do avanço que a participação nos programas PAA e PNAE representou em termos de produção e renda, o acesso a tais políticas ainda é restrito e há limites para o estabelecimento pleno de melhores condições de vida aos agricultores assentados. Palavras- chave: Políticas Públicas. Assentamentos. Olhos D´Água-MG. Área: Geografia Sessão temática: Sociedades Rurais: realidades e trajetórias 72 Suzana Graziele de Souza, doutoranda em Geografia, Bolsista Capes, PPGEO/UFU. 73 Mirlei Fachini Vicente Pereira, doutor em Geografia, professor Associado no Instituto de Geografia IG- UFU/PPGEO– UFU. 67 A inserção da agricultura familiar no contexto do agronegócio cafeeiro na mesorregião Sul/Sudoeste do estado de Minas Gerais: Características e contradições Renata Vieira de Melo 74 Resumo O presente artigo tem como objetivo apontar as características, contradições e implicações inerentes ao agronegócio cafeeiro diante a inserção de agricultores familiares nessa dinâmica de produção na mesorregião Sul/Sudoeste de Minas Gerais. Para atingir esse objetivo, realizamos uma revisão bibliográfica temática em livros, teses, dissertações e artigos, e ainda buscamos dados secundários dos Censos Agropecuários do IBGE 2006 e 2017, e da Pesquisa Agrícola Municipal do IBGE. A agricultura familiar desempenha um papel preponderante na produção cafeeira dessa região, entretanto o modelo de produção baseado no agronegócio apresenta contradições que se perpetuam à medida que se estabelece uma mundialização dessa atividade. Observa-se a fragilidade da agricultura familiar no que se refere a sua baixa resistência econômica as externalidades negativas da agricultura globalizada, a precarização das relações de trabalho e a exposição constante ao manuseio de sustâncias químicas degradantes para saúde humana, o que evidencia a urgência por modificações na atual conjuntura cafeeira nessa mesorregião. Palavras-chave: Agronegócio. Cafeicultura. Contradições Área: Geografia Humana Sessão temática: Sociedades Rurais: realidades e trajetórias 74 Renata Vieira de Melo, doutoranda em Geografia pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Bolsista CAPES. 68 A mineração nas comunidades rurais do Médio Jequitinhonha: abordagem preliminar para compreensão das novas roupagens dos projetos minerários Albér Carlos Alves Santos75 Resumo A riqueza extraída do Brasil, assim como em toda a América Latina, seguiu em grande medida de uma demanda externa, desde o período da colonização. O desenvolvimento do capitalismo neste território esteve então pautado, a partir do século XVI, pela divisão internacional do trabalho. Considerando as especificidades regionais e partindo da teoria da dependência, propõe-se com esse trabalho uma análise preliminar da implantação dos projetos minerários nas comunidades rurais da região do Médio Jequitinhonha. A análise é bibliográfica e tem como fonte secundária reportagens do jornal “O Estado de São Paulo” de 1977. A questão é colocada a partir da apropriação das mineradoras em áreas rurais da região citada, expulsando os moradores para as cidades e/ou colocando dificuldades para outras formas de utilização da terra, sobretudo a agricultura familiar, uma vez que as mineradoras fazem arrendamento de grandes áreas para fins de exploração, que nesse trabalho foi verificado em perspectiva histórica partindo de um exemplo da década de 1970. Os territórios a as populações são impactadas diretamente pela lógica do capital, proposta pelos empreendimentos das empresas que se instalam na mesorregião do Jequitinhonha. Palavras-chave: Médio Jequitinhonha. Mineração. Dependência. Área: Ciências Sociais Sessão temática: Sociedades Rurais: realidades e trajetórias 75 Albér Carlos Alves santos, Assistente Social, licenciado em Filosofia, mestre em Ciências Humanas (UFVJM) e doutorando pelo Programa de Pós Graduação em Desenvolvimento Social da Universidade Estadual de Montes Claros (PPGDS/Unimontes). 69 Desenraizamentos, continuidades e reconversões sociais no mundo do trabalho das estâncias na região da Campanha sul-rio-grandense76 Francis Casagranda Zanella77 Resumo Este artigo categoriza e analisa itinerários de reprodução social de trabalhadores e trabalhadoras da economia estancieira em São Gabriel, na região da Campanha no Rio Grande do Sul. Especificamente, são analisadas trajetórias que atravessam a segunda metade do século XX, num período de mudanças estruturais no mundo rural brasileiro em termos de desenraizamentos dos trabalhadores frente aos grandes domínios rurais e de reconversões sociais para novas possibilidades de trajetória pauperizada, insubordinada ou ascendente. A abordagem metodológica mesclou elementos da pesquisa etnográfica e dos tipos ideais weberianos. Contou com observação direta e entrevistas com vinte e uma pessoas, acrescidas da análise de relações mais cristalizadas por meio de censos demográficos e agropecuários. A análise produziu tipos ideais de trajetória social em termos das formas de interdependência com as dinâmicas de dominação na economia estancieira: i) desenraizados que “fazem de tudo”; ii) pauperizados com vínculo nas estâncias; iii) desenraizados que trabalham “por sua conta”. Palavras-chave: Trabalhadores rurais. Dominação. Campesinato brasileiro Área: Sociologia Sessão temática: Sociedades Rurais: realidades e trajetórias 76 O presente trabalho foi realizado com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, Chamada Universal MCTIC/CNPq 2018; e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001. 77 Francis Casagranda Zanella, Licenciado em Sociologia, doutorando no Programa de Pós-graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (CPDA) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). 70 O papel da moradia como instrumento de controle político: olhares para a América Latina, ênfase no Brasil78 Gessica Steffens79 Aline Weber Sulzbacher80 Resumo Este trabalho propõe-se uma reflexão sobre o papel da moradia como instrumento de controle político, considerando o processo histórico de base colonial e indicando correlações entre o contexto europeu e latino-americano, e a partir disso, discutimos os desafios para que a moradia adequada seja reconhecida como um direito humano para as populações atingidas por barragens no Brasil. Os procedimentos metodológicos envolvem a execução da pesquisa da dissertação denominada “Entre o dito e o construído: análise de reassentamento de atingidas/os por barragem no Vale do Jequitinhonha/MG, sob a ótica dos direitos humanos” vinculada ao Programa de Pós- graduação em Estudos Rurais (PPGER). Com abordagem qualitativa para a realização de entrevistas e análise de conteúdo no reassentamento Agrovila 2 localizado no município de Chapada do Norte (MG), composto por 84 famílias atingidas pela construção da barragem de Setúbal, Jenipapo de Minas (MG). Os resultados indicam que não há legislação vigente que garanta os direitos básicos de toda essa população atingida e que encadeadas as informações coletadas nesta pesquisa pode-se afirmar que que TODOS os princípios da moradia adequada (segurança de posse, disponibilidade de serviços, materiais, instalações e infraestrutura, economicidade, habitabilidade, acessibilidade, localização, adequação cultural) são violados neste local, corroborando a afirmação de que ainda predomina no Brasil um modelo de construção baseado no controle social. Palavras-chave: Moradia adequada; deslocamento compulsório; atingidas/os por barragens. Área: Ciências Humanas Sessão temática: Sociedades Rurais: realidades e trajetórias 78 Escrevemos estas linhas em outubro de 2022, permeadas por desafios envolvendo a disputa eleitoral que expõe as entranhas e contradições da formação socioeconômica brasileira, para participação no “I Encontro Nacional Sociedades Agrárias e Ecodesenvolvimento. Trajetórias e perspectivas do Rural no bicentenário da Independência do Brasil (1822- 2022)”, 21 a 25 de novembro de 2022, na UFVJM-Diamantina/MG. Sessão temática - Sociedades Rurais: realidades e trajetórias. 79 Gessica Steffens, mestra em Estudos Rurais (PPGER-UFVJM). 80 Aline Weber Sulzbacher, geógrafa-Licenciada, mestre em Extensão Rural, doutora em Geografia, Docente do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Estudos Rurais (PPGER), docente na Faculdade Interdisciplinar em Humanidades - FIH/UFVJM. 71 O lidar feminino com a terra Marcela Tomaz Silva Fernandes81 Rosselvelt José Santos82 Resumo Atualmente enfrentamos uma crise ambiental que gera prejuízos à saúde, à segurança alimentar e à vida como um todo. Nesse sentido esse trabalho se propõe a fazer um estudo bibliográfico a fim de compreender o protagonismo feminino na agroecologia e dar visibilidade às lutas enfrentadas principalmente no período que sucede a ditadura militar, possibilitando a abertura de sindicatos que fomentaram os primeiros passos na direção da busca por equidade de direitos. A metodologia utilizada foi a análise bibliográfica com objetivo de compreender quais fatores levam as mulheres a se sobressair na prática agroecológica e entender como se dá e quais fatores influenciam a lida feminina com a terra. No texto também consideramos os cuidados que as mulheres têm em casa com os familiares; suas práticas no cultivo em hortas e quintais indicam comprometimentos em garantir sustento e saúde a família. O lidar feminino com a terra envolve conhecimentos e são estendidos como conjunto denso de práticas agrícolas. Quando elas se tornam responsáveis/protagonistas pela propriedade familiar, praticando seus saberes, entende-se que as relações seguem a lógica da mutualidade. Por recíproco compreende-se um conjunto de práticas, onde as mulheres cuidam da terra que por sua vez cuida da prole. Palavras Chave: Mulher, Agroecologia, Terra. Área: Geografia Sessão temática: Sociedades Rurais: realidades e trajetórias 81 Marcela Tomaz Silva Fernandes, graduanda do curso de geografia UFU. 82 Rosselvelt José Santos, Professor doutor do Instituto de Geografia UFU. 72 Parte IV Extrativismo, Cultura e Desenvolvimento 73 O papel das mulheres na proteção do bioma Pantanal Gabriele Araujo Gomes83 Danielle de Ouro Mamed84 Resumo O presente estudo tem por objetivo geral investigar quais são as funções exercidas por mulheres na proteção do Pantanal em sua porção brasileira e como a legislação tem atuado para garantir os direitos fundamentais destas mulheres. Para o alcance do objetivo principal, como objetivo específicos, proceder-se-á: a) a partir de literatura especializada, contextualizar especificamente os conflitos socioambientais que afetam o Pantanal; b) examinar a atuação feminina em causas socioambientais, sob o prisma da corrente do ecofeminismo; e, c) analisar quais são as legislações existentes para a proteção do Pantanal e como elas se amoldam à proteção dos direitos e garantias fundamentais das mulheres pantaneiras. A metodologia utilizada nesta pesquisa será de abordagem qualitativa, realizada através do método dedutivo com objetivo exploratório e por meio do procedimento bibliográfico e documental. A partir da análise realizada na pesquisa, obtiveram – se como resultados principais as elucidações de que: a) as mulheres têm participação substancial nos processos de conservação e proteção do Pantanal; b) existem violações de direitos fundamentais relacionadas ao seu gênero biológico; e, c) existem lacunas legislativas quanto à proteção destas mulheres e quanto ao bioma em que habitam. Palavras-chave: Direito Socioambiental. Pantanal. Mulheres. Área: Direito Socioambiental Sessão temática: Extrativismo, Cultura e Desenvolvimento 83Gabriele Araujo Gomes, Discente de graduação do curso de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. 84 Danielle de Ouro Mamed, Professora Adjunta da Universidade Federal de Santa Catarina/ Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, doutora em Direito Econômico e Socioambiental, com pós-doutoramento em Desenvolvimento Regional. 74 Pescadores na Bacia do Jequitinhonha, séculos XIX-XX Lauanda Lopes de Souza85 Marcos Lobato Martins86 Resumo Este artigo investiga a trajetória da pesca artesanal na parte mineira da bacia hidrográfica do Jequitinhonha, ao longo dos séculos XIX e XX. As fontes utilizadas são principalmente relatos de viajantes, textos de memorialistas, relatórios governamentais e notícias da imprensa, bem como testemunhos de antigos pescadores. São discutidos assuntos como o significado regional dessa atividade, as espécies de peixes mais apreciadas pelos pescadores, as práticas e instrumentos por eles empregados, suas condições sociais e aspectos do seu cotidiano. Analisam-se também os fatores que têm causado a diminuição sensível do pescado na bacia desde fins do século passado e que, por conseguinte, geram perspectiva sombria relativamente ao futuro da atividade na região. Conclui-se que a pesca na parte mineira da bacia do Jequitinhonha não alcançou grande vulto econômico, sobretudo se comparada com a do São Francisco; porém, constituiu meio de vida para populações ribeirinhas que combinaram a pequena agricultura com a pesca até bem avançado o século XX, especialmente no Médio e Baixo Jequitinhonha. Palavras-chave: Pesca artesanal. Práticas e Condições dos pescadores. Bacia do Jequitinhonha. Área de conhecimento: História Regional. Sessão temática: Extrativismo, Cultura e Desenvolvimento. 85 Lauanda Lopes de Souza, bacharela em Humanidades e mestra em Estudos Rurais pela Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), Pesquisadora do Núcleo de Estudos das Sociedades Agrárias (NESA). 86 Marcos Lobato Martins, doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP), professor do curso de História e do Mestrado em Estudos Rurais da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), Coordenador do Núcleo de Estudos das Sociedades Agrárias (NESA). 75 Os senhores da economia no nordeste mineiro: articulações entre mineração e agricultura no Vale do Jequitinhonha oitocentista Marcos Lobato Martins87 Resumo Este trabalho analisa as articulações entre atividades agropecuárias e minerárias na trajetória de negócios de algumas famílias proprietárias, donas de grandes fortunas e influência política, no Vale do Jequitinhonha mineiro durante a segunda metade do século XIX e primeiras décadas do século XX. Investigam-se as maneiras como combinaram em suas fazendas e firmas lavouras, criação de gado e garimpo de ouro e pedras preciosas, os seus amplos espaços geográficos de atuação e a lógica familiar de gestão de seus negócios, bem como aspectos da operação das alargadas redes mercantis em que se envolveram. Conclui-se que, cada uma a seu modo, estas famílias senhoriais de fazendeiros-garimpeiros dependeram justamente das rendas advindas da agropecuária e da mineração para sustentar seus negócios e poder político local/regional. As fontes empregadas são documentos cartoriais, textos de memorialistas, notícias de jornais de época e dados de relatórios oficiais. Palavras-chave: Agricultura e extrativismo, Elites senhoriais, Trajetória de negócios, Vale do Jequitinhonha. Área de conhecimento: História Regional. Sessão temática: Extrativismo, Cultura e Desenvolvimento. 87 Marcos Lobato Martins, doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP), professor do curso de História e do Mestrado em Estudos Rurais da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), Coordenador do Núcleo de Estudos das Sociedades Agrárias (NESA). 76 A terra e as minas: conflitos territoriais no semiárido mineiro Izabella Aléxia Carneiro Santos88 Aline Weber Sulzbacher89 Resumo Este trabalho tem por objetivo discutir as relações entre a questão agrária e a mineração no semiárido mineiro, partindo da referência da terra e das minas. As reflexões aqui apresentadas surgem a partir da execução do projeto de pesquisa intitulado “Questão agrária e Mineração: análise dos grandes empreendimentos no Vale do Jequitinhonha” (outubro de 2021 a setembro de 2022) com bolsa de Iniciação Científica financiada pela Fundação de Amparo à pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG). A pesquisa está vinculada ao Observatório dos Vales e do Semiárido Mineiro, grupo interdisciplinar de pesquisa, ensino e extensão. Os procedimentos metodológicos envolvem pesquisa bibliográfica, análise de dados secundários, que foram gerados a partir do Sistema de Informações Geográficas da Mineração (SIGMINE). Como resultados, podemos indicar um grande aumento no número de processos minerários no Vale, que caracteriza a região como uma nova fronteira mineral. A partir disso, percebe-se a expropriação de comunidades e camponeses para a implantação dos projetos, o que origina variados e graves conflitos sociais, ambientais e, sobretudo, territoriais – pois, afinal, envolvem determinados grupos sociais cuja relação com o espaço é basilar para forjar seu modo de vida, cultura e valores. Palavras-chave: Grandes Projetos de Desenvolvimento. Mineração. Território. Área: Geografia. Sessão temática: Sociedades Rurais: Extrativismo, Cultura e Desenvolvimento. 88 Izabella Aléxia Carneiro Santos, discente do Curso de Geografia na Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Faculdade Interdisciplinar em Humanidades - FIH/UFVJM. 89 Aline Weber Sulzbacher, geógrafa-Licenciada, mestre em Extensão Rural, doutora em Geografia, docente do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Estudos Rurais (PPGER), professora na Faculdade Interdisciplinar em Humanidades - FIH/UFVJM. 77 A paralização do garimpo e a COOPERGADI - Diamantina/MG (1989-1996) Gerfeson Carvalho dos Santos90 Edneila Rodrigues Chaves91 Resumo Aborda-se neste trabalho sobre a fundação e atuação da Cooperativa Regional de Garimpeiros de Diamantina - COOPERGADI, frente à regulação mineral do garimpo, na década de 1980. O objetivo foi o de observar que segmentos foram responsáveis pela fundação da Cooperativa e como a mesma atuou para atender as demandas de seus associados, em conjuntura de paralização da atividade do garimpo, por força regulamentar. Buscou-se verificar o histórico da regulação do garimpo no século XX e sua suspensão na década de 1980. Identificou-se a conjuntura em Diamantina mediante a suspensão do garimpo e o processo de mobilização dos garimpeiros frente à adversidade desse processo. Foi feita pesquisa bibliográfica e coletados dados pertinentes aos objetivos do trabalho. Conclui-se que a criação da COOPERGADI, inicialmente sistematizou a mobilização dos garimpeiros, ao fundar uma instituição representativa de seus interesses. Posteriormente, a diferenciação no segmento de garimpeiros entre trabalhadores e donos de bombas e de garimpos ficou evidente e materializada em demandas distintas. A opção da Cooperativa foi de representar os membros melhor favorecidos economicamente pela própria atividade, em detrimento dos trabalhadores. Palavras-chave: Mineração. Cooperativa. Diamantina/MG Área: História Sessão temática: Extrativismo, Cultura e Desenvolvimento 90 Gerfeson Carvalho dos Santos, Bacharel em Ciências Humanas, Graduado em História, Professor no Colégio Tiradentes da Polícia Militar de Minas Gerais, unidade Diamantina. 91 Edneila Rodrigues Chaves, doutora em História, Professora adjunta da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, no curso de História e no Programa de Pós-graduação em Estudos Rurais (História - PPGER/UFVJM). 78 Parte V Territórios Rurais e Ecodesenvolvimento 79 Problemática do meio rural brasileiro: Cenário atual e novas perspectivas Thainara Dutra Tôrres92 Lauanda Lopes de Souza93 Resumo O presente trabalho busca por meio de uma breve revisão bibliográfica, trazer considerações a respeito de problemáticas relacionadas à questão agrária no Brasil. A partir disso, é feita uma discussão com perspectiva histórica analisando o cenário brasileiro desde o período colonial, até o cenário contemporâneo, dando destaque para o desenvolvimentismo presente no meio rural a partir das décadas de 1950 e 1960 e seus impactos sobre comunidades e sujeitos. Posteriormente, este artigo chama a atenção para ideias de “desenvolvimento” alternativos voltados para uma agricultura mais sustentável, como a agroecologia. Palavras-chave: Exploração do meio rural. Sustentabilidade. Agroecologia. Área de conhecimento: História Regional. Sessão temática: Territórios Rurais e Ecodesenvolvimento. 92Thainara Dutra Tôrres, Graduanda em Licenciatura em História pela Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). 93 Lauanda Lopes de Souza, Bacharela em Humanidades e mestra em Estudos Rurais pela Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), Pesquisadora do Núcleo de Estudos das Sociedades Agrárias (NESA) e do Observatório dos Vales e Semiárido Mineiro. 80 Agricultura urbana: ruralidades na cidade e a conexão sustentável entre o direito ambiental e o direito urbanístico. Leonardo de Freitas Gonçalves94 Resumo A agricultura urbana é aquela praticada nas cidades ou no entorno imediato delas e tem como principais benefícios sociais a promoção de cidades produtivas e ecológicas, que respeitam a diversidade social e cultural e que promovem a segurança alimentar e nutricional, constituindo ainda uma fonte de geração de renda. Haja vista ser o meio ambiente um assunto de interesse global, entendemos que é fundamental pensarmos em atitudes que possam vir a atenuar ou solucionar questões sensíveis no cenário atual do planeta. Desse modo, emerge também a preocupação com a sustentabilidade e, para que tal inquietação tenha algum sentido prático, cabe- nos discutir seu conceito e viabilidade na sociedade hodierna, diante do modelo socioeconômico vigente. Ressaltamos o viés interdisciplinar mas, sobretudo, jurídico da temática, haja vista a provável necessidade de regulamentação da atividade. A revisão bibliográfica realizada para a confecção do artigo engloba autores do direito, bem como da área de geografia e meio ambiente, dentre outros estudiosos. O intuito é demonstrar a contribuição da atividade agrícola nas cidades como uma conexão sustentável entre o direito ambiental e o direito urbanístico, consolidando-se como uma prática benéfica à toda coletividade. Palavras-chave: Direito ambiental. Direito urbanístico. Agricultura urbana. Sessão Temática: Territórios Rurais e Ecodesenvolvimento. Área de conhecimento: Geografia. 94 Leonardo de Freitas Gonçalves, doutorando em Geografia e Meio Ambiente na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). 81 O espaço periurbano e suas pluriatividades no bairro de Tinguá - Nova Iguaçu, RJ Renata Fernandes Teixeira95 Resumo O objetivo nesta pesquisa é trazer à tona o espaço rural persistente no município de Nova Iguaçu- RJ, e suas pluriatividades que ocorrem no bairro de Tinguá. Nossa reflexão está centrada no município de Nova Iguaçu, assim como o resultado de nossas investigações sobre a persistência do espaço rural e as pluriatividades que surgiram pela proximidade com as Unidades de Conservação (UC). O referente artigo teve como base o levantamento dos dados da Produção Agrícola Municipal (PAM) nos anos de 2005 a 2021, legislação municipal, ambiental e trabalhos de campo na região do Tinguá. Os resultados encontrados foram a existência e persistência dos espaços agrícolas em Nova Iguaçu, exemplo a produção de mandioca e banana. Além de ser identificado o turismo rural, no bairro do Tinguá, que se apropria do fluxo hídrico gerado pelas Unidades de Conservação, com o surgimento de piscinas e sítios de lazer, causando degradação dos espaços pela falta de política pública e conscientização ambiental. Palavras-chave: espaço rural; periurbano; pluriatividade; turismo rural. Sessão temática: Territórios Rurais e Ecodesenvolvimento Área de conhecimento: Geografia. 95 Renata Fernandes Teixeira, mestre em Geografia pela PUC-Rio. 82 Diversidade na paisagem rural fluminense como importante fator de desenvolvimento sustentável no estado do Rio de Janeiro Sérgio Monzato de Freitas Júnior96 Resumo O espaço rural fluminense é bastante diversificado, tendo variadas produções agrícolas, e, também, atividades que não estejam diretamente ligadas à agricultura, o que mostra a pluriatividade que lá existe. Essa diversificação pode ser vista na paisagem e utilizada para que se desenvolva a economia fluminense de forma sustentável para além da região metropolitana. Sendo assim, a partir de novas formas de geração de renda e emprego, é possível dinamizar e trazer mais fluidez no estado do Rio de Janeiro a partir de seu espaço rural. Deste modo, este trabalho de cunho qualitativo visa abordar o desenvolvimento do espaço rural destacando sua pluriatividade. Para tanto, buscou- se articular o conhecimento sobre espaço rural e paisagem rural com observações feitas em trabalhos de campo em regiões do estado do Rio de Janeiro feitos pelo autor. Acredita-se que além das diversificadas produções agrícolas, o turismo em espaço rural desponta como uma das possibilidades de crescimento econômico de forma harmoniosa com a natureza. Palavras-chave: Espaço rural; Território Fluminense; Turismo em espaço rural. Área de conhecimento: Geografia. Sessão temática: Territórios Rurais e Ecodesenvolvimento. 96 Sérgio Monzato de Freitas Júnior, mestrando em Geografia e Meio Ambiente pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). 83 Governança local, inovação rural e a agricultura multifuncional no Rio de Janeiro metropolitano Felipe da Silva Machado97 Resumo Diferentes graus de interação rural-urbana no conjunto metropolitano do Rio de Janeiro resultam em diversidade multifuncional e inovação rural. A pesquisa tem se debruçado sobre as pressões enfrentadas pelos agricultores de pequena escala em áreas afetadas pela dinâmica urbano-industrial e investigado como essas pressões influenciam os sistemas agrícolas locais. Observa-se que os atores sociais envolvidos na produção agrícola têm desenvolvido estratégias de adaptação relacionadas ao espaço rural no viés da multifuncionalidade espacial, respondendo, de forma resiliente, à urbanização e às mudanças regionais. No contexto da interação rural-urbana no Rio de Janeiro, o debate sobre a Indicação Geográfica da fruticultura tem sido um dos principais temas da pauta da associação local e instituições envolvidas com as comunidades rurais de parte dos municípios da região leste da metrópole do Rio de Janeiro. Na pesquisa, investiga-se o papel do grupo social organizado na construção da Indicação Geográfica e as múltiplas relações interinstitucionais do processo de Indicação Geográfica. Palavras-chave: Inovação rural. Governança local. Agricultura multifuncional de pequena escala. Indicação Geográfica. Área: Geografia Humana e Regional Sessão temática: Territórios Rurais e Ecodesenvolvimento 97 Felipe da Silva Machado, Pós-doutorando do Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFRJ (PPGG), Bolsista do Programa Pós-doutorado Nota 10 da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). 84 85